quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Campanha responde a comunicado da #Oi (Fonte: @campanhabandalarga)

´´Em reação à mobilização ocorrida ontem (30/01), a Oi criou um hotsite para afirmar que é a favor da medição da qualidade na banda larga. A Campanha Banda Larga é um direito seu! apresenta aqui uma resposta detalhada ao comunicado da empresa.
Em itálico, o texto da Oi. Em vermelho, as respostas da Campanha Banda Larga é um direito seu!

A Oi é favorável à medição de qualidade na banda larga
Companhia defende o estabelecimento de padrões classificatórios e rankings de desempenho das empresas para divulgação transparente, que permita melhor escolha dos usuários como é feito em outros países.

O título é falacioso. A Oi é favorável à medição, mas tenta derrubar as metas e punições. Isto é, a empresa defende a medição para efeito informativo.

A operadora é contra metas obrigatórias para indicadores de rede e questiona os dois regulamentos por ‘vícios de motivação’. A Oi defende apenas a medição para fins de divulgação dos resultados, sem que índices ruins signifiquem qualquer punição à empresa. Segundo ela, isso permitiria aos consumidores escolherem a melhor prestadora e a empresa já sentiria o efeito dos maus resultados. Porém, em mais de 90% dos municípios brasileiros, não há concorrência nem no serviço fixo nem no móvel. Isto é, o consumidor não tem qualquer opção.

Em seu pedido, a operadora se coloca praticamente contrária à existência, em si, de metas obrigatórias, alegando que o serviço é prestado em regime privado. A afirmação desconsidera a competência da Anatel em exigir qualidade de um serviço público de interesse coletivo, conforme a Constituição Federal, e ignora o artigo 127 da Lei Geral de Telecomunicações, que aponta a qualidade como um dos fatores que podem ser exigidos no regime privado. Sem dúvida seria positivo que a banda larga fosse posta em regime público, para que se pudesse exigir a universalização do serviço e o controle de tarifas, mas as metas de qualidade são perfeitamente compatíveis com o regime privado.

A Oi propôs e formalizou na Anatel a adoção de um sistema de medição de qualidade da rede de banda larga, bem como a divulgação dessa medição, por entidade independente, como medida de transparência para melhorar a percepção dos consumidores. A proposta feita à Anatel seguiu os padrões técnicos adotados na Europa e nos Estados Unidos e contou com amplo respaldo de estudos de consultorias especializadas. Além disso, a companhia participou em 2010 do primeiro teste, realizado pelo Inmetro em parceria com a Anatel, que apontou a rede da Oi como um dos melhores indicadores de qualidade.

A percepção dos usuários é diferente daquela apresentada pela empresa. No serviço móvel, por exemplo, os líderes de reclamação (na proporção por acessos em serviço) são a Brasil Telecom e a Oi Celular, como apontam dados da Anatel de outubro de 2011. Também o relatório de reclamações fundamentadas dos Procons de 2010 mostra a Oi como a empresa com mais reclamações relativas ao serviço de internet, com elevada proporção de reclamações não atendidas (44,46%). Além disso, a adoção de parâmetros de medição não se limita a dar ao usuário um instrumento de percepção, mas de controle para poder exigir que o serviço contratado seja efetivamente ofertado pela operadora. O que o regulamento quer é dar instrumentos concretos que permitam ao usuário exercer seu direito de consumidor, e é exatamente isso que a Oi busca derrubar.

Em relação ao teste pioneiro realizado pelo CGI, Inmetro e Anatel, a iniciativa contou com a participação voluntária das empresas e, por acordo com elas, teve como cidades pesquisadas apenas São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. A aplicação das mesmas regras da pesquisa ao serviço prestado em todo o país sem dúvida revelará um cenário diferente.

Consideramos ainda inadequada a comparação feita pela Oi, em seu pedido, com o caso do Reino Unido, uma vez que naquele país há oito empresas competindo em todo o território, pelo menos cinco delas de grande porte. No Brasil, em 90% dos municípios não há competição nem na banda larga fixa nem na móvel. Se a prestadora não oferece um serviço de qualidade, o consumidor não tem opção.

O questionamento da companhia enviado à Anatel diz respeito ao estabelecimento de metas que não dependem exclusivamente das operadoras de telecom, já que o desempenho está atrelado a diversos outros fatores, que podem afetar o funcionamento do serviço final, como: a característica do site que está sendo acessado, conexões internacionais, redes de outras empresas, o servidor e o próprio computador utilizados pelo consumidor, entre outros. Há estudos técnicos de respeitáveis entidades que respaldam esse conceito. O procedimento regulatório até aqui praticado é o de obter medições estatisticamente consistentes, previamente à discussão de metas.

A medição da Anatel que servirá à verificação do cumprimento dos regulamentos de qualidade será feita por aparelhos dedicados instalados em pontos de medição definidos previamente. Os problemas citados pela prestadora não comprometem o resultado da medição feita nestes moldes. Aliás, a Anatel alterou os regulamentos para contemplar esta preocupação da empresa, já que o texto original previa que a medição fosse feita através de um software instalado no computador do usuário e que estaria sujeito a interferências. Além disso, a necessidade de oferecer um serviço com determinados parâmetros de qualidade ao usuário final levará a empresa a não subestimar a contratação de capacidade de banda das redes de outras empresas e conexões internacionais, pressionando a qualidade nesses outros segmentos, o que é uma consequência positiva do regulamento da Anatel.

Não é prática internacional o estabelecimento de metas de uma rede que utiliza premissas estatísticas para o dimensionamento das ofertas de banda larga, uma vez que o próprio uso estatístico é dinâmico e evolutivo, pois depende da carga dos conteúdos de texto, áudio ou vídeo.

Há uma ampla discussão internacional quanto à qualidade da banda larga e à necessidade de se aproximar as velocidades anunciadas/contratadas das efetivamente entregues. Os países estão avaliando suas práticas e estabelecendo modelos regulatórios que respondam à sua realidade. No Brasil, além de termos um mercado concentrado, temos as empresas de telecomunicações no topo dos rankings de reclamações, especialmente a Oi. Não podemos aceitar que vingue o entendimento de que o órgão regulador das telecomunicações no Brasil não tem competência para estabelecer regras relativas à qualidade do serviço. A Anatel, há anos, aprova metas de qualidade para os serviços de telecomunicações. Já há planos de metas de qualidade para a telefonia fixa, telefonia móvel e TV por assinatura, aplicáveis tanto às autorizadas em regime privado quanto às concessionárias em regime público (no caso da telefonia fixa). Os regulamentos para banda larga já vêm tarde.

Além disso, a Oi apresenta o questionamento de que a Anatel teria considerado sua rede como determinística, mesmo sendo uma rede estatística. A afirmação se mostra inverídica ao analisar os indicadores de rede determinados. A velocidade mínima medida deve ficar entre 20%-40% (metas escalonadas a cada ano) da máxima em 95% dos casos, a média deve ficar entre 60% e 80% (no mesmo escalonamento de implantação). Se a rede fosse tratada como determinística, não haveria motivo de ter velocidades mínimas ou médias menores que a velocidade vendida como máxima.

Por fim, no caso do serviço móvel de banda larga, os países, de forma generalizada, não adotam metas de banda garantida, por conta da inviabilidade técnica dessa garantia, decorrente da mobilidade característica do serviço. Durante o processo de Consulta Pública que precedeu o Regulamento, não foi dado ao conhecimento público eventual estudo técnico que justificasse tal medida, com a devida avaliação de impactos.

A medição do serviço móvel deve ser feita dentro da área atendida pela empresa, portanto já considerada a mobilidade característica do serviço.

O pedido de revisão do Regulamento feito pela companhia é direito previsto no Regimento da Agência, que o legitima, já tendo sido exercido no setor em outras oportunidades. A solicitação de “Anulação” é um termo regimental da Anatel, utilizado em qualquer tipo de alteração solicitada, e o objetivo da Oi é aprimorar o regulamento conforme padrões internacionais.

“Anulação” não é aqui apenas um termo regimental. No pedido relativo à banda larga fixa, a empresa pede a anulação de sete artigos e a revisão de outros quatro. No pedido relativo à banda larga móvel, há o pedido de anulação de quatro artigos e a revisão de outros dez. Mesmo o termo ‘revisão’ aqui é um eufemismo, já que as mudanças propostas, se aceitas, esvaziariam de sentido os artigos modificados.

A Oi reitera o seu compromisso com a qualidade e com o consumidor e acredita que o regulamento de qualidade da Anatel possa ser aprimorado seguindo os padrões internacionais.

A Campanha Banda Larga é um Direito seu! considera que o pedido da Oi reitera justamente a indisposição da empresa em assumir metas de qualidade e acredita que os regulamentos de qualidade da Anatel devem ser mantidos de acordo com o aprovado em outubro último.´´

Regulamentação de profissões passa pelo #Congresso, mas esbarra em vetos do Executivo (Fonte: Agência Senado)

´´A regulamentação de profissões tem sido, nos últimos anos, um dos principais alvos dos vetos do Executivo a projetos aprovados pelo Congresso Nacional. Mesmo quando as propostas são sancionadas, muitas das regras e exigências previstas no texto original são rejeitadas, o que frequentemente contraria o intuito de seus autores.
No último dia 18, a presidente Dilma Rousseff sancionou a regulamentação da atividade de turismólogo (Lei 12.591/2012), mas vetou quase todos os dispositivos do projeto de origem (PLS 290/2001), do ex-senador Moreira Mendes, inclusive a exigência de curso superior em Turismo ou Hotelaria para o exercício da profissão.
A explicação do Executivo para o veto é de que a Constituição, em seu artigo 5º, inciso XIII, assegura o livre exercício de qualquer trabalho, oficio ou profissão, cabendo a imposição de restrições apenas quando houver a possibilidade de ocorrer algum dano à sociedade.
Em 2005, outra proposta que tratava da atividade de turismólogo (PLC 24/2003) havia sido vetada totalmente pelo Executivo, sob o argumento de que a regulamentação exigiria em conjunto a imposição de sanções, tendo em vista que o legislador parte do princípio de que ela seria necessária em face de potencialidade lesiva à sociedade, advinda do indevido exercício da profissão. 
Cabeleireiros 
O livre exercício profissional foi a mesma justificativa para o veto, também no último dia 18, a várias exigências constantes da Lei 12.592/2012, que regulamenta atividades como as de cabeleireiro e esteticista. O projeto original (PLC 112/2007, do ex-deputado Marcelo Teixeira) exigia formação específica e nível fundamental completo para atuação nessas áreas.
Ao defender o projeto durante votação na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), a senadora Ana Amélia (PP-RS) explicou que o objetivo não era restringir o acesso das pessoas às profissões ligadas à estética, mas garantir mais segurança ao consumidor.
- Sempre que o interesse público assim exigir, é necessária a interferência do Estado em determinadas atividades profissionais. Não para a formação de reserva de mercado, mas sim para imposição de deveres, em favor dos consumidores dos serviços, que podem acarretar risco à segurança, à integridade física, à saúde e ao bem-estar das pessoas, quando executados sem as cautelas necessárias - disse a senadora, que foi relatora da proposta, aprovada na CAS em dezembro passado. 
Catador e reciclador de papel 
Dar mais proteção aos trabalhadores é outro argumento apresentado pelos defensores da regulamentação das profissões. Autor de projeto que regulamentava as atividades de catador e reciclador de lixo (PLS 618/2007), o senador Paulo Paim (PT-RS) destacou que a eventual aprovação da proposta seria uma garantia de cidadania para essas pessoas.
- Eles vão ter a sua carteirinha, vão ter direito até de ser empreendedores individuais, se assim entenderem. Pagarão 5% para a Previdência e, consequentemente, terão direito à aposentadoria. Poderão montar cooperativas, poderão montar seu sindicato, poderão estabelecer até um piso salarial na cooperativa e, a partir dela, estabelecer negociação, inclusive, com as empresas de reciclagem - disse, em novembro passado, ao comemorar a aprovação do projeto pela Câmara dos Deputados.
No entanto, ao receber o projeto para sanção no início deste ano, o Executivo decidiu pelo veto integral, usando mais uma vez o argumento de que a Constituição assegura o "livre exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão". A presidente Dilma também explicou que as exigências previstas ­- como registro no Ministério do Trabalho - "poderiam representar obstáculos imediatos à inclusão social e econômica dos profissionais, sem que lhes seja conferido qualquer direito ou benefício adicional".
 Vinhos e outros 
A defesa do livre exercício profissional repetiu a explicação do veto parcial da regulamentação da profissão de sommelier pela Lei 12.467/2011. Em agosto do ano passado, a presidente Dilma Rousseff sancionou o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 17/2011, do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), mas vetou o artigo que exigia certificado de curso na área para o exercício da atividade.
A regulamentação de profissões deve continuar na pauta das relações entre Executivo e Legislativo. No ano passado, o Senado aprovou projetos regulamentando as atividades de comerciário (PLS 115/2007), motorista (PLC 319/2009) e disc-jockey (PLS 322/2010). As propostas, no entanto, ainda passarão pelo exame da Câmara.
Também foi aprovado pelo Senado em 2011 a regulamentação da profissão de taxista (PLC 27/2011). Neste caso, o projeto foi sancionado pela presidente Dilma Rousseff com a manutenção das exigências de formação, como participação em cursos de relações humanas, direção defensiva, primeiros socorros, mecânica e elétrica básica de veículos.´´

"Pagamento a servidores cai frente ao PIB" (Fonte: Valor Econômico)

"As variáveis de ajuste do Orçamento deste ano

Autor(es): Ribamar Oliveira

Valor Econômico - 02/02/2012

A despesa da União neste ano com o pagamento dos servidores públicos, ativos e inativos, será a menor dos últimos 17 anos em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) - desde o início da série histórica feita pela Secretaria do Tesouro Nacional. A previsão do governo é de que os gastos com pessoal fiquem em 4,13% do PIB, contra 4,34% em 2011. No ano passado, já houve uma certa contenção, com essa rubrica caindo 0,08 ponto percentual do PIB em relação a 2010

A despesa da União neste ano com o pagamento dos servidores públicos, ativos e inativos, será a menor, em comparação com o Produto Interno Bruto (PIB), dos últimos 17 anos, ou seja, desde o início da atual série histórica feita pela Secretaria do Tesouro Nacional. A previsão do governo é de que os gastos com pessoal fiquem em 4,13% do PIB este ano, contra um gasto de 4,34% do PIB registrado em 2011. No ano passado, já houve uma certa contenção, com esse gasto caindo 0,08 ponto percentual do PIB em relação a 2010 (veja tabela abaixo).

Dessa forma, essa conta será uma das principais variáveis de ajuste do Orçamento deste ano e deverá compensar, pelo menos em parte, o efeito do forte aumento do salário mínimo nas despesas com os benefícios previdenciários, assistenciais e do abono/seguro desemprego. Estima-se que o impacto do reajuste do piso salarial nas contas públicas será equivalente a 0,5% do PIB. A contenção dos gastos com pessoal permitirá uma economia de 0,2% do PIB.

Por essa razão, a equipe econômica considera que foi fundamental que o Congresso tenha concordado em não conceder aumentos para os servidores do Judiciário, do Ministério Público da União e da Câmara dos Deputados. Os projetos de lei com os reajustes para esses funcionários estavam sendo discutidos no Congresso ao mesmo tempo que a proposta orçamentária. Se aprovados, os aumentos resultariam em gasto de R$ 7,7 bilhões neste ano. Não foram aprovados.

Gasto com pessoal será o menor em 17 anos

Nem mesmo o reajuste do teto salarial do funcionalismo, que beneficiaria diretamente os ministros do Supremo Tribunal Federal e todo a magistratura, escapou da contenção. Na verdade, o governo queria dar um aumento apenas para os juízes, mas não encontrou espaço político para desvincular os magistrados dos demais servidores do Judiciário.

O Orçamento deste ano prevê uma elevação de apenas R$ 3,77 bilhões nas despesas com pessoal, relativas à criação e provimento de cargos e à reestruturações de algumas carreiras. Em termos anuais, esses gastos totalizam R$ 6,86 bilhões. Há ainda um impacto de cerca de R$ 800 milhões decorrente das reestruturações de carreiras e reajustes concedidos pelo ex-presidente Lula.

Além do aumento das despesas decorrente do salário mínimo, que de alguma forma precisa ser compensado pela redução de outras, o governo enfrenta também um problema do lado da arrecadação. No ano passado, a receita administrada pela Secretaria da Receita Federal cresceu 17,4% em relação a 2010 e atingiu o recorde de R$ 938,9 bilhões (incluindo a arrecadação previdenciária), o que corresponde 22,7% do PIB. Esse valor é bruto, ou seja, não exclui as restituições.

A própria Secretaria da Receita acredita que o crescimento da arrecadação de tributos federais neste ano será menor que em 2011, quando cresceu 10,1% em termos reais (descontada a inflação medida pelo IPCA). A informação que circula em alguns gabinetes oficiais é que o governo já decidiu que o decreto de contingenciamento, a ser baixado em meados deste mês, terá uma previsão de receita administrada menor do que a estimativa que constava da proposta orçamentária original, enviada ao Congresso em agosto.

Mas o governo também terá algumas variáveis de ajuste para a receita. Os dividendos a serem pagos pelas estatais é uma delas. As empresas de economia mista, com ações em bolsa de valores, tem critérios definidos de pagamento de dividendos que não podem ser alterados unilateralmente pelo governo. No caso das empresas pública, controladas 100% pelo Tesouro, como é o caso do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Caixa Econômica Federal (CEF), o governo pode definir o montante de dividendos a ser transferidos aos cofres públicos em determinado ano.

Tudo indica que, em 2011, o governo "guardou" uma parte dos dividendos do BNDES para este ano. Isso porque o pagamento dos dividendos feitos pelo banco público foi de apenas R$ 6,9 bilhões, contra R$ 10,1 bilhões no ano anterior e R$ 14,4 bilhões em 2009. Os dividendos do BNDES são turbinados pelos gigantescos empréstimos que o Tesouro está concedendo ao banco. Alguns especialistas acreditam que os dividendos a serem pagos pelo BNDES em 2012 podem ficar cerca de R$ 5 bilhões acima do valor do ano passado, o que já ajudaria o governo a recompor sua receita.

Há ainda a expectativa de que a recente elevação do preço do petróleo, em decorrência do embargo às exportações de óleo do Irã, possa manter o preço desse produto acima do que estava previsto no Orçamento e, dessa forma, elevar as receitas da União com royalties. Espera-se ainda uma elevação das receitas com concessões de serviços públicos. Resta saber se isso será suficiente para fechar as contas e, ao mesmo tempo, aumentar os investimentos.

Ribamar Oliveira é repórter especial e escreve às quintas-feiras"

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

"Pauta extensa aguarda senadores em 2012" (Fonte: Agência Senado)

"Mesmo sendo um ano eleitoral, 2012 promete ser bastante movimentado no Senado, com debates e votações de grande relevância. Consultados nos últimos dias pela Agência Senado, os senadores Alvaro Dias (PSDB-PR), Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e Humberto Costa (PT-PE) apontaram as matérias que, na avaliação deles, devem receber mais atenção dos parlamentares no primeiro semestre de 2012. Uma das unanimidades foi a chamada PEC do CNJ, a proposta de Emenda à Constituição nº 97/2011, que trata das competências do Conselho Nacional de Justiça e da Corregedoria Nacional de Justiça. Os três senadores demonstraram disposição no sentido de priorizar os debates e negociações em torno dessa proposta.

Para o líder do PSDB, senador Alvaro Dias, outra prioridade da oposição será o projeto de lei do Senado (PLS 204/2011) que transforma em crimes hediondos os delitos de concussão, corrupção passiva e corrupção ativa. Além disso, aumenta a pena prevista no Código Penal para esses delitos. A proposta é de autoria do senador Pedro Taques (PDT-MT) e Alvaro Dias será o relator da matéria na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).

Voto secreto

O líder tucano também aposta em outro tema importantíssimo para os oposicionistas nestes primeiros meses do ano: as propostas que extinguem ou restringem o sigilo das votações no Senado. A PEC 38/2004, por exemplo, de autoria do ex-senador Sérgio Cabral, atual governador do Rio de Janeiro, prevê o voto aberto nos casos de perda de mandato de parlamentar e análise de veto presidencial. Nos termos de substitutivo aprovado pela CCJ, também devem ser abertas as votações do Senado nas indicações de governador de território; presidente e diretores do Banco Central; e chefes de missão diplomática de caráter permanente.

A PEC 38/2004 tramitava em conjunto com a PEC 86/2007, de autoria de Alvaro Dias, que ficou prejudicada após relatório do senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), pela aprovação de substitutivo à PEC 38.

Outra proposta que prevê o fim do voto secreto e que aguarda inclusão na ordem do dia do Plenário é a PEC 50/2006, do senador Paulo Paim (PT-RS). De acordo com o texto inicial, o voto secreto seria extinto em todos os tipos de votação. Entretanto, substitutivo apresentado pelo ex-senador Tasso Jereissatti prevê o voto aberto nos mesmos casos previstos no substitutivo à PEC 38, ou seja, mantém o voto secreto na apreciação, pelo Senado, da indicação de magistrados, de ministros do Tribunal de Contas da União indicados pelo Presidente da República e do procurador-geral da República. O substitutivo à PEC 50 prevê, ainda, o voto secreto para as indicações à presidência e à direção de agências estatais vinculadas à inteligência e aos assuntos estratégicos.

No entender do senador Randolfe Rodrigues, que deve assumir o posto de líder do PSOL com a saída da colega Marinor Brito, a PEC do senador Paulo Paim deveria ser aprovada em seu teor original, extinguindo o voto secreto definitivamente. Randolfe acha que nada justifica votações no Congresso.

Medidas Provisórias

O líder do bloco de apoio ao governo, senador Humberto Costa, disse à Agência Senado não acreditar que as medidas provisórias (MP) atrapalhem o andamento das atividades dos senadores e do Plenário nos primeiros meses do ano. Até o momento, estão prontas para serem votadas na Câmara dos Deputados 15 MPs, e todas devem chegar ao Senado no primeiro semestre.

A opinião de Alvaro Dias é oposta. Ele afirma que a oposição não tem compromisso com nenhuma MP e que vai continuar combatendo "o uso abusivo" desse instituto. Para ele, a maioria das medidas provisórias editadas pelo Executivo é inconstitucional, por não apresentarem os pressupostos básicos de relevância e urgência.

Ato Médico

Randolfe também enumerou outros projetos que merecem mais atenção dos senadores em 2012, como o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 98/2011, que ficou conhecido como Estatuto da Juventude, e é relatado na CCJ por ele, e o substitutivo da Câmara ao projeto do Ato Médico, que trata do exercício da Medicina. Alvaro Dias também acredita que a apreciação dessas duas matérias pode avançar já no primeiro semestre, e contam com o apoio da oposição. Ele disse que há pressão social e política para que as duas propostas sejam aprovadas.

Para Humberto Costa, a apreciação do Estatuto da Juventude deve sim ser concluída neste primeiro semestre, mas o Ato Médico, por ser um tema mais complexo e polêmico, deve ter mais dificuldades, o que pode atrasar sua votação em alguns meses.

Reforma política

Randolfe acrescenta também as matérias referentes à reforma política iniciada em 2011, principalmente a que estabelece o financiamento público exclusivo de campanhas, apoiada pelo PSOL. Mesmo as mudanças no processo eleitoral passando a valer só a partir de 2014, o senador acredita que seria importante adiantar a votação dessas alterações, para que não atrapalhem o andamento dos trabalhos do Senado futuramente. A mesma posição é compartilhada por Alvaro Dias.

- A reforma política não andou satisfatoriamente. Os projetos pendentes podem ser apreciados ainda neste primeiro semestre, o Senado tem de concluir esse processo - disse o líder do PSDB, lembrando que todos esses projetos ainda terão de ser aprovados pela Câmara dos Deputados. 

Já Humberto Costa acha improvável que a reforma política avance satisfatoriamente em 2012, pois envolve assuntos polêmicos para serem tratados justamente em um ano eleitoral, mesmo as mudanças sendo apenas para 2014.

'Royalties' do petróleo

O senador lembrou ainda de outros temas que ocuparão bastante tempo dos senadores em 2012: a redistribuição dos royalties do petróleo (PLS 448/2011), que deve retornar ao Senado depois de apreciado pela Câmara dos Deputados; o financiamento da área da saúde e a chamada "guerra fiscal" entre estados. Humberto Costa informou que as negociações entre os estados estão adiantadas e que é bem provável que seja concretizado um acordo em torno do Projeto de Resolução do Senado (PRS) 72/2010, de autoria do senador Romero Jucá (PMDB-RR), que trata das alíquotas de ICMS nas operações interestaduais com bens e mercadorias importados.

Humberto apostou ainda que o projeto de lei que institui a previdência complementar dos servidores públicos (PL 1992/2007) "deve ser aprovado sem problema" no Senado. A proposta ainda tramita na Câmara dos Deputados, mas deve chegar em breve para apreciação dos senadores. Randolfe e Alvaro também consideram a matéria relevante, mas o líder tucano avisa que a oposição ainda não chegou a um consenso sobre o tema, até porque o texto que será aprovado pelos deputados federais ainda é uma incógnita.



Alvaro Dias também disse à Agência Senado que, para a oposição, "a questão do sistema federativo" precisa continuar sendo debatida com profundidade em 2012, não apenas no que se refere à redivisão dos royalties do petróleo. Para ele, há desequilíbrio na federação brasileira, beneficiando a União e prejudicando estados e municípios em sua autonomia.

Códigos

Os senadores lembraram ainda de outros temas que vão ser destaque no Senado em 2012: a reforma dos Códigos Penal (CP), de Processo Penal (CPP) e de Defesa do Consumidor (CDC); debates e acompanhamento dos preparativos para a Copa do Mundo de Futebol de 2014 e da Olimpíada de 2016; a construção de usinas hidrelétricas na Região Norte, a participação do Congresso na Rio+20 e a PEC 33/2009, que restabelece a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo."

Extraido de http://www.senado.gov.br/noticias/pauta-extensa-aguarda-senadores-em-2012.aspx

"Pelo menos 37 deputados pretendem disputar eleições para prefeito em 2012" (Fonte: Agência Câmara de Notícias)

"Lideranças de nove partidos confirmam que, até este momento, pelo menos 37 deputados manifestaram o interesse em concorrer às prefeituras nas eleições deste ano. Esse número ainda deve aumentar, já que alguns dos maiores partidos da Casa – PT, PMDB e PSD – ainda não divulgaram o levantamento dos deputados pré-candidatos às prefeituras.

Os partidos que já informaram sobre os deputados candidatos foram DEM, PPS, PSDB, Psol, PCdoB, PSC, PSB, PRB e PDT.

Os deputados são pré-candidatos, ou seja, disputam dentro dos partidos ou coligações o direito de concorrer a prefeito em 7 de outubro de 2012. É o caso, por exemplo, do deputado Ricardo Tripoli (PSDB-SP), que disputa uma vaga de candidato a prefeito com os secretários estaduais Andrea Matarazzo, Bruno Covas e José Aníbal.

Outro caso ocorre em Salvador, com uma disputa à prefeitura que provavelmente oporá vários colegas de Câmara. Os deputados Nelson Pellegrino (PT), Antonio Imbassahy (PSDB), Alice Portugal (PCdoB), Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM), Marcos Medrado (PDT) e Márcio Marinho (PRB) são pré-candidatos à prefeitura da capital baiana.

Carreira política
O cientista político e pesquisador da Universidade de Brasília (UnB) Lúcio Rennó explica que, no Brasil, entre 15% e 20% dos parlamentares federais concorrem a prefeito.

Ele explica que isso ocorre por dois fatores. Primeiro, o parlamentar que disputa a prefeitura não corre o risco de perder o mandato de congressista, o que facilita a decisão de concorrer. Além disso, segundo Rennó, a preponderância do Executivo na elaboração das políticas públicas permite que o político no exercício da prefeitura de uma cidade com grande orçamento imprima a sua marca, o que não conseguiria fazer como deputado federal.

As pré-candidaturas esquentam os termômetros das eleições municipais, mas não definem o cenário da disputa, que só estará completamente decidido em 5 de julho, último dia para os partidos registrarem nos cartórios eleitorais os seus candidatos a prefeito, vice-prefeito e vereador. Até lá, cada partido vai definir seus candidatos, fazer alianças em torno de coligações e alguns deputados, hoje pré-candidatos, poderão desistir da disputa.

Restrições
Apesar de nem todos os deputados concorrerem nas eleições de 2012, a Câmara impõe restrições a todos no uso da Cota para Exercício da Atividade Parlamentar. A partir de 10 de abril deste ano, 180 dias antes do pleito, fica proibido o uso dessa verba para qualquer ação de divulgação da atividade parlamentar. A intenção é evitar o uso da máquina administrativa para fins eleitorais.

Lúcio Rennó avalia, no entanto, que essa medida não é suficiente. Para ele, o ideal seria uma reforma eleitoral que obrigasse o deputado a renunciar ao cargo para concorrer às eleições. "Antes de abril, as vantagens dos candidatos deputados são claras e relevantes. Para eles, o pontapé inicial da campanha ocorre antes e com mais ímpeto do que para os demais competidores", critica.

Reportagem – Carol Siqueira
Edição - Juliano Pires"

Extraido de http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/POLITICA/208159-PELO-MENOS-37-DEPUTADOS-PRETENDEM-DISPUTAR-ELEICOES-PARA-PREFEITO-EM-2012.html?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter

Instalação da Assembleia Nacional Constituinte completa 25 anos (Fonte: Agência Câmara de Notícias)

´´O início dos trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte em 1º de fevereiro de 1987 foi marcado pelo contraste entre a agitação popular de 15 mil pessoas que se concentravam no gramado em frente ao Congresso e a tranquila sessão solene realizada no plenário da Câmara, presidida pelo Ministro José Carlos Moreira Alves, presidente do Supremo Tribunal Federal.
Tão agitados quanto os populares que ocupavam o gramado estavam os bastidores do Congresso, com intensa mobilização das lideranças que se antagonizavam em torno da proposta – já debatida meses antes – de tornar a Assembleia exclusiva até a promulgação da nova Carta, sem o funcionamento ordinário do Senado e da Câmara.
Uma moção aprovada em 30 de janeiro pela bancada majoritária do PMDB (259 dos 487 deputados constituintes) preconizava a suspensão dos trabalhos das duas Casas enquanto perdurassem as atividades da Constituinte. Tal decisão abalaria os poderes do então Presidente da República, José Sarney, que ficaria limitado à coordenação das ações administrativas do seu governo. Evitar que essa proposta virasse lei no país exigiu intensa mobilização, que envolveu emissários do Planalto, governadores, ministros e lideranças parlamentares.
Após muita negociação e todo tipo de pressões políticas sobre os deputados e senadores, a moção caiu por terra no dia 3 de fevereiro, ficando definido que a Constituinte seria mesmo congressual, isto é, os parlamentares acumulariam as funções de congressistas e de constituintes. Na realidade, esta era a fórmula originalmente concebida e constante do texto de convocação da Assembleia, enviado ao Congresso pelo Presidente da República em maio de 1985. O texto, entretanto, foi indiretamente alterado, durante discussão no Congresso, por uma emenda parlamentar que dele retirava a expressão “sem prejuízo das suas atividades constitucionais”.
A supressão textual deixou a questão da exclusividade da Constituinte em aberto, a critério dos deputados e senadores eleitos em novembro de 1986 com poderes constituintes e também dos 23 senadores eleitos em 1982 sem os mesmos poderes mas igualmente integrantes da Assembleia, com idênticas atribuições dos demais parlamentares, no pleno exercício do mandato que só se extinguiria em 1990.
Histórico das Constituições
Em seu pronunciamento durante a instalação da Assembleia, Moreira Alves fez um histórico do constitucionalismo no Brasil, Europa e Estados Unidos, observando que as várias constituições elaboradas, desde 1791 até o fim da primeira guerra mundial, tiveram conteúdo eminentemente político, sendo, em verdade, “instrumentos do liberalismo, cujo espírito está caracterizado no célebre artigo 16 da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, que enuncia: A sociedade em que não se assegura a garantia dos direitos nem se determina a separação dos Poderes não tem Constituição.”
O ministro destacou que a nova constituição precisaria “encontrar o ponto de equilíbrio que melhor atendesse, nas complexas relações entre o Estado, a sociedade e o indivíduo, às diferentes realidades nacionais”. Para alcançar a justiça social – prosseguiu o ministro –, seria indispensável a intervenção do Estado que, no Ocidente, atua como “elemento de conciliação entre o capital e o trabalho e procura diminuir as desigualdades socioeconômicas. “Também aqui o necessário é alcançar a melhor forma de equilíbrio nessas relações” – salientou.
Reconhecendo a tendência ao gradual fortalecimento do poder central do Estado em nível federal, Moreira Alves destacou que a disparidade do desenvolvimento dos estados-membros no Brasil de 1987 não contribuía para o crescimento homogêneo e global do país: “indispensável se faz, pois, a busca do ponto de equilíbrio, necessário à nossa realidade, entre a União, os estados e os municípios. (...) Os olhos conscientes da nação estão cravados em vós. A missão que vos aguarda é tanto mais difícil quanto é certo que, nela, as virtudes pouco exaltam, porque esperadas, mas os erros, se fatais, estigmatizam. Que Deus vos inspire”.
Comparando as constituições brasileiras, o ministro assinalou que a Carta de 1946  “enfraqueceu substancialmente o Poder Executivo, fortalecendo o Legislativo sem lhe dar, porém, os meios de agilização normativa, reduzindo o quadro legal do país às leis constitucionais e ordinárias. Permitiu, sem as necessárias cautelas, um pluralismo partidário que, com a adoção do voto proporcional, fragmentou os partidos e admitiu, enfim, fonte de atrito incompatível com o presidencialismo: a possibilidade de Presidente e Vice-presidente serem eleitos por partidos diversos”. Moreira Alves atribuiu a essas características da Carta de 46 as crises políticas ocorridas sob sua vigência: o suicídio de Vargas, o impedimento de Café Filho, o efêmero regime parlamentarista e as tensões que deram margem à revolução de 1964.
Seguindo o comparativo, Moreira Alves criticou o excessivo fortalecimento da União e do Poder Executivo na Carta de de 1967 e na emenda constitucional nº 1, de 1969.
Repercussão
Apesar dos reparos à Constituição de 67 e à emenda de 69, e pela ausência de referências mais explícitas ao engajamento popular no processo que resultou no fim do regime militar e desaguou na Constituinte, o discurso de Moreira Alves gerou certo descontentamento, como relata nota publicada na coluna Informe JB do Jornal do Brasil de 2/2/1987: “o discurso não agradou à maioria dos políticos presentes à solenidade”.
O texto do Informe JB citou as críticas feitas ao discurso pelo ex-senador – então vice-governador de São Paulo – Almino Afonso, que considerou excessiva a alusão à Constituição de 67, “outorgada pela ditadura”, e lamentou a omissão do nome de Tancredo Neves, considerado “obrigatório” em pronunciamentos políticos associados à construção da chamada Nova República. Do deputado Bocaiuva Cunha, do PDT do Rio de Janeiro, a nota reproduziu a frase-protesto: “foi discurso da direita”.
Também sintomático do ambiente de animosidade em relação ao período autoritário recentemente encerrado foi a reação do ex-presidente da UNE, Aldo Arantes, à referência de Moreira Alves à ”revolução de março de 1964”. Aos gritos, Aldo protestou: “Aquilo não foi revolução coisa nenhuma. Foi golpe militar”. Antes, o ministro havia declarado solenemente: “Ao instalar-se esta Assembleia Nacional Constituinte, chega-se ao termo final do período de transição com que, sem ruptura constitucional e por via de conciliação, se encerra ciclo revolucionário”.
Na realidade, o desconforto com a fala do presidente do Supremo não alcançou maior dimensão, entre outros motivos, porque durante a sessão solene não houve nenhum outro pronunciamento. Respaldado pelo regimento e pela posição assumida pelo PMDB e PFL (detentores de dois terços das cadeiras na Constituinte), contrários a manifestações na solenidade, Moreira Alves não deu a palavra a nenhum parlamentar, sequer aos líderes de oito pequenos partidos que antes haviam se inscrito para tratar, inclusive, da proposta de se criar uma assembleia constituinte exclusiva.
O cenário
No plenário da Câmara, entre os principais protagonistas da segunda metade do regime militar, estavam vários nomes eleitos para os seus primeiros mandatos, como o ex-poderoso ministro da Fazenda, Delfim Neto (PDS-SP), e o líder metalúrgico e fundador do Partido dos Trabalhadores, Luiz Inácio Lula da Silva.
Pela manhã, durante a instalação dos trabalhos, Delfim passara pelo constrangimento de uma prolongada vaia, reveladora dos sentimentos das galerias contra a política econômica por ele executada no período autoritário. Lula, por sua vez, dividiu-se, à tarde, entre a solenidade no plenário e a concentração no gramado do Congresso. Ali, entidades sindicais coordenadas pela CUT, CGT e Contag, militantes partidários e representantes das entidades da sociedade civil e de movimentos populares reproduziram, ainda que em menor escala, a temática e o ambiente crítico, de reivindicação e denúncia, registrado nas campanhas das Diretas e da Constituinte.
Palavras de ordem e faixas das centrais sindicais protestavam contra a privatização de empresas estatais, defendiam estabilidade no emprego, jornada de trabalho de 40 horas, suspensão do pagamento da dívida externa e reforma agrária, entre outras reivindicações. Em passeata ao longo da Esplanada dos Ministérios, encerrada em frente ao Ministério da Justiça, manifestantes reclamaram, além da reforma agrária, a prisão de grileiros que ocupavam terras públicas e perseguiam trabalhadores rurais. Em meio a essas manifestações, um grupo de estudantes de Goiânia promoveu a queima de um grande simulacro de livro em isopor (de 1,50 m de comprimento por 1m de largura), significando o fim da “Constituição da Ditadura”.         
A eleição e o discurso de Ulysses
Em 2 de fevereiro, o deputado Ulysses Guimarães (PMDB-SP) foi eleito presidente da Assembleia Constituinte com 425 votos, contra 69 atribuídos ao deputado Lyzâneas Maciel (PDT-RJ). O nome de Lyzâneas foi lançado por um grupo de deputados insatisfeitos com a acumulação de cargos por parte do candidato do PMDB, que já era presidente do partido e horas antes havia sido eleito também presidente da Câmara. Na disputa por este último cargo, Ulysses recebeu 299 votos e seu oponente, Fernando Lyra, obteve 155.
Em seu primeiro pronunciamento como presidente da Assembleia, Ulysses salientou que a Constituinte estava “de costas para o passado” e fortalecida, na sua legitimidade, pela “vigorosa bancada de grupos sociais emergentes”. E acrescentou: “Esses meses demonstraram que o Brasil não cabe mais nos limites históricos que os exploradores de sempre querem impor. Nosso povo cresceu, assumiu o seu destino, juntou-se em multidões, reclamou a restauração democrática, a justiça e a dignidade do Estado”.
Ulysses lembrou que a Assembleia reunia-se sob um mandato imperativo: o de promover a grande mudança exigida pelo povo brasileiro. “Ecoam nesta sala as reivindicações das ruas. A Nação quer mudar. A Nação deve mudar. A Nação vai mudar. (...) Estamos aqui para dar a essa vontade indomável o sacramento da lei. A Constituição deve ser – e será – o instrumento jurídico para o exercício da liberdade e da plena realização do homem brasileiro”, afirmou.
Enfático ao abordar a transição política que o país vivia e ao proclamar a preocupação dos constituintes com a questão social, o presidente continuou: “Toda a história política tem sido a da luta do homem para realizar, na terra, o grande ideal de igualdade e fraternidade. Vencer as injustiças sem violar a liberdade pode parecer programa para as sociedades da utopia, como tantos sonhadores escreveram, antes e depois de Morus, mas na realidade é um projeto inseparável da existência humana, e que se cumpre a cada dia que passa”.
Numa indisfarçada alusão ao período autoritário, Ulysses observou: “Os momentos de despotismo, com todo o assanho dos tiranos, são eclípticos. Prevalece a incessante expedição da humanidade para a realização do Reino de Deus entre os homens conforme a grande esperança cristã. Conduzir essa caminhada é tarefa da política. Sem esse ideal maior, a política desce de sua grandeza à superfície das disputas menores, do jogo ridículo do poder pessoal, da acanhada busca de glórias pálidas e efêmeras”.
Depois de afirmar que a grande maioria do novo Parlamento representava “a incontível reivindicação de coragem reformadora exposta na campanha das diretas”, Ulysses ressaltou que essa maioria constituía garantia bastante de que a futura Constituição seria voltada para a liberdade, para a justiça e para a soberania nacional. Seu discurso anteciparia uma das características marcantes da Carta de 88, que dedica seu primeiro capítulo aos direitos e garantias individuais e coletivos dos cidadãos, relegando ao segundo plano a organização do Estado, a economia e a questão fiscal.
Tom nacionalista
A cena internacional estava impactada pela crise do mundo socialista e a pressão sobre a União Soviética, que levaria à queda do Muro de Berlim um ano após a promulgação da Constituição de 1988. Os Estados Unidos viviam o apogeu da “Era Reagan” (1981-1989) e a Europa rendia homenagens às medidas neo-liberais de Margareth Tatcher (1979-1990). Em seu discurso, Ulysses incorporou forte teor nacionalista, adotando conceitos e teses defendidos por vários segmentos então chamados de progressistas, que reclamavam, principalmente, maior controle sobre a atuação e remessa de lucros de empresas multinacionais, preferência à empresa nacional nas compras do governo, reserva de mercado às mineradoras nacionais e a definição de empresa nacional, com vantagem sobre as estrangeiras ou de capital majoritariamente estrangeiro. Condenou a “insânia dos centros financeiros internacionais e os impostos que devemos recolher ao Império mediante a unilateral elevação das taxas de juros e a remessa ininterrupta de rendimentos(...), brutal mais-valia internacional, que nos é expropriada na transferência líquida de capitais”.
Os pontos abordados pelo presidente Ulysses Guimarães em seu primeiro discurso pautaram a agenda da Assembleia Constituinte desde o início dos trabalhos. Durante meses, foram debates exaustivos nas comissões e plenário. Muitos deles terminaram incorporados ao texto final da Constituição, promulgada em 5 de outubro de 1988.´´

#Vale Fertilizantes não negocia com os trabalhadores e impasse vai parar no Ministério Público (Fonte: @BancariosRio)

´´Na Vale, eleita recentemente a pior empresa do mundo em votação internacional patrocinada por duas ONG’s, as peraltices vão além do desrespeito ao meio ambiente – motivação maior do indigesto título recebido.


Os direitos dos trabalhadores, incluindo aí a organização sindical, vêm sendo acintosamente desrespeitados na fábrica da Vale Fertilizantes, sediada em Araucária (PR).

A falta de negociação e de diálogo e a pretensão da empresa de impor suas decisões quanto a salário e condições de trabalho aos funcionários geraram um impasse cujo próximo episódio vai acontecer na sede do Ministério Público do Paraná na próxima sexta-feira, dia 3.
A audiência vai ocorrer no MP, e não na Justiça do Trabalho, porque foi lá que, em 2001, a empresa firmou o compromisso de manter um número de trabalhadores na área de produção que previsse a chamada reserva técnica – grupo que poderia substituir ausentes a qualquer momento, sem a necessidade de um operário ter de dobrar a jornada de trabalho num mesmo dia, assumindo o turno de outro que faltou.

Como os trabalhadores da área são limitados a 185 para cobrir cinco turnos, a inesperada e imposta necessidade de dobrar o turno é uma constante, informa Paulo Roberto Fier, da direção do Sindiquimica-PR/CUT.
Pela inação da empresa, a tendência é que o cenário piore. Nos dois últimos anos, desde que a Vale comprou a antiga Fosfértil e ingressou no ramo de fertilizantes químicos, não há investimento na formação de novos quadros da área operacional, denuncia o sindicato. “São necessários cinco anos para formar um bom operador. Como não está sendo feito nada nessa área, vai chegar o momento em que não haverá gente para trabalhar”, comenta Fier. “E, enquanto isso, os que aqui estamos vamos adoecendo, sendo explorados”, completa.

Plano de saúde – Apesar da complexidade e insalubridade do serviço – lidar com reatores cuja temperatura varia de 200 graus negativos  a 1,2 mil graus positivos, ou ficar exposto ao barulho constante na casa de 100 decibéis, equivalente a uma motoserra em funcionamento, por exemplo –, a empresa insiste em retirar o plano de saúde dos aposentados, desrespeitando prática existente desde a criação daquela fábrica, há 30 anos.

Como os trabalhadores da empresa – 450, no total – se recusam a aceitar a proposta, a empresa decidiu unilateralmente garantir apenas o que prevê a CLT, ou seja, suspendeu os planos privados para todos.
“Eles querem renegociar um preço mais barato com a operadora, e para isso estão seguindo a recomendação de excluir os atuais e futuros aposentados”, diz o diretor do sindicato.

Entre os trabalhadores da linha de produção, os males auditivos chegam a 25% dos trabalhadores, segundo as CAT’s (Comunicação de Acidente de Trabalho), informa o Sindiquímica-PR/CUT. No período compreendido nos dois últimos anos em que a empresa mudou de proprietário, quatro desses funcionários foram aposentados por invalidez.

A prática despótica de lidar com seus trabalhadores, que já notabilizou a Vale por episódios dignos do livro dos recordes, como a greve de mais de um ano enfrentada no Canadá a partir de março de 2009, registrou em Araucária a façanha de conseguir a assinatura do acordo coletivo de 2010 apenas no mês de março do ano seguinte, com parte significativa da assembleia formada por trabalhadores coagidos pela empresa, segundo o sindicato.
A CUT Nacional vai enviar carta à direção da empresa e também ao BNDES, cobrando que a empresa e um de seus maiores financiadores pressionem a direção da unidade no Paraná para abrir negociações e a interromper imediatamente as práticas antissindicais, como a proibição de dirigentes de dialogar com os trabalhadores.

A empresa distribuiu nota oficial para contrapor à versão do sindicato. Nela, nada se fala sobre o plano de saúde e a falta de trabalhadores no setor operacional.

Leia: “A Vale Fertilizantes informa que continua empenhada em fechar o Acordo Coletivo de Trabalho 2011/ 2012 do Complexo Industrial de Araucária.

A negociação iniciou em outubro e, desde então, houve três reuniões com avanços significativos na proposta inicial. A composição final apresentada pela Vale Fertilizantes prevê a manutenção de todas as cláusulas anteriores para os empregados atuais, e um reajuste salarial linear de 9% para todos os empregados, sem teto. Além disso, foram incorporadas diversas melhorias como, por exemplo, implantação do cartão alimentação no valor de R$130,00 mensais, também para todos os empregados, sem exceção, e auxílio creche para filhos de empregadas até 6 anos.

A proposta da Vale Fertilizantes para celebração do acordo coletivo de trabalho 2011 / 2012 foi aprovada por todos os demais sindicatos, em todas as unidades da empresa.”

Secretaria diz que há violação de direitos humanos em ação no #Pinheirinho (Fonte: Estadão)

´´O episódio, que deixou 18 feridos e milhares de desabrigados, tem sido alvo de troca de farpas entre o governo federal petista e as administrações tucanas do governador Geraldo Alckmin e do prefeito de São José dos Campos, Eduardo Cury.
Dias atrás, no Fórum Social de Porto Alegre, a presidente Dilma Rousseff referiu-se à operação como "uma barbárie" e o secretário geral da Presidência, Gilberto Carvalho, acusou o governo tucano de montar no local "uma praça de guerra". A nota evita fazer críticas à ação policial e procura se concentrar na situação atual dos desalojados.
Na ação, cerca de 6 mil pessoas foram retiradas à força de suas casas e levadas para alojamentos públicos. Os moradores resistiram e houve violência. Um dos feridos foi o secretário de Articulação Social do Palácio do Planalto, Paulo Maldos, atingido por uma bala de borracha.
Maldos também não poupou os responsáveis pela operação. Para ele, as autoridades paulistas mostraram total desprezo pelo diálogo. "Estava em jogo a opção entre civilização e barbárie e eles preferiram a violência, a exclusão social e o confronto", enfatizou. A nota, todavia, abrandou o tom das críticas, não citou Alckmin, nem fez referência direta à violência usada pela polícia paulista na operação. O Tribunal de Justiça de São Paulo assumiu a responsabilidade pela ação policial.
O texto se limitou a descrever o quadro encontrado no local por uma inspeção realizada pelo Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) e outros órgãos de proteção a crianças, idosos e comunidades vulneráveis. Entre as violações encontradas, descreve o texto, estão "ausência de condições de higiene, saúde e alimentação adequada nos abrigos; superlotação nos alojamentos; negligência psicológica, falha na comunicação entre agentes do Poder Executivo local, entre si e com os desabrigados".
Em razão do "cenário de vulnerabilidade física e psíquica", detectado junto aos abrigados, a força tarefa do governo apresentou reivindicações de caráter humanitário e emergencial ao secretário de Desenvolvimento Social de São José dos Campos, João Francisco Sawaya de Lima. O dirigente, conforme a nota, comprometeu-se com várias garantias em prol dos ex-moradores de Pinheirinho, assinando uma espécie de ajustamento de conduta.
Chancelado pelo Ministério Público paulista, o documento tem nove pontos que incluem garantia de matrícula e material escolar para mais de mil estudantes; melhoria na alimentação; mutirão de saúde nos abrigos e atendimento psicológico. Prevê ainda reforços das equipes sanitárias nos alojamentos; controle de zoonoses; emissão de carta de garantia referente ao pagamento do aluguel social; posto avançado de cadastramento e banco de emprego e aprimoramento do fluxo de informações básicas às pessoas alojadas.´´

Extraido de http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,secretaria-diz-que-ha-violacao-de-direitos-humanos-em-acao-no-pinheirinho,829658,0.htm

Bancos começam novo cadastramento de aposentados e pensionistas do INSS (Fonte: @BancariosRio)

´´Os aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) que recebem o benefício no Bradesco, no Itaú Unibanco e na Caixa Econômica Federal começarão a ser avisados do recadastramento anual a partir de desta quarta-feira, dia 1º de fevereiro.

Em março, o recadastramento passará a ser obrigatório para todos os 27 milhões de aposentados e pensionistas que recebem o benefício por conta-corrente ou poupança.

Antes, a exigência valia só para quem recebe a grana por conta-benefício. 

O segurado deverá aguardar a notificação do banco por meio de carta ou nos caixas eletrônicos. 

Cada banco adota uma data diferente para o recadastramento.´´

Líder espera aprovação do fundo de previdência do servidor em fevereiro (Fonte: Agência Câmara de Notícias)

´´Já na próxima semana, a Câmara deve recomeçar a discussão do Projeto de Lei 1992/07, que institui o fundo de previdência complementar do servidor público federal (Funpresp), disse nesta terça-feira o líder do governo, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP). Segundo ele, há acordo com o DEM, o PSDB e o PPS para o encerramento do debate sem obstrução. “Queremos encerrar a discussão antes do Carnaval e votar”, sustentou.
De acordo com o líder, o projeto é prioritário para o governo porque “vai permitir que o Brasil não viva daqui a 30 anos os problemas que a França enfrenta hoje”. O substitutivo apresentado em dezembro no Plenário pelo relator, deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), cria três fundos de previdência complementar para os futuros servidores públicos federais – um para o Executivo, outro para o Legislativo e mais um para o Judiciário.
Facilidade
Pela proposta, os funcionários contratados após a entrada em funcionamento das novas instituições terão as aposentadorias equiparadas ao teto máximo do Regime Geral de Previdência: R$ 3.916,20. Enquanto patrocinador do fundo, o governo deverá contribuir com 8,5% sobre a parcela da base de contribuição que exceder esse teto. A alíquota do servidor será decidida por ele mesmo. Vaccarezza acredita que a proposta será aprovada com “relativa facilidade”.
Eleito novo líder da Minoria na Câmara, o deputado Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP) também acha que o projeto será aprovado facilmente, devido à grande maioria governista. “Com 85% dos votos da Casa, quando consegue uma ordem unida, o governo faz o que quer. Se o projeto for prioridade da Casa Civil, será colocado em votação e aprovado”, asseverou.
Copa e Código Florestal
Outras prioridades do governo para este ano, que Vaccarezza espera ver votadas em março, são a Lei Geral da Copa (PL 2330/11) e as emendas do Senado ao novo Código Florestal (EMS 1876/99). Quanto ao último, o líder do governo disse que “deverá haver um grande acordo”. Já com relação à Lei da Copa, Vaccarezza afirmou que iria reunir-se ainda nesta terça-feira com o relator, deputado Vicente Candido (PT-SP), e que ainda nesta semana “o projeto vai ter andamento”.
Mendes Thame considera que o projeto de lei da Copa representa um “imenso retrocesso”. Em sua opinião, a proposta “rasga a Lei das Licitações (8.666/93)”, assim como a legislação que proíbe a venda de bebidas nos estádios.
“Muita gente pode não gostar dessa lei, mas ela funciona muito bem, e evitou muitas cabeças quebradas, muitas agressões”, defende.
Royalties
Encerradas as votações dessas três propostas, o governo irá centrar esforços no debate sobre a distribuição dos royalties da exploração de petróleo (PL
2565/11), conforme Vaccarezza. “Esse ainda precisa ser discutido, e só será votado se houver um grande acordo”, afirmou.
Apesar de considerar a pauta do governo para o semestre “muito difícil”, o líder se disse otimista. Por várias vezes sustentou que o “clima” nas relações com a base é agora muito melhor que no final do ano passado.
Corrupção
Tanto o projeto de novo Código Florestal quanto o da distribuição dos royalties do petróleo também constam na pauta prioritária da oposição, segundo atestou o líder da Minoria. Mas, para Mendes Thame, o objetivo primordial deveria ser a votação de projetos que preveem medidas de combate à corrupção. “Temos que ter prisão do corrupto, assim como devolução dos bens desviados, mas também punição para o corruptor”, propôs.´´

#Metalúrgicos da #UnitedSteelworkers, dos EUA e Canadá, solidários aos moradores do Pinheirinho (Fonte: @BancariosRio)

´´Em carta a Alckmin, entidade condena “ações grosseiras contra civis desarmados”
Escrito por: Leonardo Severo
Em carta enviada ao governador Geraldo Alckmin, a United Steelworkers, entidade dos trabalhadores metalúrgicos dos Estados Unidos, somou sua voz “àqueles que já protestam contra as ações grosseiras das forças armadas estaduais de segurança contra civis desarmados na comunidade de Pinheirinho”. “Seu único crime foi a busca de uma solução para sua pobreza e falta de moradias pela ocupação de uma propriedade falida, pertencente a um grande especulador imobiliário, Naji Nahas”, denuncia o documento.
A entidade lembra que a ocupação foi legalizada e trabalhadores e trabalhadoras deram lares para suas famílias durante os oito anos passados, com o Pinheirinho tornando-se uma “comunidade viável e diversificada com 9.000 residentes”.
“Estamos em total solidariedade com os habitantes da comunidade de Pinheirinho. Pedimos aos responsáveis estaduais e municipais que respeitem o direito à moradia e que sigam as leis que legalizam a permanente ocupação de Pinheirinho. Repudiamos às grosseiras ações das forças armadas estaduais de segurança contra civis desarmados”, encerra a nota assinada por Leo W. Gerard e Ken Neumann, diretor Nacional para o Canadá.´´

Combate ao trabalho infantil. Entrevista especial com Oris de Oliveira (Fonte: UNISINOS)

´´Há duas décadas, o Brasil intensificou o combate ao trabalho infantil e hoje já vislumbra resultados positivos. Segundo Oris de Oliveira, quase nove milhões de crianças e adolescentes eram vítimas do trabalho em 1992 e, de acordo com os dados mais recentes, o número foi reduzido há metade: 4,3 milhões. O professor esclarece que os trabalhos mais difíceis de “serem combatidos se encontram no setor rural e no doméstico”, onde é mais difícil fiscalizar “sem a autorização dos moradores, às vezes encoberto pelo apadrinhamento e até pela guarda”.
Apesar de o percentual de crianças e adolescentes trabalhadores ter diminuído, Oliveira explica que alguns condicionantes ainda dificultam a eliminação do trabalho infantil. Entre eles, cita o modelo econômico concentrador, o nível de renda familiar, o interesse econômico por mão de obra mais barata e dócil, a deficiência do sistema escolar e a ausência ou insuficiência de políticas públicas.
O decréscimo dos programas sociais destinados a ações que visavam a eliminação do combate ao trabalho infantil pode comprometer as conquistas dos últimos 20 anos. “Na década de 1990, muitos recursos do exterior foram canalizados para o Brasil e a fonte secou bastante por causa de malversações e de direção para outros continentes (sobretudo o africano), em que os problemas são mais graves. (...) Hoje há novas demandas que estão exigindo programas, entre outros, aqueles concernentes às pessoas portadoras de deficiência, à violência contra a criança e a mulher. Depois de 20 anos de Estatuto não é a mesma geração que está à frente dos programas e as motivações perderam seu contexto de saída do regime autoritário, implantação da democracia, luta pela publicação do ECA etc.”, avalia, em entrevista concedida à IHU On-Line por e-mail.
Oris de Oliveira é graduado, mestre e doutor em Direito pela Universidade de São Paulo – USP. Atualmente é professor titular da Universidade de Franca e aposentado da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Como o tema do trabalho infantil está sendo discutido na agenda nacional atualmente e como o senhor avalia o combate e a fiscalização deste trabalho?
Oris de Oliveira – Inicio com uma conceituação de “trabalho infantil” porque até em meios acadêmicos de Direito há confusões entre sua extensão em normas internacionais e no Direito brasileiro.

Nos documentos internacionais (Declaração dos Direitos da Criança, convenções da Organização Internacional do Trabalho – OIT), o termo criança abrange a pessoa de zero a 18 anos. Todavia, a Convenção 138, ratificada pelo Brasil, admite determinados trabalhos abaixo dos 18 anos (15 anos idade mínima).
No Brasil, na relação de emprego é permitido o trabalho a partir dos 14 na condição de aprendiz, e 16 anos do não aprendiz. Há, assim, modalidades de trabalho abaixo dos 18 anos permitidas pela Convenção 138 e pelo Direito brasileiro.
No direito brasileiro é “trabalho infantil proibido”:
a) Se a relação de emprego, abaixo dos 14 anos, abaixo dos 16 anos for fora da aprendizagem.
b) Qualquer trabalho, inclusive no emprego, que prive a criança e o adolescente do direito à escola, que seja insalubre, perigoso, penoso e noturno, que os coloque em situação de risco, sobretudo, quando se insere nas “piores formas”, entre outras: trabalho em lixões, na rua. O elenco das “piores formas” se encontra no Decreto 6.481/2008 com seu Anexo.

Combate ao trabalho infantil
Desde 1992, quando o Brasil aderiu ao Programa Internacional para a Eliminação do Trabalho Infantil – PETI (IPEC, em inglês) até nossos dias, o trabalho vem sendo combatido com a colaboração de órgãos internacionais como a OIT e a Unicef; com a sociedade civil organizada (conselhos de defesa e fóruns em âmbito municipal, estadual e nacional) como apoio importantíssimo de órgãos governamentais, merecendo destaque a atuação do Ministério do Trabalho de Emprego, mediante a fiscalização.
As “falhas” de fiscalização não decorrem de falta de empenho dos agentes de fiscalização, mas de serem pouco numerosos com incapacidade de cobrir todo território nacional. O Ministério do Trabalho constituiu os chamados Grupos Especiais Móveis para atender casos mais graves. Os trabalhos infantis proibidos mais difíceis de serem abordados e serem combatidos se encontram no setor rural (dispersão geográfica em pequenos grupos) e no doméstico (impossibilidade de adentrar casa sem autorização dos moradores, às vezes encoberto pelo apadrinhamento e até pela guarda).
Há de ser sublinhada a atuação do Ministério Público do Trabalho que adota Termos de Ajustamento de Conduta e Ações Públicas Coletivas onde há direitos difusos desrespeitados. Muito contribuiu e contribui no combate ao trabalho infantil IPEC, hoje integrado ao Bolsa Família, de que uma condicionalidade é a frequência à escola.
Decréscimo do trabalho infantil
Lentamente se está criando uma “cultura” de não aceitação do “trabalho infantil”, mas ainda encontram-se setores que fazem restrições ao combate ao trabalho infantil, não o conceituando corretamente e desconhecendo os programas que o abordam.
O tema “trabalho infantil” antes de 1992 não fazia parte da agência nacional. Hoje a mídia frequentemente o aborda nem sempre com enfoque correto. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do IBGE, apontou os seguintes números numa escala descendente (5 a 17 anos), demonstrando que houve um decréscimo do trabalho infantil fruto de toda a mobilização acima apontada.
– 8.938.171 em 1992
– 6.2263.357 em 2002
– 5.154.000 em 2006
– 4,8 milhões em 2007
– 4,3 milhões em 2009

Hoje se reconhece que há um arrefecimento dos movimentos sociais (causas múltiplas), que atinge também a mobilização pela erradicação do trabalho infantil. O combate ao trabalho infantil não deve se limitar à denúncia dos casos existentes e deve ser, sobretudo, propositivo com preenchimento do “vazio da proibição” com alternativas concretas e acessíveis.
Na oportunidade da redação dessas anotações não foi possível obter os dados do censo de 2010 do IBGE. É de se esperar que a tão festejada ascensão econômica de grande contingente da população para a condição de “classe média” tenha efeitos positivos não só no consumo, mas também na diminuição do trabalho infantil.
IHU On-Line – Como avalia o trabalho infantil no caso de crianças artistas?
Oris de Oliveira – Este é um tema que tem sido abordado no meio televisivo. Na verdade há outras modalidades, entre elas, nos circos, nos teatros, em shows. A Convenção 138, em seu art. 8, fazendo expressa referência de não aplicação das normas sobre idades mínimas do art. 2 permite:
Artigo 8º
1. A autoridade competente, após consulta às organizações de empregadores e de trabalhadores concernentes, se as houver, poderá, mediante licenças concedidas em casos individuais, permitir exceções para a proibição de emprego ou trabalho provida no Artigo 2º desta Convenção, para finalidades como a participação em representações artísticas.

2. Licenças dessa natureza limitarão o número de horas de duração do emprego ou trabalho e estabelecerão as condições em que é permitido.
O ECA, por sua vez, dispõe:
Art. 149. Compete à autoridade judiciária disciplinar, através deportaria, ou autorizar, mediante alvará:
(...)
II – a participação de criança e adolescente em:
a) espetáculos públicos e seus ensaios;
b) certames de beleza.

§ 1º Para os fins do disposto neste artigo, a autoridade judiciária levará em conta, dentre outros fatores:
a) os princípios desta Lei;
b) as peculiaridades locais;
c) a existência de instalações adequadas;
d) o tipo de frequência habitual ao local;
e) a adequação do ambiente a eventual participação ou frequência de crianças e adolescentes;
f) a natureza do espetáculo.

§ 2º As medidas adotadas na conformidade deste artigo deverão ser fundamentadas, caso a caso, vedadas as determinações de caráter geral.
Primeiramente impõe-se uma observação. Uma empresa que tenha por finalidade promover entretenimentos pode contratar um adolescente após 14 anos na condição de aprendiz e ou após 16 anos se não aprendiz. O problema se torna complexo quando se indaga: criança e adolescente que não tiverem 14 ou 16 anos podem trabalhar em espetáculos públicos, em representações artísticas? Qual a relação que se cria entre a criança ou adolescente e a entidade promotora do espetáculo público?
A resposta dos juristas não é uniforme: há os que afirmam que há uma relação de emprego proibida porque fere o que dispõe a Constituição (art. 7º, inc. XXXIII); e os que dizem não haver relação de emprego formal porque se trata de um trabalho eventual, não se caracterizando uma relação de emprego, portanto permitida dentro dos estritos limites apontados na Convenção e no ECA.
Vê-se que as autorizações são dadas com expressas limitações, não podendo haver continuidade após cada participação. Essa parece ser a posição mais consentânea com os textos da Convenção e do ECA, ao enfatizar o caráter limitado e eventual da permissão, que aparece nos próprios termos das permissões dessas legislações. Seja qual for a opinião jurídica sobre o tema, impõe-se com urgência sua regulamentação pelo poder Executivo, levando-se em consideração as contribuições de educadores, psicólogos, psicanalistas e de profissionais do ramo que sabem quais condições das tarefas exigidas.
O direito brasileiro (CLT, art. 3º) exclui o trabalho eventual da relação de emprego. O termo eventual no Direito do Trabalho tem significado técnico que não se confunde com o coloquial (decoração de textos, gravações, ensaios, não raro com perda de aulas e lições).
IHU On-Line – Segundo dado recente do IBGE, no Brasil ainda existe um milhão de crianças trabalhando. Como avalia esse dado?
Oris de Oliveira – Persistem condicionamentos que dificultam a eliminação do trabalho infantil proibido ainda existente – econômicos macro (modelo econômico concentrador); econômicos micro (nível de renda familiar); interesse econômico por mão de obra mais barata e “dócil”; sociais (deficiência no sistema escolar); culturais (controle social); e políticos (ausência ou insuficiência de políticas públicas ao menos compensatórias).
IHU On-Line – A má distribuição de renda ainda contribui para a manutenção do trabalho infantil?
Oris de Oliveira – A má distribuição de renda favorece a manutenção do trabalho infantil. Que o Brasil seja um dos países com péssima distribuição de renda não há dúvida. Em outras palavras: a população mais pobre não se beneficia distributivamente dos bens econômicos e sociais. As medidas ainda que compensatórias, entre elas o Bolsa Família, se impõem para dar possibilidade de crianças e adolescentes usufruírem seus direitos.
Durante muito tempo bateu‐se na tecla de que o Bolsa Família era puro assistencialismo. Bastou que economistas estrangeiros o considerassem um meio de distribuição de renda e o discurso está mudando. Colonialismo cultural é isso: só vale o juízo do estrangeiro.
IHU On-Line – A que o senhor atribui o decrescimento do trabalho infantil no país?
Oris de Oliveira – De 1992 até 2009 o decréscimo foi apontado acima e não ocorreu por mero acaso, mas como fruto de ampla mobilização. Aguarda-se a publicação do censo de 2011 para saber se, em relação aos anos anteriores, houve decréscimo, aumento ou estagnação do trabalho infantil.
Aponta-se hoje um decréscimo de programas sociais que afetam a eliminação do trabalho infantil. As razões são múltiplas: na década de 1990 muitos recursos do exterior foram canalizados para o Brasil e a fonte secou bastante por causa de malversações e de direção para outros continentes (sobretudo o africano), em que os problemas são mais graves. Indaga-se: Por que dar dinheiro a um país que é a sexta economia mundial?
Hoje há novas demandas que estão exigindo programas, entre outros, aqueles concernentes às pessoas portadoras de deficiência, à violência contra a criança e a mulher. Depois de 20 anos de Estatuto não é a mesma geração que está à frente dos programas e as motivações perderam seu contexto de saída do regime autoritário, implantação da democracia, luta pela publicação do ECA etc. Todavia, programas e ações do IPEC continuam “por enquanto”.
IHU On-Line – Quais são as implicações sociais do trabalho infantil? Os que o defendem argumentam que é preferível uma criança trabalhando a ficar exposta a uma situação de rua. Como avalia esse tipo de discurso?
Oris de Oliveira – Ou o trabalho que dignifica e disciplina ou a rua que perverte. Dilema fechado, ideológico e sofístico em relação ao pobre. Ideológico porque se fosse única alternativa para todas as crianças e adolescente, os que invocam tal sofisma teriam colocado seus filhos para trabalhar ainda que prematuramente. Sofístico porque indica não haver alternativa. Anos atrás, quando se via uma criança trabalhando se dizia “que beleza, em vez de estar na rua está trabalhando”. O discurso de hoje deve ser “que judiação trabalhando em vez de estar estudando ou em programa socioeducativo”.
Se no início tivesse prevalecido o discurso sofístico, hoje haveria, ao menos, o mesmo número de trabalho infantil que em 1992. Lugar de criança não é na rua nem no trabalho, é na escola. A consciência sobre direitos humanos passa por um processo histórico. As primeiras formulações eram genéricas e hoje se desdobram: direito da mulher, direito da pessoa portadora de deficiência, direito do idoso. Foi um fato social importante a declaração dos Direitos da criança em 1989, que desencadeou em vários países, inclusive Brasil, programas de atendimento.
IHU On-Line – Qual é aplicabilidade do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA e quais são seus limites e desafios jurídicos e sociais?
Oris de Oliveira – A plena efetividade de uma lei não coincide com sua vigência formal a partir de sua publicação. O Estatuto, ao mesmo tempo em que era publicado por pressão de um movimento social e popular, encontrou oposição de juízes acostumados com o Código de Menores. O ECA não foge dessa regra. Muito se caminhou em sua efetividade, mas resta muito a fazer. Um exemplo: os conselhos tutelares ainda não estão instalados em todos os municípios. Muitos não encontram apoio nas autoridades locais quando não querem transformá-lo em base política. O ECA só será totalmente efetivo quando se realizarem as indicações do art. 227 da Constituição, o que não dispensará uma luta contínua para manter a efetividade.
IHU On-Line – Como o tema do trabalho deve ser introduzido aos jovens? Deve se estipular uma idade mínima para exercer o trabalho?
Oris de Oliveira – O problema colocado não pode restringir-se na afirmação jurídica que indica as idades mínimas para entrar como empregado no mercado de trabalho. Vários fatores fazem com que o adolescente, sobretudo a partir dos 14 anos, queira trabalhar para ter sua independência financeira, vítima ou não do consumismo; ele quer as “grifes da moda” juvenil no calçado, na roupa, no lazer esportivo.
Difícil enfrentar tal problema. É preciso reconhecer. Cabe aos programas sociais fazer com que esta mentalidade desapareça antes da idade prevista em lei. Programas sociais espalhados pelo Brasil afora mostram que mesmo em conjuntos habitacionais pobres se pode oferecer oportunidade de lazer, de esporte para evitar a entrada prematura no trabalho.
IHU On-Line – Em seus textos o senhor costuma usar o conceito “profissionalização do adolescente”. Em que consiste isso?
Oris de Oliveira – A profissionalização é apontada com um dos direitos a serem garantidos com “absoluta prioridade” (art. 227 da Constituição). A Constituição sinaliza a importância, possibilitando que a partir dos 14 anos o adolescente possa iniciar sua profissionalização via aprendizagem. A profissionalização pode ocorrer na empresa (a partir dos 14 anos) ou em escolas técnicas. É correta a política de vários governos de diversos partidos em construir escolas técnicas para profissionalização do adolescente e do jovem.
A profissionalização vai ao encontro de uma exigência mínima para entrar no mercado de trabalho cada vez mais exigente. Sabe–se que há um contingente de jovens que não conseguem ingressar no mercado de trabalho por falta de qualificação. Também adultos, que não tiveram oportunidade de se qualificar tecnicamente, hoje engrossam as fileiras de desempregados. Tem-se o paradoxo: há desemprego e há vagas não preenchidas por insuficiência profissional.´´

Extraido de http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/505590-combate-ao-trabalho-infantil-entrevista-especial-com-oris-de-oliveira