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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Oficina de costura regulariza contratação de estrangeiros e promove melhorias no ambiente de trabalho (Fonte: PRT 2ª Reg)

''Termo de Compromisso de Ajuste de Conduta (TAC) assinado em abril do ano passado pela oficina de costura Hermes Cristian Sossa, determinava as obrigações de não contratar estrangeiros em situação irregular no país e também a cumprir a legislação trabalhista, especialmente, com a manutenção de todos os empregados com registro em carteira de trabalho.
Após recente fiscalização, feita pelos auditores fiscais do Trabalho, foi constatado que a empresa cumpriu as obrigações determinadas no TAC e, ainda, implantou o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional - PCMSO e o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais.
Obrigações assumidas
Conforme explica a procuradora do Trabalho Denise Lapolla de Paula Aguiar Andrade, que propôs o TAC, “o cumprimento do termo de compromisso verificado pela fiscalização não isenta a empresa de manter as obrigações assumidas e nem implica suspensão da multa de 10 mil reais por cláusula descumprida, que será aplicada, caso se constate qualquer reincidência, em qualquer tempo”

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

‘’Brasil vai facilitar visto de trabalho para estrangeiro’’ (Fonte: O Globo)

"TAPETE VERMELHO PARA IMIGRANTES QUALIFICADOS
O Globo - 15/01/2012
País quer atrair europeus qualificados mas desempregados pela crise
O crescente interesse de estrangeiros em vir para o Brasil, aproveitando o bom momento econômico do país, levou o governo a encomendar um projeto para alterar a política de imigração: a meta é flexibilizar as regras de concessão de vistos de trabalho e facilitar a entrada de profissionais qualificados. De janeiro a setembro de 2011, o governo concedeu 51 mil autorizações de trabalho para estrangeiros, 32% a mais do que em 2010. Só uma multinacional de recrutamento on-line tem cadastrados 400 mil currículos de pessoas interessadas em trabalhar no Brasil, dos quais 80 mil foram enviados ano passado. Coordenador da equipe da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) que elabora a nova política, Ricardo Paes de Barros diz que a ideia é estender tapete vermelho para os europeus desempregados pela crise e estabelecer limites para a entrada de imigrantes que fogem da pobreza - como vem acontecendo com os haitianos.
Brasil quer facilitar concessão de visto para profissionais estrangeiros
ENQUANTO O espanhol García-Ramos tenta vencer a burocracia para conseguir um visto de trabalho para o Brasil, a conterrânea Maria Sanches, em São Paulo desde 2008, vai renovar a autorização pela quarta vez
Chico Otavio
Priscila Guilayn*
Em vez de fila de espera, tapete vermelho. Se depender da equipe formada pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE) para elaborar uma política nacional de imigração, é assim que o governo pretende tratar o profissional estrangeiro altamente qualificado que demonstrar interesse em trabalhar no Brasil. Por outro lado, a fila do visto será mantida para o imigrante sem qualificação, como boa parte dos haitianos que chegaram recentemente pela fronteira norte do país (Acre e Amazonas).
Coordenador do projeto, o economista Ricardo Paes de Barros disse que, se o governo for cuidadoso, poderá abrir um novo ciclo de imigração europeia para o Brasil. Para isso, terá de remover as dificuldades que emperram o processo de concessão de vistos. Embora alterado por atos administrativos ao longo dos anos, é ainda o Estatuto dos Estrangeiros, uma lei de 1980, quando o país ainda vivia sob o regime militar, que define as regras de autorização de trabalho.
- Como o Brasil é agora uma ilha de prosperidade no mundo, há muita gente de boa qualidade que quer vir. Mas a fila do visto é a mesma para todos. Não estamos olhando clinicamente para ver quem vai trazer tecnologia - disse Ricardo.
De janeiro a setembro do ano passado, o Ministério do Trabalho concedeu 51.353 autorizações de trabalho a estrangeiros, um aumento de 32% em relação ao mesmo período do ano anterior. Para obter o visto, o interessado, entre outras exigências, é obrigado a comprovar sua qualificação com documentos autenticados pela rede de consulados brasileiros. Para especialistas, as regras são rigorosas e subjetivas demais.
- Se quisesse trazer o Pablo Picasso, que tipo de documento eu teria de apresentar para provar que ele é pintor? - ironizou o advogado Giovani Lara dos Santos, sócio de um escritório especializado na regularização de estrangeiros.
O espanhol Javier García-Ramos, de 41, reforçará em breve as estatísticas sobre o crescimento de imigrantes. Dentro de duas semanas, se o visto sair, ele decolará de Madri para tentar uma vida nova em São Paulo. Por causa dos últimos quatro anos de crise econômica, o número de espanhóis no Brasil cresceu, pelo menos, 45%. É um perfil de profissional que escapa entre os dedos da castigada Espanha e que parece interessar às empresas brasileiras, que os recebem com bons salários e participam, junto com o futuro empregado, do laborioso trâmite de solicitação de visto.
- A burocracia é mais complicada do que eu imaginava. O consulado brasileiro não serviu muito -- queixou-se García-Ramos.
O espanhol resolveu contratar uma empresa brasileira de consultoria jurídica em imigração, indicada pela Câmara de Comércio Brasil-Espanha, para agilizar o processo:
- Não atrasarei minha viagem por causa do visto. Enquanto isso, vou aprendendo português e conhecendo melhor o país.
SAE quer propor processo seletivo
A primeira versão do projeto da SAE, elaborada por uma equipe formada por economistas, juristas, demógrafos e sociólogos, deverá sair em dois meses. Os responsáveis admitem que o objetivo é propor o que Paes de Barros chama de processo de imigração seletiva, que priorize a "drenagem de cérebros", mas estabeleça limites para os estrangeiros que chegam fugindo da pobreza de seus países.
- É preciso definir até onde irá a nossa generosidade. Como vamos contribuir para aliviar a pobreza do mundo e absorver essas pessoas. Solidariedade tem de ter limite e caber dentro do que o Brasil pode ajudar - disse Ricardo.
A inspiração para o projeto, explicou o economista, é a política de imigração praticada pelo Canadá e pela Austrália, países que mantêm as portas abertas para os profissionais estrangeiros:
- Na década de 30, São Paulo recebeu muitos imigrantes europeus. E eles chegaram com a capacidade de fazer coisas, como operar as máquinas a vapor.
Para o ministro-chefe da SAE, Moreira Franco, conceder vistos é também transferir tecnologia.
- Não se transfere comprando produtos lá fora. É preciso drenar os cérebros. Tecnologia está na cabeça das pessoas - observou, de olho na massa de desempregados produzida pela crise na Europa.
Executiva de uma agência de viagens, Maria Sanches está entre os 87 mil espanhóis registrados como residentes no Brasil. Ela chegou em São Paulo em 2008 e vai renovar pela quarta vez o visto de trabalho:
- A impressão que tenho é que a Espanha está se desintegrando.
Em vez de enfrentar a burocracia dos vistos, a empresa de engenharia Technip optou por montar uma filial em Lisboa. Aberta no ano passado, ela já trabalha com 45 profissionais portugueses empregados no desenvolvimento de projetos ligados às áreas de óleo e gás no Brasil, sem perder o conteúdo nacional.
Diretor de RH da Technip, Nelson Prochet disse que a empresa enfrenta dificuldade para contratar engenheiros brasileiros porque o mercado está aquecido e falta gente.
O governo passado também tentou criar uma política nacional de imigração. O secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão, disse que o Ministério da Justiça chegou a encaminhar o projeto à Casa Civil, mas o presidente Lula não o assinou."

segunda-feira, 27 de junho de 2011

"Mais estrangeiros ganham visto de trabalho no Brasil" (Fonte: Valor Econômico)

"A entrada de estrangeiros para trabalhar no Brasil bate recordes. Segundo dados do Conselho Nacional de Imigração, vinculado ao Ministério do Trabalho, o número de imigrantes que receberam visto de trabalho no país aumentou 13% no primeiro trimestre - foram 13 mil pessoas. Os Estados Unidos continuaram sendo a principal fonte de imigrantes, com 1,8 mil trabalhadores; mas o principal salto ocorreu entre os chineses. Foram 404 chineses autorizados a trabalhar no primeiro trimestre de 2010 (2,1 mil ao longo do ano), número que passou a 505 entre janeiro e março deste ano. Esse aumento, segundo o Conselho, continuou evidente no segundo trimestre, como reflexo da chegada de mais empresas chinesas ao país

Conjuntura: No 1º trimestre, país recebe mais chineses e cai peso dos mais qualificados no total de autorizações

Ao receber, na semana passada, o visto para trabalhar no Brasil, o ex-ativista italiano Cesare Battisti foi apenas a ponta mais famosa de um movimento que em 2011 caminha para um recorde - a concessão de vistos de trabalho para estrangeiros. Segundo dados obtidos pelo Valor, o número de estrangeiros que receberam visto de trabalho no Brasil aumentou 13% nos primeiros três meses de 2011, em relação a igual período do ano passado.
No primeiro trimestre do ano, 13 mil estrangeiros receberam, do Conselho Nacional de Imigração (Cnig), vinculado ao Ministério do Trabalho, visto para trabalhar no país, ante 11,5 mil no primeiro trimestre do ano passado e 9,8 mil em igual período de 2009.
Os dados do Ministério do Trabalho apontam uma menor proporção de vistos concedidos para estrangeiros com maior escolaridade. O número de trabalhadores de outros países com doutorado, mestrado e ensino superior completo que conseguiu visto no primeiro trimestre aumentou 7,8% - foram 7,2 mil nos primeiros três meses de 2011 e 6,7 mil em igual período de 2010.A comparação dos dados do primeiro trimestre de 2011 e 2010 mostra que o Ministério do Trabalho passou a classificar um grande número de trabalhadores como "outros" quanto ao quesito escolaridade - de apenas um no primeiro trimestre de 2010 esse grupo passou para 1.144 vistos este ano. Esse grupo, de acordo com a assessoria do ministério, é quase todo formado por profissionais de baixa qualificação.
A maior parte dos vistos concedidos no primeiro trimestre refere-se a trabalhos temporários - só 6,7% do total de estrangeiros que tiveram a situação legalizada no mercado de trabalho no trimestre obtiveram visto permanente.
Nos três primeiros meses do ano, 4,2 mil trabalhadores estrangeiros receberam visto de trabalho por até 90 dias, quase o dobro em relação a igual período do ano passado. Nessa categoria estão os técnicos e especialistas em funções específicas (de engenheiros a conselheiros de CEOs de multinacionais) que vêm ao Brasil para iniciar ou finalizar uma operação e ficam menos de três meses no país.
Outros 2,9 mil estrangeiros obtiveram visto para trabalhar por um ano no país, para, principalmente, exercer trabalho a bordo de embarcação ou plataforma estrangeira. O visto concedido a Battisti na semana passada inscreve-se na categoria "estrangeiro na condição de artista ou desportista, sem vínculo empregatício", uma vez que Battisti não tinha, até a semana passada, um contrato de trabalho com empresa brasileira.
Os Estados Unidos continuaram sendo os principais emissores de imigrantes, respondendo por 1,8 mil trabalhadores, mas o principal salto ocorreu entre os chineses. Foram 404 chineses autorizados a trabalhar no primeiro trimestre do ano passado (2,1 mil ao longo do ano), número que passou a 505 entre janeiro e março deste ano. Esse aumento, indica o Cnig, prossegue no segundo trimestre, como reflexo da chegada de empresas chinesas ao país.
Entre os países ricos, como EUA, Filipinas, Reino Unido e Alemanha, de onde saíram pouco mais de 4,8 mil imigrantes que tiveram a situação legalizada no começo do ano, a principal ocupação foi a de especialista. O duplo incentivo dado pelo câmbio valorizado e pelas promoções de preços dos fabricantes nos países ricos, que estão sem demanda interna, tem ampliado a importação de máquinas e equipamentos. Com isso, a chegada de técnicos estrangeiros para implementar os aparelhos e fazer a manutenção tem aumentado.
O ritmo de concessão de visto a estrangeiros por parte do Cnig foi acelerado neste começo de ano também por dois aspectos curiosos: cerca de 200 haitianos receberam autorizações para permanência humanitária (166 se instalaram no Amazonas e 15 no Acre), e 700 vistos foram concedidos a artistas estrangeiros que se apresentaram no país no primeiro trimestre."

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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Burocracia barra a contratação de expert estrangeiro (Fonte: Folha)

"Apesar da falta de especialistas em petróleo, tecnologia e engenharia, processo de visto ainda dificulta imigração
Profissionais europeus e americanos procuram vagas no Brasil; outros países têm políticas para atrair qualificados

CAMILA FUSCO
DE SÃO PAULO

A fuga de profissionais qualificados de países da Europa ou dos Estados Unidos -como forma de driblar a má fase econômica- poderia servir para abastecer empresas brasileiras com deficit de especialistas.
Mas a burocracia na concessão de vistos ainda inibe esse movimento.
Nos nove primeiros meses de 2010, foram concedidos 39 mil vistos de trabalho, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, quase o volume total do ano anterior.
O número fica muito aquém da demanda de alguns setores. Indústria e construção precisam de pelo menos 60 mil engenheiros por ano, mas contam com apenas 32 mil formados.
Já a área de tecnologia da informação estima em 500 mil as vagas abertas e não preenchidas até 2014.
Segundo as regras do Ministério do Trabalho e Emprego, podem trabalhar aqui desde estrangeiros em viagens de negócio, especialistas, professores ou técnicos -com vistos temporários- até investidores e executivos com licença permanente.
Entraves na interpretação da lei sobre quem pode obter visto de trabalho, porém, têm barrado o aproveitamento desses profissionais.
Críticos apontam a deficiência de grupos do Ministério do Trabalho para distinguir as especializações dos estrangeiros e é grande o número de vistos indeferidos por indício de substituição de mão de obra local.
No primeiro semestre de 2010, foram indeferidos 631 pedidos -62% por documentos que não cumpriram exigências legais e 7% por indício de substituição de trabalhadores locais.
Outras questões esbarram em pré-requisitos do governo considerados rígidos demais pelas empresas. O estrangeiro precisa receber salário acima da média porque, caso contrário, não é considerado mão de obra qualificada.
"Percebe-se uma dificuldade clara das empresas daqui que gostariam de contar com profissionais estrangeiros, o que compromete a inovação", diz Carlos Calmanovici, da Anpei (associação de pesquisa e desenvolvimento das empresas inovadoras).

OUTRO LADO
Embora as empresas apontem lentidão para obter visto -o processo pode durar até um ano-, o prazo é contestado pelo ministro do Trabalho, Carlos Roberto Lupi.
De acordo com o ministro, o prazo formal para concessão é de 30 dias, mas a intenção é reduzir o prazo para 20 dias e permitir que o pedido seja feito pela internet. Apesar da medida, o ministério não pretende facilitar a entrada de estrangeiros.
"É tarefa do ministério ser protecionista em relação ao profissional brasileiro, garantir a oportunidade para o profissional daqui, por mais que isso pareça radical", diz.
Ainda segundo Lupi, não é possível conceder autorização para estrangeiros que vão ocupar funções passíveis de serem exercidas por brasileiros. Procurado pela reportagem para comentar como é feita a análise dos cargos, o grupo responsável no ministério não respondeu às solicitações de entrevista.
Para suprir o deficit de mão de obra, Lupi, que continuará no cargo na gestão Dilma Rousseff, citou o investimento em capacitação.
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Colaborou CLAUDIA ROLLI, de São Paulo"

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

"Emprego e renda mudam de endereço" (Fonte: Correio Braziliense)

"Autor(es): Cristiane Bonfant
Correio Braziliense - 10/01/2011
Países emergentes absorvem cada vez mais trabalhadores estrangeiros. No Brasil, o total da mão de obra vinda de fora dobra em quatro anos. Bons salários fazem as remessas de recursos disparar

O Brasil começa uma nova década e, com ela, um novo capítulo na história da imigração. Depois de um longo processo de estabilização econômica e da retomada do crescimento, o país embarcou de vez na mudança da rota mundial do emprego e da renda. Em vez de exportar mão de obra para as nações desenvolvidas, vistas, ao longo de anos, como verdadeiros eldorados, o Brasil registra recordes de importação de trabalhadores — fenômeno que se repete em boa parte dos países emergentes, ávidos por profissionais qualificados. Melhor: a maior parte dos que chegam tem garantido salários bem acima da média de mercado, fazendo com que, em apenas quatro anos, as remessas de renda do trabalho para os países de origem desse contingente estrangeiro mais do que triplicassem nos últimos cinco anos — de US$ 262 milhões, em 2005, para US$ 760 milhões (acumulados de janeiro a novembro de 2010).

“A nova direção do emprego e da renda é só um dos efeitos da mudança estrutural pela qual passa o mundo”, diz Marcos Troyjo, cientista político e professor visitante da Universidade de Sorbonne, na França. Ele ressalta que os países industrializados estão atolados na recessão, com índices recordes de desemprego. Nos Estados Unidos, que, até o início dos anos 2000, registravam o que os analistas chamam de pleno emprego — taxa de desocupação de 4,5% — agora convivem com quase 10% da População Economicamente Ativa (PEA) fora do mercado de trabalho. Na Espanha, em apenas três anos, de 2007 a 2010, a taxa de desemprego saltou de 8% para 20% — mais de 4 milhões de pessoas dependem de auxílio do governo. “No Brasil, diferentemente, estamos caminhando para o pleno emprego e há escassez de mão de obra qualificada em vários setores da economia”, ressalta.

A inversão é tamanha que, agora, bolivianos, colombianos, peruanos, paraguaios e argentinos vêm trocando o sonho de fazerem a vida nos EUA e na Europa pelo Brasil. Em vez de Miami, os olhos estão voltados para São Paulo e Rio de Janeiro. Em vez de Madri, Brasília e Manaus. Não à toa, o número de autorizações concedidas para profissionais estrangeiros quase dobrou de 2006 para cá. Naquele ano, foram 25.350 registros. Em 2010, as estimativas apontam para 46 mil — os números fechados até setembro chegaram a 39.057.

Nível elevado
O perfil desses trabalhadores impressiona. Quase 60% deles têm curso superior completo. Outros 38%, ensino médio ou técnico profissionalizante. A proporção dos que não concluíram o ensino médio não chega a 1%. Esses números revelam a nova estratégia do Brasil na sua política de imigração. Estimativas sugerem que, nos séculos 19 e 20, quase 5 milhões de japoneses, árabes e italianos, entre outras nacionalidades, ingressaram no país. A maioria era de pessoas de baixa escolaridade e renda que vieram substituir a mão de obra escrava nas fazendas.

Agora, diante dos desafios de explorar a camada de petróleo no pré-sal — o terceiro maior campo de óleo e gás do mundo — e de tocar grandes obras de infraestrutura e eventos como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, o Brasil está de olho nos melhores e mais capacitados cérebros do mundo. Por isso, a tendência é de que a entrada de profissionais estrangeiros aumente ao longo dos anos. “Desde 2004, há um crescimento forte no país, o que abriu muitas oportunidades de trabalho. Além disso, as novas políticas de investimentos públicos, como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), explicitaram a escassez de pessoas qualificadas no Brasil”, explica Janine Berg, especialista em emprego da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Mesmo em setores em que a qualificação não é prioridade máxima, os estrangeiros têm conquistado espaços. É o caso, por exemplo, do segmento de bares e restaurantes. A diferença não está na graduação, mas na fluência em línguas como o inglês e o espanhol. A argentina Sandra Flores, 38 anos, que o diga. Ela conseguiu reconstruir a vida no Brasil. Nos anos 1990, passou um bom período no país trabalhando como artista de circo, contratada por uma empresa com sede na Argentina. Depois de voltar para o país de origem, teve, em 2001, seu primeiro filho, Stefano. Mas se viu obrigada a retornar ao Brasil por conta da crise econômica que assolou a Argentina.

“Eu não queria que meu filho passasse por uma situação tão difícil e também não gostaria de prosseguir na vida no circo. Vi, no Brasil, a chance de me recolocar no mercado. Foi um recomeço”, lembra Sandra. Durante mais de cinco anos, porém, ela ficou na ilegalidade, e se virou bordando e fazendo traduções, o que lhe rendia R$ 500 por mês. Apenas em 2005, por conta de um acordo dentro do Mercado Comum do Sul (Mercosul), ela conseguiu se regularizar e, hoje, recebe R$ 1,5 mil como garçonete em um restaurante francês.

Mas o chefe de Sandra, o empresário Sérgio Quintiliano, quer mais. De olho em um público que só tende a aumentar diante da entrada definitiva do Brasil no clube dos protagonistas mundiais — o país e outras seis economias emergentes (China, Índia, Rússia, México, Turquia e Indonésia) terão, até 2020, um Produto Interno Bruto (PIB) maior do que as atuais potências juntas (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá) —, ele reforçará o quadro de pessoal com trabalhadores de fora. “Estamos diante de um cenário desafiador. O Brasil está atraindo cada vez mais turistas de todo o mundo e ainda teremos a Copa de 2014 e as Olimpíadas. Infelizmente, a formação básica em línguas no Brasil é deficiente e os trabalhadores estrangeiros suprem essa lacuna”, justifica.

Nada de espanto

Para o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão, a importação de mão de obra estrangeira pelos países emergentes, em especial o Brasil, que não têm uma população tão expressiva como a China e a Índia, é um fenômeno irreversível. Ele conta que o setor está, hoje, à beira de um apagão, porque, ao longo de anos, não investiu como devia na educação dos futuros trabalhadores. “Falta de tudo, pedreiros, serventes, pintores e, principalmente, engenheiros”, afirma.

 Pelos levantamentos da Confederação Nacional de Engenharia e Arquitetura (Confea), há 712,4 mil engenheiros no Brasil. Anualmente, formam-se 32 mil profissionais, em todas as modalidades, quando o necessário seriam pelo menos 50 mil. Assim, com o ritmo de crescimento do país se mantendo próximo de 5% ao ano ao longo das próximas décadas — projeções da PricewaterhouseCoopers indicam que, em 2050, o Brasil será a quarta potência econômica do planeta —, a importação de engenheiros virará rotina. “Estamos avançando em grande velocidade. Não podemos permitir que gargalos como a falta de pessoas qualificadas nos prejudiquem”, destaca Simão. Ele negocia, com a Embaixada de Portugal, trazer engenheiros portugueses para o Brasil.

Selado esse quadro, que ninguém se espante com o aumento expressivo das transferências de renda dos trabalhadores estrangeiros para seus países — boa parcela dos recursos, para sustentar as famílias que ficaram por lá. Dados do Banco Central mostram que, enquanto as remessas para o país de brasileiros que vivem no exterior, especialmente EUA e Japão, estão com tendência de queda (foram US$ 2,9 bilhões em 2006 e cerca de US$ 2,2 bilhões em 2010), as dos estrangeiros que vivem aqui avançam a um ritmo espetacular, totalizando, entre janeiro e novembro de 2010, US$ 759 milhões, mais do que todo o montante de 2009, de US$ 680 milhões.

“Esses são movimentos típicos de mudanças de países que saíram da segunda divisão para a elite mundial, com taxas robustas de crescimento econômico ”, diz o economista Carlos Eduardo de Freitas, ex-diretor da Área Externa do BC. Mais do que isso, os números mostram que o Brasil vem conseguindo se livrar da praga do desemprego justamente quando está entrando em seu auge produtivo — a população entre 15 e 64 anos será maioria nos próximos 20 anos.

US$ 325 bi no mundo
A nova ordem mundial, que vem impondo uma mudança no eixo dos investimentos globais, também modificou, de forma determinante, o endereço dos países que mais abrem postos de trabalho no planeta. Consequência natural desse movimento, uma outra agitação começa a ser percebida: a alteração no fluxo das remessas de dinheiro enviadas por trabalhadores a seus países de origem. Antes da crise internacional, que explodiu em 2008, ainda era clara a predominância das transferências a partir das nações ricas, como Estados Unidos e Japão, tradicionais acolhedores de mão de obra. Mas o reposicionamento dos emergentes, agora polos empregadores, está transformando essa realidade.

Com o desemprego atingindo taxas recordes em países que receberam milhares de imigrantes nos últimos 10 anos, os recursos remetidos desses lugares encolheram a partir da recessão mundial de 2008 e 2009 — os dois piores anos da década passada. Além dos estrangeiros empregados nos EUA, os que optaram pela Europa como lar também passaram a mandar menos dinheiro para casa. Desde então, tanto os norte-americanos quanto os europeus amargam taxas de desemprego próximas a 10%. Na direção oposta, imigrantes que escolheram nações como China, Índia e Brasil vêm elevando as remessas aos familiares.

Dados do Banco Mundial mostram que os novos paraísos do emprego e da renda ajudaram na recuperação do fluxo mundial de remessas oriundas do trabalho em cerca de 6% em 2010, para algo perto dos US$ 325 bilhões. Não é pouco. No ano passado, os recursos das famílias que cruzaram fronteiras foram três vezes maiores que a ajuda dos países ricos às nações pobres duas décadas atrás. A despeito dos volumes ainda pequenos das transferências, quando comparadas às remessas das nações do Velho Continente ou dos Estados Unidos, a economia brasileira vem ganhando cada vez mais relevância.

Iuans e reais
Em média, bolivianos, paraguaios, argentinos e equatorianos, entre outros estrangeiros radicados no Brasil, já mandam US$ 1 bilhão por ano aos seus países de origem. A recessão mundial não afetou esse movimento. Em 2010, foram remetidos US$ 760 milhões até novembro. Vultosos, os valores despachados dos países do Primeiro Mundo continuaram elevados no ano passado: estima-se que R$ 48 bilhões deixaram os EUA, US$ 20 bilhões foram enviados da Suíça e US$ 15 bilhões saíram da Alemanha. Mas a desvalorização do dólar e do euro, ao lado do forte desemprego, faz com que esses valores percam força diante das somas produzidas em reais, iuans ou rúpias.

Com a economia em franca expansão, o emprego beirando à plenitude e a moeda valorizando-se fortemente, o Brasil passou a ser visto pelo Banco Mundial como uma origem importante de remessas ao exterior. A exemplo de seus congêneres, o país está passando de financiado a financiador. Estatísticas do Banco Mundial mostram que o dinheiro despachado do Brasil mais do que dobrou no intervalo de cinco anos. A maior parte foi enviada por latino-americanos aos familiares na vizinhança, com destaque para as transferências dos 200 mil bolivianos radicados na capital paulista.

Mas, por outro lado, o país e toda a América Latina sentiram o peso da crise nas economias ricas. O envio de recursos dos brasileiros ou dos latinos que vivem em outras nações vem caindo substancialmente, especialmente quando a origem das remessas são os EUA. Só em 2009, elas encolheram 12% e praticamente não houve retomada em 2010 — a recuperação foi de apenas 2%. Com o desemprego espanhol nas alturas — estima-se que 40% dos estrangeiros estejam sem trabalho naquele país—, a renda das famílias e as contas externas de economias como as de Equador, da Colômbia e da Bolívia foram duramente atingidas.

As remessas de brasileiros empregados lá fora praticamente estão estagnadas. Elas devem fechar 2010 próximo a 2009, quando foram injetados US$ 2,2 bilhões na economia verde-amarela. Em comparação a 2008, o valor ficará menor em quase US$ 900 milhões, diz o Banco Mundial. O Brasil tende a fechar a década como 24º do ranking dos países que mais recebem dinheiro do exterior. A Índia ostentará a primeira posição. Vai botar as mãos em US$ 55 bilhões do fluxo global de remessas de estrangeiros e as famílias chinesas virão na sequência, com US$ 51 bilhões.

Brasileiros fazem o caminho de volta
O apetite dos trabalhadores estrangeiros pelo Brasil está respaldado em pesquisa da empresa de recrutamento e administração de recursos humanos Manpower. Ao indagar 64 mil empresas de 39 países, a consultoria registrou que a economia brasileira desponta como a 4ª mais promissora em termos de expectativa de emprego para 2011. Não sem motivo, conforme o presidente do Conselho Nacional de Imigração do Ministério do Trabalho, Paulo Sérgio de Almeida.

“O ritmo acelerado de investimentos públicos e privados, especialmente em áreas como petróleo, gás e energia, atrai empresas e, com elas, trabalhadores para as várias funções, inclusive executivas, como gerentes, supervisores e diretores”, diz Almeida. Mas não é só. “Nosso parque industrial está em constante modernização. Vamos precisar de profissionais para supervisionar a implantação de plataformas produtivas, a maioria usando equipamentos e tecnologias estrangeiras”, acrescenta.

Diante das perspectivas positivas para o Brasil, não são apenas os estrangeiros que migram para o país. Brasileiros que, há anos, estavam fora, muitos em postos estratégicos no mercado financeiro dos Estados Unidos, fizeram o caminho de volta. Desanimados com a fragilidade de Wall Street, que quase sucumbiu depois do estouro da bolha imobiliária norte-americana em 2008, eles vêm  embarcando na onda de oportunidades de negócios no país. Vários deles, executivos de ponta, têm constituído empresas financeiras, denominadas butiques, para assessorar o capital externo que está aportando na economia local. “O Brasil vive um momento ímpar, de prosperidade. Ninguém quer perder esse bonde”, afirma o economista-chefe do Banco Schahin, Sílvio Campos Neto.

A mesma avaliação é feita por José Márcio Carmargo, especialista em emprego e economista-chefe da Opus Investimentos. “Os movimentos de migração para o país refletem a realidade econômica mundial do pós-crise”, ressalta. Para ele, dificilmente esse quadro mudará tão cedo, pois as perspectivas de crescimento para os países industrializados são ruins e o desemprego elevado continuará atormentando essas nações por um bom tempo. “A tendência das economias ricas não é de atrair mão de obra, mas de expulsar trabalhadores, especialmente os estrangeiros”, complementa.

Troca de experiência
Quem está arrumando as malas em direção ao Brasil é o panamenho Edgar Escobar, 44 anos. Engenheiro eletricista, especialista em administração de negócios e professor universitário, ele está casado há um ano e meio com a brasileira Monaliza Maia, 43. Os dois decidiram vir para o país por conta de uma proposta de trabalho que ela recebeu. “Eu já havia morado aqui nos anos de 1990, quando a situação econômica era muito ruim. Agora, percebemos que o Brasil está se destacando, com boas perspectivas para o mercado de trabalho. Vamos fazer essa aposta”, diz Escobar.

Ele sabe do que fala. Pelos cálculos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego no Brasil está em 5,7%, a menor da história. Há regiões em que o índice gira entre 3% e 4%, considerado pleno emprego pela literatura econômica. “O quadro no mercado de trabalho é tão favorável que as empresas estão com dificuldade para encontrar pessoas qualificadas. Portanto, o país precisa de uma política agressiva de imigração para melhorar até mesmo a produtividade do país”, diz Camargo, da Opus Investimentos.

No entender de Janine Berg, especialista em emprego da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a flexibilização dos processos para a entrada de trabalhadores estrangeiros no Brasil é mais do que urgente. “Trata-se de mão de obra fundamental para superar os gargalos que podem comprometer o crescimento sustentado do país. Além disso, durante o tempo em que estão aqui, os estrangeiros capacitam os brasileiros que trabalham com eles”, explica. (CB e VC)

Oriente à vista
Embora se diga que o Brasil virou a Meca dos imigrantes, o país continua exportando trabalhadores. Depois de enfrentar, no fim de 2008 e durante todo o ano de 2009, a crise financeira internacional, os dekasseguis, brasileiros descendentes de japoneses que haviam retornado para o país, estão voltando ao Japão, que enfrenta um lento, mas doloroso processo de encolhimento populacional.

Desalento  nos EUA

» Até há pouco tempo desacostumados a taxas de desemprego elevadíssimas, próximas aos 10%, os norte-americanos passaram a se deparar com uma nova realidade: o desalento, fenômeno que explica o desânimo dos desocupados na busca por um lugar ao sol. Por essa razão, os Estados Unidos sequer puderam comemorar a ligeira redução — de 9,8% para 9,4% — do total da população sem emprego no fim de 2010. O movimento teve um dado desconcertante: a força de trabalho do país diminuiu em 260 mil pessoas em 2010. Em outras palavras, os cidadãos já não acreditam que haverá vagas para todos nos EUA."