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sexta-feira, 27 de maio de 2011

“Economista sugere guia de profissões do futuro” (Fonte: Valor Econômico)


“Mapear quais profissões terão maior procura ou excesso de oferta no futuro deveria ser responsabilidade do governo. É o que pensa o economista Alexandre Loloian, da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade). "Há muitos jovens que estão se formando no curso superior, mas não conseguem emprego. O ideal seria ter uma política econômica e educacional que relacionasse aquecimento da economia e educação profissional", defende Loloian.
Como exemplo, o economista cita o Departamento de Trabalho dos Estados Unidos, que publica a cada dois anos o "Occupational Outlook Handbook" (OOH, algo como guia de perspectivas de emprego, em português), disponível no site do órgão em inglês e em espanhol.
Nele, há um sistema de busca por profissões no qual o jovem pode consultar as características da ocupação que procura, as competências necessárias para exercê-la, quantas instituições no país oferecem o curso desejado, qual o salário médio da profissão, além de projeções sobre a demanda futura desse profissional. Loloian lembra que o Ministério do Trabalho e Emprego tem em seu site o Cadastro Brasileiro de Ocupações. O guia, contudo, só fornece uma definição para cada profissão, sem maiores detalhamentos.
"O país não dispõe de alguns instrumentos para fazer algo como o guia americano aqui, tais como o cruzamento de produção e emprego", opina o economista. Mas algumas iniciativas estão sendo feitas. Ele conta que a Fundação Seade deve colocar no ar, até o fim do ano, um portal de ocupações para o Estado de São Paulo em parceria com a Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho (Sert).”


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terça-feira, 1 de março de 2011

“Capacitação não chega a 50% da meta” (Fonte: Correio Braziliense)


Autor(es): Vinicius Sassine

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) tem registrados em seu sistema apenas 402 pessoas formadas no curso oferecido pela Federação Interestadual dos Mototaxistas e Motoboys Autônomos (Fenamoto). Com o fim da primeira etapa do convênio firmado entre a federação e o ministério, mil motoboys já deveriam estar capacitados. Um documento do próprio MTE, porém, mostra que a Fenamoto informou ao Sistema de Gestão do Programa de Ações de Emprego (Sigae) 901 inscrições no curso e, efetivamente, 402 alunos formados até o último dia 22 — o documento foi gerado no dia seguinte e repassado à reportagem do Correio.
O convênio, de R$ 1,5 milhão, objetiva capacitar 2 mil motoboys no Distrito Federal. Metade do dinheiro já foi liberada e os primeiros cursos, iniciados em setembro, encerraram-se há mais de um mês. Mas houve uma série de irregularidades detectadas e mostradas pelo Correio. Pelo menos 100 dos motoboys inscritos não fizeram o curso. Na lista, ainda constam nomes duplicados e pelo menos 18 pessoas que não são habilitadas na categoria A, necessária para se guiar motocicletas. O presidente da Fenamoto, Robson Alves Paulino, é aliado político e partidário do ministro Carlos Lupi. Ambos integram o PDT.
O Sigae é o principal instrumento de que o MTE dispõe para fiscalizar a aplicação dos cursos de qualificação. O sistema é cheio de falhas, como já constataram auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Tribunal de Contas da União (TCU). A prestação de contas do convênio com a Fenamoto — que ainda não passou pelo crivo da CGU e do TCU — é uma mostra dessas falhas. O MTE chancelou, até a publicação das reportagens pelo Correio, a lista contendo nomes duplicados e pessoas sem Carteira Nacional de Habilitação (CNH) na categoria A. Depois, informou que vai excluir esses nomes e cobrar a capacitação da quantidade de pessoas que ainda falta.
Num acórdão de novembro do ano passado, o TCU reitera cobranças feitas ao MTE. Segundo o tribunal, o Sigae precisa de um sistema de amostragem de dados sobre as pessoas em fase de capacitação. O objetivo é “garantir confiabilidade, integridade e consistência das informações no sistema”. Essa recomendação já havia sido dada, mas, segundo o TCU, as medidas tomadas pelo MTE foram “embrionárias”. A fiscalização dos cursos pelo MTE é frágil, como constataram diversas fiscalizações da CGU. Dados deixam de ser inseridos pelas entidades conveniadas, em especial informações sobre a frequência dos alunos.
A conferência da frequência é a principal justificativa da Fenamoto para não ter informado ao Sigae a quantidade necessária de alunos formados. “Não vou enviar os dados dos outros alunos até finalizar todos os procedimentos, com a conferência da frequência, da grade curricular e da lista de professores”, afirma a coordenadora responsável pelo curso, Valéria Cristina Silva. Para o MTE, a execução do convênio pela Fenamoto está “em ritmo normal”. “O número de alunos em sala de aula já chegou próximo de 50% da meta pactuada para os 12 meses iniciais da vigência. Ainda restam mais seis meses para a execução da meta”, diz a pasta, em nota.”
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

"Curso para motoboys que nem carteira têm" (Fonte: Correio Braziliense)

"Pelo menos 17 homens e uma mulher que não são habilitados foram treinados por entidade financiada com recursos do Ministério do Trabalho. Prestação de contas de convênio de R$ 1,5 milhão traz nomes duplicados

A capacitação de motoboys financiada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a cargo de uma entidade pertencente a um aliado político do ministro Carlos Lupi, incluiu na lista oficial de participantes do curso pessoas que nem têm Carteira Nacional de Habilitação (CNH) na categoria A, exigida para se guiar motocicletas. Na lista de pessoas que teriam feito o curso destinado a motofretistas que atuam no Distrito Federal (DF), a Federação Interestadual dos Mototaxistas e Motoboys Autônomos (Fenamoto) — sediada em Goiânia (GO) — incluiu 17 homens e uma mulher que não são habilitados na categoria A, conforme consulta feita no Registro Nacional de Carteira de Habilitação (Renach).

O Correio teve acesso à lista de motoboys supostamente capacitados pela Fenamoto e solicitou que o Departamento de Trânsito (Detran) do DF pesquisasse os nomes no Renach. O levantamento, que levou em conta a base nacional de dados, mostra que, excluídos os homônimos, 18 nomes da lista não aparecem na relação do Renach.

Esse é um dos diversos indícios de irregularidades na execução do convênio firmado entre o MTE e a Fenamoto. A seleção da entidade foi oficializada em agosto do ano passado. O convênio, no valor de R$ 1,5 milhão, tem o objetivo de capacitar 2 mil motofretistas no DF. Metade do montante de recursos foi liberada em setembro e, desde então, deveriam ter sido capacitados mil motoboys no DF. Pelo menos cem profissionais não fizeram o curso, como o Correio apurou, e há suspeitas sobre a participação efetiva dos outros 900 motoboys, segundo consta da prestação de contas encaminhada pela Fenamoto ao MTE.

A lista traz nomes duplicados e, mesmo assim, é a relação chancelada pelo ministério, que se recusou a fornecer à reportagem dados completos sobre cada um dos participantes do curso. O argumento do MTE é de que os dados válidos são os repassados pela Fenamoto. Da lista da entidade, constam apenas os nomes. Para se ter uma ideia da dificuldade em comprovar a regularidade da participação no curso somente com esses dados, 128 nomes citados na lista têm homônimos no cadastro do Renach, no que diz respeito a habilitados na categoria A.

O presidente da Fenamoto, Robson Alves Paulino, está filiado ao PDT desde setembro de 2009. Ex-vereador de Goiânia e atual terceiro suplente, o líder dos mototaxistas exerce funções importantes no partido em Goiás. É ex-tesoureiro da legenda e integra a executiva regional. Robson Alves mantém estreito contato com Carlos Lupi e, desde a regulamentação da profissão de mototaxistas e motoboys, ampliou seu trâmite no ministério e junto a parlamentares dispostos a destinar emendas para a Fenamoto.

Nas visitas que fez a cidades goianas nos últimos dois anos, o ministro do Trabalho foi recebido por Robson Alves. Ainda em 2009, o "lobista político com responsabilidade" — como Robson Alves se autodefine — encontrou-se com Carlos Lupi para o anúncio de uma linha de financiamento de R$ 100 milhões para os motofretistas. No ano seguinte, novos encontros ocorreram no âmbito do programa de capacitação dos motoboys em Goiás. Robson Alves planejava se candidatar a deputado estadual — o convênio entre o MTE e a Fenamoto começou a valer em agosto do ano passado, dois meses antes das eleições —, mas desistiu do pleito. Diz ser agora pré-candidato a vereador em 2012.

Nomes a mais O curso para os motoboys de Brasília começou a ser dado em outubro do ano passado, por meio de uma parceria com a Secretaria do Trabalho (Setrab) do DF. A pasta cedeu o espaço do antigo Sine — a Galeria do Trabalhador — para a instalação de uma sala da Fenamoto e para a aplicação das aulas. Os motoboys que procuram o atendente da entidade são informados da necessidade de apresentar uma cópia da CNH na categoria A, além de um comprovante de endereço, do número do PIS e da Carteira de Trabalho.
Pelo menos 18 pessoas incluídas na lista da prestação de contas ao MTE não são habilitadas para guiar motos. Estão habilitados, no entanto, nas categorias B, C, D ou E, para dirigir carros, caminhões ou ônibus. Essa relação pode ser bem maior, já que não é possível identificar no Renach, entre homônimos, quem não está habilitado na categoria A. Os 128 homônimos geram no cadastro 743 repetições de nomes.

A partir das próprias informações repassadas pela Fenamoto ao MTE, já se sabe que cem pessoas não fizeram o curso de capacitação. Primeiro, a entidade repassou à reportagem do Correio uma lista com exatos mil nomes de motoboys supostamente capacitados. É a quantidade de pessoas que a federação sempre alegou ter atendido no DF. A relação continha 55 duplicações de nomes — havia casos até de nomes triplicados. Poucas horas depois, a funcionária da Fenamoto responsável pela aplicação do curso em Brasília, Valéria Cristina, enviou uma nova relação, com 901 nomes.

“Na correria, acabei enviando a lista sem conferir o arquivo”, justificou no e-mail enviado à reportagem. Segundo Valéria, essa é a lista que consta do sistema do MTE. Ainda permanecem nomes duplicados, que dificilmente têm homônimos. Foram suprimidos 84 nomes da primeira lista e acrescentados 32 novos, 24 deles com as letras W e Z.

A Fenamoto recusou-se a repassar os nomes dos professores, dos funcionários da entidade responsáveis por aplicar o curso e a grade curricular com as disciplinas ministradas. Valéria argumentou que “as informações não podem ser repassadas, pois necessitam de autorização do Ministério do Trabalho”.

O MTE não respondeu ao ofício, com a solicitação de diversos dados, apresentado pela reportagem do Correio na quarta-feira, 16. A assessoria de imprensa do MTE e a assessoria especial do ministro também não deram retorno, até o fechamento desta edição, aos pedidos de informação.

Na sala da Fenamoto na Galeria do Trabalhador, somente dois funcionários atendem os motoboys interessados, em esquema de revezamento. O presidente da entidade, Robson Alves, diz usar a estrutura dos sindicatos de motoboys e mototaxistas do DF para aplicar o curso. Os presidentes dos dois sindicatos representantes das categorias, Reivaldo Alves e Luiz Carlos Galvão, afirmam que a única “estrutura” disponibilizada é o telefone das entidades para prestar informações aos motoboys interessados.

No espaço da Sociedade Educacional pela Cidadania no Trânsito (SET), na Asa Norte, alugado pela Fenamoto entre outubro e janeiro, cerca de 200 motoboys foram capacitados. A Setrab informou que quatro salas do antigo Sine foram disponibilizadas e que a Fenamoto fez uso de três dessas salas. A secretaria não soube dizer quantas pessoas passaram pelas salas de aula.

Na berlinda
A votação na Câmara do novo valor do salário mínimo deixou o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, na berlinda. Lupi é presidente licenciado do PDT. A bancada do partido – que integra a base do governo – foi a mais dissidente na validação do salário de 545 reais. Dos 25 deputados da legenda, nove votaram contra a proposta do governo. A interpretação no Palácio do Planalto é de que Lupi demorou a agir, mesmo tendo conseguido reverter um quadro de dissidência que se mostrava muito mais grave. O próprio ministro afirmou estar "sempre preparado" para deixar o governo."


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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

"Núcleo faz balanço de atendimento aos trabalhadores que retornam do exterior" (Fonte: Blog MTE)

"Inaugurado recentemente no bairro da Liberdade, em São Paulo, o Núcleo de Informação e Apoio aos Trabalhadores Brasileiros Retornados do Exterior já atendeu 123 pessoas que procuraram o espaço em busca de informações, em sua maior parte, de emprego. A expectativa é de que sejam atendidos cerca de 200 trabalhadores por mês.

Com apenas 21 dias de funcionamento praticamente todas as consultas foram presenciais, tendo sido feita apenas uma via telefone. Dos que procuraram atendimento, 114 eram brasileiros; 4 japoneses e 5 com dupla cidadania. Dos consulentes, 113 eram retornados do Japão; 2 dos Estados Unidos; 1 da Europa e 7 de outros países.

Para 109 trabalhadores, o motivo da consulta foi obter informações sobre emprego. Outras 11 solicitaram informações sobre saúde; 3 sobre educação; 3 relacionadas a área jurídica; e 6 em previdência social. A procura por informações sobre emprego pode estar relacionada ao fato de que 91 pessoas que recorreram ao Núcleo estarem desempregadas. Apenas 7 disseram estar trabalhando e 9 aposentadas.

Por tempo de permanência no exterior, 29 pessoas disseram ter ficado 25 anos fora do Brasil; 22 delas em torno de 15 anos e 23, cerca de 10 anos. A maior parte dos trabalhadores (29 pessoas) disse ter retornado ao Brasil há cerca de dois anos. Por outro lado, 13 responderam ter retornado ao país há aproximadamente um mês."


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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

"Rotatividade nas vagas é de 46,7%" (Fonte: Correio Braziliense)

"Troca de empregos é a maior em 10 anos. Economia aquecida e baixa qualificação estão entre as principais causas do fenômeno


O setor produtivo brasileiro substituiu quase metade de toda sua força de trabalho no ano passado. Nos cálculos do Banco Central, a taxa de rotatividade chegou a 46,7% — o maior nível desde 2000. Na prática, de cada 100 contratados, pelo menos 46 mudaram de posto ou foram demitidos. A guerra por mão de obra qualificada, processos falhos de recrutamento e um mercado dinâmico são apontados como os responsáveis pela intensa troca de emprego no país. 

A construção civil, com seus canteiros de obras escassos de engenheiros e de pedreiros qualificados, é o setor onde o troca-troca é visto com mais intensidade. No setor, a média mensal é de 7,6%. No Centro-Oeste, onde o boom imobiliário brasiliense levanta cidades praticamente do nada, esse número sobe para 8,2% — o maior entre as regiões do país. O Norte é onde o movimento se apresenta mais fraco (7%). 

Para Elmano Nigri , presidente da consultoria de gestão de pessoas Arquitetura Humana, o mercado de trabalho passa por um apagão de mão de obra. “A qualificação é pouca e a oferta de vagas é grande. Quando a pessoa vê a oportunidade de ganhar mais, ele muda de empresa”, disse. Segundo Nigri, diferentemente do período da hiperinflação, os trabalhadores, principalmente os jovens, não se prendem mais a um único trabalho.

O encarregado de obras Jeneci Alves, 37 anos, é um exemplo da rotatividade constante na construção civil. Em fevereiro do ano passado, ele conseguiu um emprego em uma incorporadora, mas ficou lá por apenas seis meses, pois recebeu uma proposta melhor de outra empresa do setor. Alves botou na balança vários elementos além do salário básico, como oportunidades de crescimento profissional e 
garantias de melhores condições de trabalho. “Busquei não apenas quem pagasse melhor, mas quem desse garantias que eu pudesse crescer”, revelou.

Análise
Atualmente, Alves está participando de um curso promovido pela empresa onde trabalha. Em breve, subirá de posto e será mestre de obras. “O curso é uma chance muito importante para quem quer crescer na profissão”, disse. Com a melhor qualificação, ele nem pensa em mudar de empresa, a menos que o concorrente ofereça vantagens irrecusáveis. “Esta semana mesmo, recebi uma proposta para mudar de emprego. Mas não penso em sair de onde estou por agora. Hoje, o trabalhador pode fazer uma análise com calma e ver o que é melhor paa ele”, afirmou.

Ainda segundo Alves, o fenômeno de grande procura por mão de obra qualificada nos diversos canteiros de obras espalhados pelo Distrito Federal não é inédito. “Tenho um amigo marceneiro que estava aqui na construção de Brasília. Ele me disse que existem tantas ofertas que lembra os primeiros anos da cidade, quando quem pagava mais ganhava o melhor trabalhador”, disse.

Se, para o empregado, essa dinâmica permite ganhos, para o 
setor produtivo significa elevação de custos. Não apenas em função da subida constante de salários, mas pelos desembolsos com capacitação, que nunca param. Como os empregados ficam pouco tempo, sendo substituídos, a necessidade de treinamento é permanente. 

“Além de gasto, essa rotatividade gera migração de tecnologia, conhecimento e, em alguns casos, arranha a imagem da empresa, principalmente quando o motivo da rotatividade é algum mal-estar gerado no local de trabalho”, argumentou Gilberto Cavicchioli, professor do Núcleo de Gestão de Pessoas da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

Falhas
Os dados do BC mostram que, entre os demitidos no ano passado, 41,6% não ficaram nem seis meses no posto. Para Cavicchioli, isso é reflexo não apenas da falta de qualificação, mas de processos seletivos falhos e de expectativas frustradas para alguns contratados. “As empresas brasileiras não estão acostumadas com um mercado de trabalho aquecido em meio a uma economia estável, como a que vivemos agora”, criticou. “Os departamentos de recursos humanos não entenderam ainda que é necessário uma nova política de desenvolvimento, retenção e motivação de funcionários.”

Os especialistas explicam que as redes sociais também estão revolucionando a busca por um emprego. Por meio delas, quem procura uma vaga ou está insatisfeito com o sua posição no mercado de trabalho consegue encontrar informações específicas sobre ofertas que despertem interesse sem precisar passar por uma empresa de recolocação profissional. Na internet, existem várias comunidades formadas por pessoas em busca de emprego e que trocam informações sobre oportunidades."



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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

“Presos à falta de experiência - Sobra emprego, mas falta experiência” (Fonte: Correio Braziliense)

"Autor(es): Débora Álvare


Retomar o dia a dia depois de passar 15 anos na cadeia é uma tarefa tão difícil quanto o período que se passou atrás das grades. Para facilitar o retorno de detentos ao convívio com a sociedade, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) criou, em outubro de 2009, o projeto Começar de Novo, com a intenção de reinserir presos — ou quem já esteve nessa situação — no mercado de trabalho. Dois meses após a implantação da iniciativa, havia 1,3 mil vagas disponíveis. Um ano e três meses depois, a quantidade praticamente dobrou — até a última sexta-feira, eram 2,6 mil propostas de emprego. No entanto, apenas 423 dessas oportunidades estão preenchidas — 16,29%.

A disparidade dos números é fruto da realidade social brasileira, mas também motivada pela estrutura do sistema penitenciário. “O preconceito da sociedade em relação à população carcerária existe, mas é a menor das etapas a ser transposta nesse caso, já que as empresas inscreveram as vagas no programa”, ressalta o advogado Pierpaolo Cruz Bottini, ex-integrante da Secretaria de Reforma Judiciária do Ministério da Justiça entre 2005 e 2007. Para ele, a falta de qualificação técnica é uma realidade do sistema. “O maior problema do setor é a pouca ou nula preparação profissional dos apenados.”

O sociólogo Fernando Salla, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP), compartilha a opinião. Segundo ele, há desencontros em relação à formação exigida pelas empresas e a oferecida pela mão de obra. “Como sabemos, as pessoas que estão presas não têm um tempo superior de formação escolar e nem larga experiência profissional”, salienta. Outro fator que motiva o não preenchimento de oportunidades é a burocracia enfrentada por presos que cumprem penas em regime semiaberto. “Isso cria uma dificuldade em relação à liberação para o trabalho, já que não há vagas suficientes nos presídios de regime semiaberto”, diz Bottini.

Apesar das dificuldades, quem consegue ingressar no mercado de trabalho comemora a iniciativa. É o caso da brasiliense Jeane Ferreira Farias, 30 anos, presa sob a acusação de ser cúmplice do ex-companheiro em um assalto a banco, em Mato Grosso, em 2006. Ela ganhou o direito de responder ao processo em liberdade, mas voltou a ser presa por não ter se apresentado à Justiça quando retornou a Brasília. Hoje, Jeane cumpre a pena em regime domiciliar, trabalha na Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso do Distrito Federal (Funap-DF) na parte administrativa e avalia positivamente a experiência. “Aqui as pessoas ajudam quem tem passagem pela polícia sem preconceito. Sinto que nos reeducam para voltarmos a ter contato com a população.” Antes de ser presa, Jeane trabalhava como gerente de uma loja de roupas, mas não foi aceita de volta quando conquistou o direito ao trabalho fora da prisão. “Tem muita gente que, até hoje, me recrimina por ter sido presa”, lamenta.

Casos como o de Jeane demonstram a importância do projeto. No entanto, ele não é pioneiro na área. O trabalho dentro das penitenciárias sempre foi uma realidade, embora a Lei de Execuções Penais tenha sido a primeira a detalhar a forma como isso deveria ocorrer, em 1984. Mesmo após 27 anos, apenas 15% do universo de quase 500 mil presos brasileiros trabalham. Segundo o juiz do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e das Medidas Socioeducativas (DMF) do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Luciano Losekann, apenas 5% da população encarcerada presta algum tipo de serviço dentro dos presídios.

Ciclo

Essa falta de incentivo ao trabalho, criticada por especialistas no sistema penal brasileiro, dificulta a ressocialização, mas gera também outro problema alarmante. Como destaca o juiz do CNJ, embora a reincidência não seja acompanhada de perto por órgãos responsáveis pelo sistema carcerário, observa-se que aproximadamente 80% dos libertos voltam a ser presos. Para Losekann, a falta de qualificação e de ocupação são incentivos a esse ciclo.

Prova de que oportunidades de emprego podem ser um diferencial nesse sentido é o que ocorre em São Paulo, estado com a maior população prisional do Brasil — são 164.521 presos, o equivalente a 30% do total brasileiro. De acordo com dados da Fundação Professor Dr. Manoel Pedro Pimentel (Funap-SP) — órgão vinculado à Secretaria de Segurança Pública do estado —, a reincidência gira em torno dos 60%. O índice, menor que o verificado em outras unidades da Federação, deve-se à realidade paulista, na qual 80% dos presos trabalham.


Oportunidades

Os empregadores interessados em participar do programa podem se inscrever no site do CNJ, onde estão listadas as oportunidades de emprego para os detentos que queiram trabalhar. A maioria das 451 parcerias, firmadas por meio de um Termo de Cooperação Técnica, é de empresas particulares, que ofertam 80% das vagas. Todos os estados brasileiros já aderiram ao programa. Além de oportunidade de emprego, o Começar de Novo oferta cursos de qualificação profissional.

Sem estrutura no DF
A população carcerária do Distrito Federal ultrapassa 9 mil homens e mulheres, segundo dados da Subsecretaria do Sistema Penitenciário (Sesipe) do DF. Cerca de 1,3 mil realiza atividades diversas, como carpintaria, jardinagem e oficina dentro dos presídios locais. Ainda há pouco mais de 2 mil detentos em regime semiaberto e apenas 746 prestam algum serviço foram do presídio. Essa disparidade ocorre, segundo o diretor-geral da Subsecretaria do Sistema Penitenciário do DF (Sesipe), Hélio de Oliveira, porque há apenas 873 internos abrigados no Centro de Progressão Provisória (CPP), que conta com 1.130 vagas. Aqueles que, apesar de cumprirem pena no semiaberto, permanecem no presídio normal, segundo o dirigente, não têm ocupação fora da prisão. “Por isso há vagas sobrando no CPP”, ressalta Oliveira. (DA)"

 

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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Brasileiros vindos do exterior terão apoio para reinserção ao mercado de trabalho (Fonte: Rede Brasil Atual)

"Em São Paulo, ministro Carlos Lupi inaugura centro que auxiliará brasileiros que retornarem do exterior, principalmente do Japão
Publicado em 10/01/2011, 15:40
São Paulo – Brasileiros que retornarem do exterior e estiverem em busca de recolocação profissional no mercado de trabalho terão um auxílio especial  a partir desta segunda-feira (10). Foi inaugurado em São Paulo o Núcleo de Informação e Apoio aos Trabalhadores Brasileiros Retornados do Exterior, que terá como principal função orientar os brasileiros que, de volta ao país, busquem acesso aos serviços públicos e  a reinserção ao mercado de trabalho.

Inaugurado pelo ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, o núcleo prestará apoio aos trabalhadores que retornarem do exterior, principalmente do Japão. Segundo estudos do Conselho Nacional de Imigração (CNIg), os maiores fluxos de retorno de brasileiros do exterior são oriundos do Japão e dos Estados Unidos, países que tiveram forte impacto da crise financeira, iniciada em 2008. No caso do Japão, informações de autoridades daquele país apontaram para um retorno de cerca de 80 mil brasileiros entre outubro de 2008 e abril de 2010.

"Muitos desses brasileiros residiram durante anos no exterior e, em vários casos, apresentam dificuldades em se reintegrar ao mercado de trabalho brasileiro. Estes trabalhadores têm conhecimentos e qualificações adquiridas no exterior, mas, por falta de orientação, desperdiçam importantes oportunidades", avalia o coordenador-geral de Imigração do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e presidente do Conselho Nacional de Imigração (CNIg), Paulo Sérgio de Almeida.

Para Almeida, o Núcleo de Informação e Apoio a Trabalhadores Brasileiros Retornados do Exterior significa o reconhecimento de uma nova tendência migratória dos fluxos internacionais do Brasil: o aumento no retorno de brasileiros que viviam no exterior e que decidiram voltar para 'casa'.

O coordenador explica que tal movimento tem ocorrido por vários fatores, entre eles a crise que assola as principais economias desenvolvidas, gerando desemprego e redução de salários para muitos brasileiros emigrantes. "Além disso, outros fatores também têm sido considerados, como o endurecimento das políticas em relação aos imigrantes nos EUA e nos países europeus, gerando uma onda de discriminação e xenofobia; e especialmente o crescimento da economia brasileira, com uma sensível melhora no mercado de trabalho, aliada à melhora da imagem do Brasil no exterior."

O endereço do Núcleo de Informação e Apoio aos Trabalhadores Brasileiros Retornados do Exterior é: Rua São Joaquim, 381, no bairro da Liberdade, na capital paulista."

"Emprego e renda mudam de endereço" (Fonte: Correio Braziliense)

"Autor(es): Cristiane Bonfant
Correio Braziliense - 10/01/2011
Países emergentes absorvem cada vez mais trabalhadores estrangeiros. No Brasil, o total da mão de obra vinda de fora dobra em quatro anos. Bons salários fazem as remessas de recursos disparar

O Brasil começa uma nova década e, com ela, um novo capítulo na história da imigração. Depois de um longo processo de estabilização econômica e da retomada do crescimento, o país embarcou de vez na mudança da rota mundial do emprego e da renda. Em vez de exportar mão de obra para as nações desenvolvidas, vistas, ao longo de anos, como verdadeiros eldorados, o Brasil registra recordes de importação de trabalhadores — fenômeno que se repete em boa parte dos países emergentes, ávidos por profissionais qualificados. Melhor: a maior parte dos que chegam tem garantido salários bem acima da média de mercado, fazendo com que, em apenas quatro anos, as remessas de renda do trabalho para os países de origem desse contingente estrangeiro mais do que triplicassem nos últimos cinco anos — de US$ 262 milhões, em 2005, para US$ 760 milhões (acumulados de janeiro a novembro de 2010).

“A nova direção do emprego e da renda é só um dos efeitos da mudança estrutural pela qual passa o mundo”, diz Marcos Troyjo, cientista político e professor visitante da Universidade de Sorbonne, na França. Ele ressalta que os países industrializados estão atolados na recessão, com índices recordes de desemprego. Nos Estados Unidos, que, até o início dos anos 2000, registravam o que os analistas chamam de pleno emprego — taxa de desocupação de 4,5% — agora convivem com quase 10% da População Economicamente Ativa (PEA) fora do mercado de trabalho. Na Espanha, em apenas três anos, de 2007 a 2010, a taxa de desemprego saltou de 8% para 20% — mais de 4 milhões de pessoas dependem de auxílio do governo. “No Brasil, diferentemente, estamos caminhando para o pleno emprego e há escassez de mão de obra qualificada em vários setores da economia”, ressalta.

A inversão é tamanha que, agora, bolivianos, colombianos, peruanos, paraguaios e argentinos vêm trocando o sonho de fazerem a vida nos EUA e na Europa pelo Brasil. Em vez de Miami, os olhos estão voltados para São Paulo e Rio de Janeiro. Em vez de Madri, Brasília e Manaus. Não à toa, o número de autorizações concedidas para profissionais estrangeiros quase dobrou de 2006 para cá. Naquele ano, foram 25.350 registros. Em 2010, as estimativas apontam para 46 mil — os números fechados até setembro chegaram a 39.057.

Nível elevado
O perfil desses trabalhadores impressiona. Quase 60% deles têm curso superior completo. Outros 38%, ensino médio ou técnico profissionalizante. A proporção dos que não concluíram o ensino médio não chega a 1%. Esses números revelam a nova estratégia do Brasil na sua política de imigração. Estimativas sugerem que, nos séculos 19 e 20, quase 5 milhões de japoneses, árabes e italianos, entre outras nacionalidades, ingressaram no país. A maioria era de pessoas de baixa escolaridade e renda que vieram substituir a mão de obra escrava nas fazendas.

Agora, diante dos desafios de explorar a camada de petróleo no pré-sal — o terceiro maior campo de óleo e gás do mundo — e de tocar grandes obras de infraestrutura e eventos como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, o Brasil está de olho nos melhores e mais capacitados cérebros do mundo. Por isso, a tendência é de que a entrada de profissionais estrangeiros aumente ao longo dos anos. “Desde 2004, há um crescimento forte no país, o que abriu muitas oportunidades de trabalho. Além disso, as novas políticas de investimentos públicos, como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), explicitaram a escassez de pessoas qualificadas no Brasil”, explica Janine Berg, especialista em emprego da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Mesmo em setores em que a qualificação não é prioridade máxima, os estrangeiros têm conquistado espaços. É o caso, por exemplo, do segmento de bares e restaurantes. A diferença não está na graduação, mas na fluência em línguas como o inglês e o espanhol. A argentina Sandra Flores, 38 anos, que o diga. Ela conseguiu reconstruir a vida no Brasil. Nos anos 1990, passou um bom período no país trabalhando como artista de circo, contratada por uma empresa com sede na Argentina. Depois de voltar para o país de origem, teve, em 2001, seu primeiro filho, Stefano. Mas se viu obrigada a retornar ao Brasil por conta da crise econômica que assolou a Argentina.

“Eu não queria que meu filho passasse por uma situação tão difícil e também não gostaria de prosseguir na vida no circo. Vi, no Brasil, a chance de me recolocar no mercado. Foi um recomeço”, lembra Sandra. Durante mais de cinco anos, porém, ela ficou na ilegalidade, e se virou bordando e fazendo traduções, o que lhe rendia R$ 500 por mês. Apenas em 2005, por conta de um acordo dentro do Mercado Comum do Sul (Mercosul), ela conseguiu se regularizar e, hoje, recebe R$ 1,5 mil como garçonete em um restaurante francês.

Mas o chefe de Sandra, o empresário Sérgio Quintiliano, quer mais. De olho em um público que só tende a aumentar diante da entrada definitiva do Brasil no clube dos protagonistas mundiais — o país e outras seis economias emergentes (China, Índia, Rússia, México, Turquia e Indonésia) terão, até 2020, um Produto Interno Bruto (PIB) maior do que as atuais potências juntas (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá) —, ele reforçará o quadro de pessoal com trabalhadores de fora. “Estamos diante de um cenário desafiador. O Brasil está atraindo cada vez mais turistas de todo o mundo e ainda teremos a Copa de 2014 e as Olimpíadas. Infelizmente, a formação básica em línguas no Brasil é deficiente e os trabalhadores estrangeiros suprem essa lacuna”, justifica.

Nada de espanto

Para o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão, a importação de mão de obra estrangeira pelos países emergentes, em especial o Brasil, que não têm uma população tão expressiva como a China e a Índia, é um fenômeno irreversível. Ele conta que o setor está, hoje, à beira de um apagão, porque, ao longo de anos, não investiu como devia na educação dos futuros trabalhadores. “Falta de tudo, pedreiros, serventes, pintores e, principalmente, engenheiros”, afirma.

 Pelos levantamentos da Confederação Nacional de Engenharia e Arquitetura (Confea), há 712,4 mil engenheiros no Brasil. Anualmente, formam-se 32 mil profissionais, em todas as modalidades, quando o necessário seriam pelo menos 50 mil. Assim, com o ritmo de crescimento do país se mantendo próximo de 5% ao ano ao longo das próximas décadas — projeções da PricewaterhouseCoopers indicam que, em 2050, o Brasil será a quarta potência econômica do planeta —, a importação de engenheiros virará rotina. “Estamos avançando em grande velocidade. Não podemos permitir que gargalos como a falta de pessoas qualificadas nos prejudiquem”, destaca Simão. Ele negocia, com a Embaixada de Portugal, trazer engenheiros portugueses para o Brasil.

Selado esse quadro, que ninguém se espante com o aumento expressivo das transferências de renda dos trabalhadores estrangeiros para seus países — boa parcela dos recursos, para sustentar as famílias que ficaram por lá. Dados do Banco Central mostram que, enquanto as remessas para o país de brasileiros que vivem no exterior, especialmente EUA e Japão, estão com tendência de queda (foram US$ 2,9 bilhões em 2006 e cerca de US$ 2,2 bilhões em 2010), as dos estrangeiros que vivem aqui avançam a um ritmo espetacular, totalizando, entre janeiro e novembro de 2010, US$ 759 milhões, mais do que todo o montante de 2009, de US$ 680 milhões.

“Esses são movimentos típicos de mudanças de países que saíram da segunda divisão para a elite mundial, com taxas robustas de crescimento econômico ”, diz o economista Carlos Eduardo de Freitas, ex-diretor da Área Externa do BC. Mais do que isso, os números mostram que o Brasil vem conseguindo se livrar da praga do desemprego justamente quando está entrando em seu auge produtivo — a população entre 15 e 64 anos será maioria nos próximos 20 anos.

US$ 325 bi no mundo
A nova ordem mundial, que vem impondo uma mudança no eixo dos investimentos globais, também modificou, de forma determinante, o endereço dos países que mais abrem postos de trabalho no planeta. Consequência natural desse movimento, uma outra agitação começa a ser percebida: a alteração no fluxo das remessas de dinheiro enviadas por trabalhadores a seus países de origem. Antes da crise internacional, que explodiu em 2008, ainda era clara a predominância das transferências a partir das nações ricas, como Estados Unidos e Japão, tradicionais acolhedores de mão de obra. Mas o reposicionamento dos emergentes, agora polos empregadores, está transformando essa realidade.

Com o desemprego atingindo taxas recordes em países que receberam milhares de imigrantes nos últimos 10 anos, os recursos remetidos desses lugares encolheram a partir da recessão mundial de 2008 e 2009 — os dois piores anos da década passada. Além dos estrangeiros empregados nos EUA, os que optaram pela Europa como lar também passaram a mandar menos dinheiro para casa. Desde então, tanto os norte-americanos quanto os europeus amargam taxas de desemprego próximas a 10%. Na direção oposta, imigrantes que escolheram nações como China, Índia e Brasil vêm elevando as remessas aos familiares.

Dados do Banco Mundial mostram que os novos paraísos do emprego e da renda ajudaram na recuperação do fluxo mundial de remessas oriundas do trabalho em cerca de 6% em 2010, para algo perto dos US$ 325 bilhões. Não é pouco. No ano passado, os recursos das famílias que cruzaram fronteiras foram três vezes maiores que a ajuda dos países ricos às nações pobres duas décadas atrás. A despeito dos volumes ainda pequenos das transferências, quando comparadas às remessas das nações do Velho Continente ou dos Estados Unidos, a economia brasileira vem ganhando cada vez mais relevância.

Iuans e reais
Em média, bolivianos, paraguaios, argentinos e equatorianos, entre outros estrangeiros radicados no Brasil, já mandam US$ 1 bilhão por ano aos seus países de origem. A recessão mundial não afetou esse movimento. Em 2010, foram remetidos US$ 760 milhões até novembro. Vultosos, os valores despachados dos países do Primeiro Mundo continuaram elevados no ano passado: estima-se que R$ 48 bilhões deixaram os EUA, US$ 20 bilhões foram enviados da Suíça e US$ 15 bilhões saíram da Alemanha. Mas a desvalorização do dólar e do euro, ao lado do forte desemprego, faz com que esses valores percam força diante das somas produzidas em reais, iuans ou rúpias.

Com a economia em franca expansão, o emprego beirando à plenitude e a moeda valorizando-se fortemente, o Brasil passou a ser visto pelo Banco Mundial como uma origem importante de remessas ao exterior. A exemplo de seus congêneres, o país está passando de financiado a financiador. Estatísticas do Banco Mundial mostram que o dinheiro despachado do Brasil mais do que dobrou no intervalo de cinco anos. A maior parte foi enviada por latino-americanos aos familiares na vizinhança, com destaque para as transferências dos 200 mil bolivianos radicados na capital paulista.

Mas, por outro lado, o país e toda a América Latina sentiram o peso da crise nas economias ricas. O envio de recursos dos brasileiros ou dos latinos que vivem em outras nações vem caindo substancialmente, especialmente quando a origem das remessas são os EUA. Só em 2009, elas encolheram 12% e praticamente não houve retomada em 2010 — a recuperação foi de apenas 2%. Com o desemprego espanhol nas alturas — estima-se que 40% dos estrangeiros estejam sem trabalho naquele país—, a renda das famílias e as contas externas de economias como as de Equador, da Colômbia e da Bolívia foram duramente atingidas.

As remessas de brasileiros empregados lá fora praticamente estão estagnadas. Elas devem fechar 2010 próximo a 2009, quando foram injetados US$ 2,2 bilhões na economia verde-amarela. Em comparação a 2008, o valor ficará menor em quase US$ 900 milhões, diz o Banco Mundial. O Brasil tende a fechar a década como 24º do ranking dos países que mais recebem dinheiro do exterior. A Índia ostentará a primeira posição. Vai botar as mãos em US$ 55 bilhões do fluxo global de remessas de estrangeiros e as famílias chinesas virão na sequência, com US$ 51 bilhões.

Brasileiros fazem o caminho de volta
O apetite dos trabalhadores estrangeiros pelo Brasil está respaldado em pesquisa da empresa de recrutamento e administração de recursos humanos Manpower. Ao indagar 64 mil empresas de 39 países, a consultoria registrou que a economia brasileira desponta como a 4ª mais promissora em termos de expectativa de emprego para 2011. Não sem motivo, conforme o presidente do Conselho Nacional de Imigração do Ministério do Trabalho, Paulo Sérgio de Almeida.

“O ritmo acelerado de investimentos públicos e privados, especialmente em áreas como petróleo, gás e energia, atrai empresas e, com elas, trabalhadores para as várias funções, inclusive executivas, como gerentes, supervisores e diretores”, diz Almeida. Mas não é só. “Nosso parque industrial está em constante modernização. Vamos precisar de profissionais para supervisionar a implantação de plataformas produtivas, a maioria usando equipamentos e tecnologias estrangeiras”, acrescenta.

Diante das perspectivas positivas para o Brasil, não são apenas os estrangeiros que migram para o país. Brasileiros que, há anos, estavam fora, muitos em postos estratégicos no mercado financeiro dos Estados Unidos, fizeram o caminho de volta. Desanimados com a fragilidade de Wall Street, que quase sucumbiu depois do estouro da bolha imobiliária norte-americana em 2008, eles vêm  embarcando na onda de oportunidades de negócios no país. Vários deles, executivos de ponta, têm constituído empresas financeiras, denominadas butiques, para assessorar o capital externo que está aportando na economia local. “O Brasil vive um momento ímpar, de prosperidade. Ninguém quer perder esse bonde”, afirma o economista-chefe do Banco Schahin, Sílvio Campos Neto.

A mesma avaliação é feita por José Márcio Carmargo, especialista em emprego e economista-chefe da Opus Investimentos. “Os movimentos de migração para o país refletem a realidade econômica mundial do pós-crise”, ressalta. Para ele, dificilmente esse quadro mudará tão cedo, pois as perspectivas de crescimento para os países industrializados são ruins e o desemprego elevado continuará atormentando essas nações por um bom tempo. “A tendência das economias ricas não é de atrair mão de obra, mas de expulsar trabalhadores, especialmente os estrangeiros”, complementa.

Troca de experiência
Quem está arrumando as malas em direção ao Brasil é o panamenho Edgar Escobar, 44 anos. Engenheiro eletricista, especialista em administração de negócios e professor universitário, ele está casado há um ano e meio com a brasileira Monaliza Maia, 43. Os dois decidiram vir para o país por conta de uma proposta de trabalho que ela recebeu. “Eu já havia morado aqui nos anos de 1990, quando a situação econômica era muito ruim. Agora, percebemos que o Brasil está se destacando, com boas perspectivas para o mercado de trabalho. Vamos fazer essa aposta”, diz Escobar.

Ele sabe do que fala. Pelos cálculos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego no Brasil está em 5,7%, a menor da história. Há regiões em que o índice gira entre 3% e 4%, considerado pleno emprego pela literatura econômica. “O quadro no mercado de trabalho é tão favorável que as empresas estão com dificuldade para encontrar pessoas qualificadas. Portanto, o país precisa de uma política agressiva de imigração para melhorar até mesmo a produtividade do país”, diz Camargo, da Opus Investimentos.

No entender de Janine Berg, especialista em emprego da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a flexibilização dos processos para a entrada de trabalhadores estrangeiros no Brasil é mais do que urgente. “Trata-se de mão de obra fundamental para superar os gargalos que podem comprometer o crescimento sustentado do país. Além disso, durante o tempo em que estão aqui, os estrangeiros capacitam os brasileiros que trabalham com eles”, explica. (CB e VC)

Oriente à vista
Embora se diga que o Brasil virou a Meca dos imigrantes, o país continua exportando trabalhadores. Depois de enfrentar, no fim de 2008 e durante todo o ano de 2009, a crise financeira internacional, os dekasseguis, brasileiros descendentes de japoneses que haviam retornado para o país, estão voltando ao Japão, que enfrenta um lento, mas doloroso processo de encolhimento populacional.

Desalento  nos EUA

» Até há pouco tempo desacostumados a taxas de desemprego elevadíssimas, próximas aos 10%, os norte-americanos passaram a se deparar com uma nova realidade: o desalento, fenômeno que explica o desânimo dos desocupados na busca por um lugar ao sol. Por essa razão, os Estados Unidos sequer puderam comemorar a ligeira redução — de 9,8% para 9,4% — do total da população sem emprego no fim de 2010. O movimento teve um dado desconcertante: a força de trabalho do país diminuiu em 260 mil pessoas em 2010. Em outras palavras, os cidadãos já não acreditam que haverá vagas para todos nos EUA."

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Publicado o Decreto que institui Política Nacional de Formação dos Profissionais da Educação Básica (Fonte: CNTE)


"04-01-2011
Google O documento também dispõe sobre o Programa de Formação Inicial em Serviço dos Profissionais da Educação Básica dos Sistemas de Ensino Público – Profuncionário
Os funcionários de educação estão agora incluídos na Política Nacional de Formação dos Profissionais da Educação Básica. Publicado no último dia do ano (31/12) no Diário Oficial da União (DOU), o Decreto 7415/10 inclui em seus artigos, os funcionários da educação.

"Foram anos de luta da CNTE no MEC. Agora, a Política Nacional de Formação traz as diretrizes de carreira para os funcionários da educação. Agora a União fomentará o acesso à formação inicial dos funcionários por meio do Profuncionário”, comemorou o coordenador Nacional do DEFE, João Alexandrino de Oliveira.

Para Alexandrino, a publicação do decreto representa o cumprimento de uma promessa do Ministro da Educação, Fernando Haddad, feita à CNTE. Além disso, o fato das ações já estarem valendo vai ajudar na gestão do novo governo. “a nova presidenta já vai encontrar as políticas  direcionadas para os avanços que ela propõe”, afirmou.

O decreto prevê também a participação de entidades como a CNTE, o Consed e a Undime na formação do conselho gestor do Profuncionário. Com o apoio deste comitê, o Ministério da Educação deverá elaborar diagnósticos para as necessidades dos profissionais da educação básica e, assim, coletar informações sobre pontos como a formação continuada e inicial dos cursos e outros dados que forem considerados relevantes.  (CNTE)"

"O risco do apagão da mão de obra" (Fonte: Istoé)

"Autor(es): Adriana Nicacio
Isto é - 04/01/2011

A falta de investimento em educação básica e formação profissional está cobrando seu preço no momento em que o País mais precisa de trabalhadores qualificados



O longo e penoso processo de sucateamento que vitimou a educação pública brasileira no decorrer das últimas décadas começa a mostrar seus nefastos efeitos para o Brasil. Exatamente agora, quando as taxas de expansão do Produto Interno Bruto quebram recordes históricos e o volume de criação de empregos surpreende até mesmo os empresários mais otimistas, o País passa a se deparar com um problema há muito anunciado: a falta de mão de obra qualificada para sustentar um ritmo de crescimento acelerado e sustentável. Não importa o setor, não importa o nível de qualificação exigido e nem mesmo a região. O problema é crônico e atinge de forma quase homogênea as diferentes regiões. Pior: tende a agravar-se pelos próximos anos sem condições de acompanhar o ritmo de expansão do PIB, previsto por todos, governo, empresários e analistas econômicos.

Numa pesquisa realizada pela IBM no segundo semestre deste ano, presidentes brasileiros de grandes empresas apontaram a falta de profissionais qualificados como um dos principais entraves ao crescimento do seu ramo de atividade nos próximos cinco anos.
Preocupado com os prejuízos iminentes, o Ministério do Trabalho conseguiu ampliar em R$ 300 milhões os recursos para a qualificação profissional. Mais de 400 mil trabalhadores participaram de cursos oferecidos pelo governo. Mas, nas palavras do próprio ministro, Carlos Lupi, isso está longe de ser o suficiente para resolver um problema que só tende a se agravar. “Eu sei que não é. O Brasil tem anualmente necessidade de qualificar 4,5 milhões de pessoas, sem contar os que deveriam ser requalificados”, diz Lupi.


Não é só na formação profissional que o Brasil amarga uma situação desastrosa. Por falta histórica de investimentos e valorização do ensino público, as crianças e adolescentes de hoje estão aprendendo muito menos do que deveriam. A última pesquisa do Programa Internacional de Avaliação de Alunos comprovou isso. O estudo, realizado com estudantes de 15 anos de idade, mostrou que o Brasil avançou, mas ainda amarga a 53a posição entre os 65 países pesquisados. O avanço só ocorreu porque os estudantes das escolas privadas, a minoria no Brasil, saíram-se muito melhor do que no último levantamento, realizado há três anos. De acordo com a pesquisa, 49% dos estudantes brasileiros ficaram no mais baixo grau de compreensão na leitura de textos básicos e quase 70% deles não passaram no nível básico em conhecimentos matemáticos.

Consciente da limitação, o setor industrial trata de investir em seus quadros para não ver os planos de crescimento serem abortados por falta de profissionais. Nos últimos três anos, foram investidos cerca de R$ 10 bilhões no Programa Educação para a Nova Indústria, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com o Sesi e o Senai. Segundo a CNI, o trabalhador médio brasileiro tem seis anos de escolaridade contra 12 dos norte-americanos e europeus. Esse descompasso, por si só, já é um complicador. Ocorre que, apesar do otimismo, não se previa que o Brasil fosse crescer tanto em 2010 nem o crescimento médio de 5% nos próximos anos. Tudo isso, é claro, exige e vai exigir mais mão de obra.
A Petrobras, por exemplo, subestimou a quantidade de trabalhadores de que necessitaria para sustentar sua expansão até 2013. Sabe agora que precisará de mais cinco mil empregados acima da previsão inicial. Suas ações no Complexo Petroquímico do Rio e na Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, vão exigir pelo menos 212 mil pessoas capacitadas até 2014. A segunda maior petrolífera do mundo se associou ao Prominp (Programa de Mobilização da Indústria Nacional do Petróleo) para cumprir a meta. De acordo com o coordenador do Prominp na Petrobras, José Renato de Almeida, a empresa licitou a construção de 28 novos equipamentos para dar seguimento a seu plano agressivo de exploração do pré-sal. “Vamos precisar de operadores. Mas eles devem ter treinamento mais completo. É como um piloto de avião”, diz Almeida.
 
Trata-se, porém, de ações localizadas num país com deficiências profundas no sistema educacional e uma massa de oito milhões de desempregados. Assim como as vantagens, os problemas brasileiros não passam despercebidos pelo resto do mundo. Segundo um estudo do Banco Mundial sobre os impactos do conhecimento e da inovação na competitividade brasileira, o País perderá oportunidades na expansão da economia por “falta de investimento em educação e qualificação profissional”. As pesquisas internas também não são alentadoras. Em novembro, depois de entrevistar 76 grandes empresas, a Fundação Dom Cabral descobriu que a construção civil, indústria naval, automobilística, ferroviária, moveleira, metalurgia, siderurgia e no setor de transportes e de serviços se debatem com a falta de mão de obra qualificada. “É muito mais caro para uma empresa se instalar num país onde terá de captar funcionários no Exterior”, diz Jorge Cunha, diretor financeiro da BDO, quinta maior empresa de consultoria do mundo."