terça-feira, 24 de julho de 2012

Bradesco lucra R$ 5,7 bilhões (Fonte: Correio Braziliense)

"Segundo maior banco privado do país, o Bradesco registrou lucro líquido de R$ 5,7 bilhões no primeiro semestre do ano, resultado 2,7% maior que no mesmo período do ano passado. Entre abril e junho, o ganho chegou a R$ 2,8 bilhões, um salto de 1,5% ante o segundo trimestre de 2011. Apesar dos resultados positivos, os investidores derrubaram os preços das ações da instituição na Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa). Os papéis com direito a voto (ordinários) fecharam o dia com baixa de 5,8%. Os preferenciais recuaram 4,8%.
O presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, traçou um quadro positivo para o banco, mesmo reduzindo as projeções de crescimento para o crédito, de 18% a 22% para algo entre 14% e 18%. Ele acredita que, com a queda dos juros, a economia retomará o fôlego, o que ajudará a reduzir a inadimplência. O índice de calote atingiu 4,2% no fim do segundo trimestre contra 3,7% de igual período do ano passado. "Adotamos uma política de prudência, sobretudo no provisionamento para créditos de difícil liquidação, que, no segundo trimestre, atingiu R$ 3,4 bilhões", afirmou.
Na avaliação do executivo, os resultados do Bradesco são sólidos. A meta, segundo ele, é manter o retorno do patrimônio líquido acima de 20% — próximo dos 26% computados entre abril e junho. "Teremos, no segundo semestre, um potencial maior de expansão. Estamos preparados para uma oferta ainda maior de crédito", afirmou Trabuco. Já no ramo de seguros, a instituição lucrou de R$ 1,7 bilhão no primeiro semestre, 14,4% mais que em igual período do ano passado. "Temos ainda no Brasil um espaço importante para crescer e ampliar os ganhos", disse Marco Antônio Rossi, presidente do grupo Bradesco Seguros e Previdência..."

Íntegra disponível em http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/7/24/bradesco-lucra-r-5-7-bilhoes/?searchterm=Bradesco lucra R$ 5,7 bilhões

Anatel puniu teles por temer 'dano sistêmico (Fonte: O Globo)

"A falta de investimentos das operadoras em infraestrutura para atender ao forte crescimento do uso de suas redes pelos brasileiros poderia levar a um “dano sistêmico no setor de telecomunicações”, segundo os processos sobre qualidade dos serviços de Claro, TIM e Vivo encerrados na semana passada. O GLOBO teve acesso a essa documentação por meio do sistema de vistas de documentos da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O processo da Oi foi pedido ao mesmo tempo pelo GLOBO, mas, até o fim da noite desta segunda-feira, não foi divulgado.
Entre os três processos, o mais severo é o da TIM — que teve seu mandado de segurança para suspender os efeitos da medida cautelar da Anatel negado pela 4 Vara de Justiça Federal em Brasília. A decisão do juiz Tales Krauss Queiroz apontou que a medida da agência é regular, “baseada na Constituição e na legislação setorial, e que não representa ofensa à livre concorrência, à isonomia e nem prejuízo ao consumidor”, argumentos usados pela Anatel na sua defesa.
A agência apontou que nos últimos meses a empresa descumpriu cerca de 30% dos indicadores de qualidade, “patamar muito acima das demais prestadoras”. Segundo o documento, devido à falta de capacidade da rede da TIM em atender à demanda dos usuários, “frente ao abrupto e elevado crescimento do tráfego”, em novembro de 2010, a agência instaurou um processo de acompanhamento da empresa..."

Íntegra disponível em http://oglobo.globo.com/economia/anatel-puniu-teles-por-temer-dano-sistemico-as-telecomunicacoes-5564460

Emprego cresce menos, mas absorve toda nova mão de obra (Fonte: Valor Econômico)

"No primeiro semestre deste ano, o país criou 1,047 milhão de novas vagas, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) relativo a junho, divulgado ontem pelo Ministério do Trabalho. O volume de novas vagas foi 35% inferior ao mesmo período de 2011. Apesar dessa desaceleração, a abertura de vagas formais no mercado de trabalho é suficiente para absorver a oferta de mão de obra, que tem crescido menos. Números do Censo 2010 mostram que a população economicamente ativa (PEA) cresceu, em média, 1,38 milhão de pessoas por ano na última década..."

Íntegra disponível em http://www.valor.com.br/brasil/2761996/emprego-cresce-menos-mas-absorve-toda-nova-mao-de-obra

Quase metade dos tribunais ainda não divulgou salários de servidores (Fonte: O Globo)

"Apesar da determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para que os tribunais brasileiros divulgassem até a última sexta-feira os salários de seus servidores, nem todos fizeram isso. Em um balanço nesta segunda-feira com 90 dos 91 tribunais brasileiros — o Supremo Tribunal Federal (STF) ficou de fora por não estar sob o alcance do CNJ — 41, ou seja, quase a metade, ainda não haviam publicado na internet a lista com os salários até o início da noite.
Alguns deles — como os Tribunais de Justiça (TJs) de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Paraná — alegaram problemas técnicos e conseguiram do presidente do CNJ e do STF, ministro Ayres Britto, um tempo extra para publicar a remuneração de seus servidores. Esse prazo varia de 10 dias, no caso do TJMS, a 30 dias, nos TJs de Goiás e Santa Catarina. Nesta segunda o TJ do Piauí solicitou mais 20 dias, pedido que ainda será analisado por Ayres Britto.
Mesmo entre os tribunais que passaram a divulgar os salários, a transparência ficou longe da ideal. A maioria preferiu publicar a remuneração em formatos pouco amigáveis para uma análise mais detalhada. É fácil saber quanto uma pessoa específica que trabalha no Judiciário ganha, mas é difícil descobrir se esse salário está na média do que recebem os outros servidores. Dos 50 tribunais que divulgaram os dados (incluindo o STF), 33 preferiram o formato PDF, que é mais difícil de ser trabalhado no computador. É o caso do Tribunal Superior do Trabalho (TST), dos Tribunais Regionais Federais (TRFs) da 1ª e da 5ª Região, do Tribunal de Justiça Militar de São Paulo, de nove TJs, seis Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) e 14 Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs)..."

Íntegra disponível em http://oglobo.globo.com/pais/quase-metade-dos-tribunais-ainda-nao-divulgou-salarios-de-servidores-5563056

Proibição de venda de chips começa a valer hoje (Fonte: O Estado de S.Paulo)

"A partir de hoje, as operadoras TIM, em 19 Estados, Oi, em cinco, e Claro, em três - incluindo São Paulo -, estão impedidas pela Agência Nacional de Telecomunicações de vender novas linhas celulares. A decisão foi motivada, de acordo com a agência, pelo alto índice de reclamações contra os serviços das empresas, e as vendas só devem ser retomadas após a aprovação de um plano de melhoria na qualidade do serviço.
Ontem, véspera da proibição, não houve corrida para adquirir chips. O consumidor que foi às lojas durante o fim de semana manifestou apoio à decisão do governo, mas ainda duvida da eficácia da punição da Anatel.
"Demorou para o governo tomar essa decisão. Acho que, depois dessa suspensão, pode melhorar por um tempo, mas depois volta tudo", disse o policial civil Ailton Rodrigues Gaia que ontem à tarde foi à loja da Claro, no Center Norte, em São Paulo, acompanhando a mulher Fernanda, interessada em trocar o chip. "Sempre tenho problemas com a empresa", contou Fernanda, cliente da operadora há dois anos e meio. "Eles são muito bons na pré-venda, mas o pós-venda é ruim."..."

Íntegra disponível em http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,proibicao-de-venda-de-chips-comeca-a-valer-hoje-,904089,0.htm

Aloísio Teixeira, um gestor devotado à educação (Fonte: O Globo)

"Filho do brigadeiro Francisco Teixeira, subchefe do Estado-Maior das Forças Armadas durante o governo João Goulart e um dos principais opositores militares ao golpe de 1964, o professor Aloísio Teixeira se formou na Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas do Rio de Janeiro em 1978. Cinco anos depois, obteve o título de mestre pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e, em 1993, concluiu o doutorado Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), sob orientação da professora Maria da Conceição Tavares. Ultimamente, Teixeira era professor titular do Instituto de Economia da UFRJ, instituição onde ingressou em 1981 e da qual foi dirigente máximo entre 2003 e 2011.
Em sua trajetória como economista e administrador público, antes de ocupar o posto de reitor, Teixeira foi diretor de planejamento da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), superintendente da Superintendência Nacional de Abastecimento (Sunab) e esteve à frente do Conselho Interministerial de Preços e da Secretaria Especial de Abastecimento e Preços, no Ministério da Fazenda, em 1986 -1987, na época do congelamento de preços. Teixeira assumiu ainda os cargos de secretário-geral do Ministério da Previdência e Assistência Social e diretor de administração da Embratel.
Na vida acadêmica, Aloísio Teixeira foi protagonista de um dos episódios mais polêmicos da história da UFRJ. Em 1998, foi o mais votado na eleição para reitor da instituição, mas o então ministro da Educação, Paulo Renato Souza, decidiu nomear o terceiro colocado no pleito para o cargo, José Henrique Vilhena. A indicação iniciou um grande conflito interno na UFRJ, com a ocupação do prédio da reitoria e conflitos constantes entre Vilhena e os estudantes..."

Íntegra disponível em http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/7/24/aloisio-teixeira-um-gestor-devotado-a-educacao/?searchterm=Aloísio Teixeira, um gestor devotado à educação

Trabalho fica alheio a negociações da greve (Fonte: Valor Econômico)

"Envolvido na disputa política pelo comando do PDT, o Ministério do Trabalho permanece alheio às gestões do governo Dilma Rousseff para acabar com as greves no funcionalismo público. O processo de esvaziamento da Pasta nesta área chegou ao seu ápice, no governo Dilma, com a edição em janeiro de um decreto que garantiu ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão a responsabilidade de negociar com os servidores públicos e gerir o cadastro nacional das entidades sindicais que representam o funcionalismo..."

Íntegra disponível em http://www.valor.com.br/politica/2762118/trabalho-fica-alheio-negociacoes-da-greve

Justiça nega liminar pedida pela TIM para voltar a comercializar chip e modem (Fonte: Denuncio com Agência Brasil)

"O juiz federal substituto da 4ª Vara do Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF1), Tales Krauss Queiroz, negou o pedido de liminar da operadora da TIM que pretendia suspender a decisão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) que proíbe a venda de chip e modem da companhia em 18 estados e no Distrito Federal.
Como a decisão da Justiça Federal é referente apenas ao pedido de liminar, o processo de mérito do mandado de segurança continua correndo na Justiça.
“Avalio que a medida da Anatel não foi ilícita e nem desrespeitou o devido processo legal. A medida foi dura e austera. Mas era necessária”, descreveu em seu despacho do juiz. “Não há, obviamente, uma solução fácil. Mas é preciso que se chegue a uma solução de compromisso, intermediária e equilibrada, que alinhe os objetivos econômicos das teles com os anseios do consumidor. O consumidor, legitimamente, quer pagar menos e falar mais. E quer um serviço de qualidade”, complementou.
A TIM, com cerca de 70 milhões de usuários, foi a única operadora que entrou na Justiça contra a Anatel. A decisão do juiz está disponível na página de consulta processual do TRF. A empresa ainda pode recorrer da decisão por meio de recurso jurídico chamado agravo de instrumento.
Segundo o procurador-geral da Anatel, Victor Cravo, o juiz do TRF aceitou os argumentos da Advocacia-Geral da União de que a decisão da agência reguladora não causava prejuízo de competição e que os clientes manteriam a possibilidade de escolha.
Para Victor Cravo, pesou na decisão do juiz Tales Krauss Queiroz o fato de que a medida cautelar da Anatel “não era decisão inédita” e que foi baseada em “dados de conhecimento da empresa”.

Governo e mídia atacam grevistas (Fonte: Blog do Miro)

"O governo Dilma até parece que segue as orientações da mídia privada para endurecer no trato com os servidores em greve – nas universidades federais há mais de dois meses; em outras repartições públicas, há um mês. Nesta semana, o Palácio do Planalto adiou novamente a apresentação de uma proposta de reajuste salarial para o funcionalismo. Esta postura arrogante irritou ainda mais os cerca de 10 mil grevistas que realizaram um tenso protesto na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, na quarta-feira (18).
A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, responsável pelas negociações, é uma das mais inflexíveis no trato. “O governo continua protelando, sem proposta, engessa a discussão e provoca tensionamento”, critica Pedro Armengol, coordenador do setor público da CUT. Sérgio Ronaldo, dirigente da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), também condena a falta de sensibilidade. “Estamos cansados de participar de reunião para ouvir a mesma coisa, sem proposta. Isso leva a um conflito”.
Novo protesto das centrais

Na prática, o governo enrola nas negociações e aposta no esvaziamento da greve. O Palácio do Planalto avalia que a decisão de cortar o ponto dos grevistas e a ameaça de acionar a Justiça contra a legalidade do movimento resultarão no retorno ao trabalho. Até agora, porém, a paralisação tem crescido em vários ministérios e órgãos federais e mantém a força nas universidades. Como decorrência, aumenta o desgaste político da presidenta Dilma. Até os tucanos tem se aproveitado oportunisticamente da greve.
Um novo protesto unitário já foi marcado pela CUT, CTB e Conlutas para 2 de agosto. As centrais não aceitam a desculpa da falta de verba para atender as reivindicações do funcionalismo. “O governo não negocia e alega que não há recursos, mas direciona a maior parte do PIB [Produto Interno Bruto] para os banqueiros, com o pagamento dos juros das dívidas, e para as indústrias, por meio da isenção de impostos, entre outros benefícios", critica José Maria de Almeida, dirigente da CSP-Conlutas.
O discurso antissindical da mídia
Enquanto se isola entre os servidores, a presidenta Dilma recebe os aplausos da mídia privada. Em editorial, o Estadão aconselhou o governo a não “perder o controle da situação”. “Ao exigir do governo aumentos financeiramente insuportáveis em quaisquer situações, mas especialmente agora, em razão da notória desaceleração da economia provocada pela crise mundial, os servidores em greve tentam impor custos adicionais aos contribuintes empregando a força da paralisação de serviços públicos”.
No mesmo rumo, o jornal O Globo, também em editorial nesta semana, elogiou a postura firme da presidenta, que “enfrenta as corporações sindicais atuantes no funcionalismo... Acostumadas às benesses obtidas na gestão Lula, categorias de servidores querem continuar a avançar sobre o Orçamento. Não é apenas inapropriada a conjuntura econômica para fazer um emparedamento sindical do Planalto. Também os números frios das folhas de salários não o justificam”.
A maldição do superávit primário
Para a famiglia Marinho, as greves no funcionalismo apresentam reivindicações “irreais” e põem em risco o “equilíbrio fiscal”, já fragilizado “devido ao choque em várias despesas (Previdências, linhas assistencialistas) causado pelo grande aumento do salário mínimo... Se o governo fraquejar diante da pressão sindical, o quadro ficará mais grave”. Ou seja: mídia e governo atacam as greves contra o arrocho com o único objetivo de preservar a maldição do superávit primário, a reserva de caixa dos banqueiros."

Uso de uniforme com propaganda sem autorização do empregado fere direito à imagem (Fonte: TRT 3a. Reg.)

"O uso de uniforme pelo empregado, contendo logomarca de outras empresas, sem a sua autorização ou compensação financeira, caracteriza violação ao direito de imagem do trabalhador e enseja indenização por danos morais. Assim se manifestou a 7ª Turma do TRT-MG, ao julgar favoravelmente o recurso de um empregado que pediu reparação por ter sempre trabalhado vestindo camisas com propaganda de grandes marcas de produtos eletrônicos, sem receber nada pela publicidade.
O juiz de 1º Grau indeferiu o requerimento do trabalhador por entender que ele também se beneficiava do uso das camisas com propaganda, já que isso incrementava as vendas e, como ele recebia comissões, tinha os seus ganhos aumentados. Mas o desembargador Marcelo Lamego Pertence não concordou com esse posicionamento. Para o relator, não há dúvida da ocorrência de exploração indevida e sem autorização da imagem do reclamante. O próprio preposto admitiu o uso do uniforme com logomarcas dos produtos comercializados. Por outro lado, a empregadora não comprovou o pagamento pela publicidade, nem mesmo a contratação do empregado, mesmo que de forma tácita, para realizar propaganda para os fornecedores da reclamada.
O trabalhador serviu como meio de divulgação da marca de terceiros, realizando tarefa para a qual não foi contratado."A utilização da imagem do empregado para realizar propaganda de terceiros estranhos à relação empregatícia, sem a anuência deste, e sem qualquer contrapartida, configura abuso de direito ou ato ilícito, ensejando a devida reparação, na medida em que não é crível supor que a empregadora não tenha obtido vantagens econômicas pela propaganda efetivada",concluiu o relator, condenando a empregadora ao pagamento de indenização por danos morais no valor de R$10.000,00, no que foi acompanhado pela Turma julgadora.
( 0002119-12.2011.5.03.0010 ED )"

Danny Glover defende direito de sindicalização de metalúrgicos nos EUA (Fonte: Rede Brasil Atual)

"O ator norte-americano Danny Glover reuniu-se na semana passada com trabalhadores da filial da Nissan, na cidade de Canton, no Mississipi, para apoiar o movimento de filiação dos metalúrgicos à International Union, United Automobile, Aerospace and Agricultural Implement Workers of America (UAW - Sindicato dos Trabalhadores do Setor Automobilístico, Aéreo e da Agricultura dos Estados Unidos). Glover defendeu o direito de sindicalização dos metalúrgicos, que encontram dificuldade em ter um sindicato que os defenda. “Eu estou aqui para ser uma parte do que vocês estão fazendo. Vocês não estão sozinhos”, disse o astro de cinema aos trabalhadores, segundo informou o Jackson Free Press, jornal norte-americano. A reunião ocorreu no escritório da UAW, em Canton.
A luta em Canton é para assegurar uma eleição na fábrica da Nissan de 3.300 trabalhadores, em que eles decidirão se desejam ou não terem um sindicato para representá-los.  Isso ocorre porque nos Estados Unidos a sindicalização é por local de trabalho e só pode existir após uma votação de todos os trabalhadores de uma empresa, como se fosse um plebiscito. A maior dificuldade, segundo os sindicalistas da UAW que estiveram no Brasil, em julho, para o Congresso Nacional da CUT, é chegar à votação.
Glover faz parte do esforço global da UAW para garantir a sindicalização das plantas industriais da Nissan e outras montadoras não sindicalizadas nos Estados Unidos. Em entrevista à Rede Brasil Atual, o presidente do sindicato, Bob King, afirmou que cinco montadoras asiáticas não sindicalizadas nos Estados Unidos – Nissan, Toyota, Honda, Hyundai e Kia – têm condutas antissindicais e de violação de direitos. "A questão não é porque são todas asiáticas, é porque são empresas onde a gente não consegue vislumbrar uma mudança significativa de comportamento”, apontou King. Outras três montadoras não sindicalizadas, de origem alemã  – BMW, Mercedes Benz e Volkswagen –, estão melhorando a conduta com os trabalhadores no país graças à pressão dos sindicatos alemães e das comissões de fábrica dessas empresas.

As corporações criam obstáculos e manobras legais para evitar a criação de um sindicato. Conforme King, as empresas pressionam e ameaçam os trabalhadores para que votem contra a representação sindical. “Na Nissan, por exemplo, eles colocam todos os técnicos em uma sala e fazem mesas redondas em que os gerentes projetam fábricas fechadas, portões com correntes de fábricas que foram fechadas porque seriam sindicalizadas”, disse um metalúrgico que esteve no Brasil e prefere não ser identificado.
Na reunião com os metalúrgicos da Nissan e sindicalistas da UAW, Glover disse que está falando sobre os problemas em Canton em aparições na televisão. “Nós nunca estamos sozinhos. As pessoas precisam saber que não precisam ter medo”, disse aos trabalhadores.
Para enfrentar práticas antissindicais e violações aos direitos dos metalúrgicos norte-americanos, a UAW está criando um escritório no Brasil. Também deve contar com o auxílio de sindicatos de outros países. A intenção é atuar de forma global para pressionar as empresas a aceitarem a sindicalização dos trabalhadores e negociar melhores condições de trabalho, nas fábricas nos Estados Unidos.
A UAW pretende divulgar mundialmente os problemas nas montadoras não sindicalizadas em seu país para sensibilizar os consumidores. “Eles gastam bilhões cuidando das suas marcas, convencendo o consumidor que eles produzem veículos bons. Uma vez que não nos deixam atuar na defesa dos direitos dos trabalhadores, vamos tentar rotulá-los, em âmbito global, como violadores de direitos humanos dos trabalhadores”, anunciou King."

JT defere rescisão indireta a empregado deslocado da empresa para tarefas domésticas na casa dos patrões (Fonte: TRT 3a. Reg.)

"Julgando desfavoravelmente o recurso da empresa reclamada, a 8ª Turma do TRT-MG decidiu manter a sentença que declarou a rescisão indireta do contrato de trabalho. No entender dos julgadores, a empregadora descumpriu as suas obrigações contratuais, praticando falta grave, ao deslocar o empregado acidentado para realizar tarefas domésticas na casa dos patrões, quando deveria ter proporcionado a readaptação do trabalhador, em nova função, no âmbito do estabelecimento.
No caso, o empregado sofreu típico acidente de trabalho, que lhe causou perda total da visão do olho esquerdo. A ré sustentou que, ao receber alta do INSS, o empregado recusou-se a submeter-se à readaptação de função e abandonou o serviço. Mas, conforme observou o desembargador Márcio Ribeiro do Valle, a reclamada não comprovou nenhuma dessas alegações. Por outro lado, ficou claro, pelo laudo pericial, que o reclamante, que antes atuava com jatista, passou a trabalhar na residência dos proprietários da empresa, desempenhando funções domésticas, como varrer e molhar o jardim.
Para o desembargador, não há dúvida de que a reclamada praticou a falta prevista no artigo 483, d, da CLT. Ou seja, a empregadora deixou de cumprir as suas obrigações contratuais. Em vez de requalificar o empregado no contexto das atividades empresariais, a ré alterou o objeto do contrato, desviando o trabalhador para funções totalmente diversas daquelas para as quais foi contratado. Por essa razão, foi mantida a decisão que declarou a rescisão indireta do contrato de trabalho e condenou a empregadora ao pagamento das parcelas rescisórias próprias desse tipo de rompimento contratual.
( 0001676-44.2010.5.03.0027 ED )"

Fórum de julho traz uma outra história sobre a construção das hidrelétricas (Fonte: Revista Fórum)

"A edição de julho da revista Fórum, nas bancas, traz uma reportagem especial de Maíra Streit e Jesus Carlos mostrando os efeitos da construção das novas usinas hidrelétricas do Rio Madeira nas comunidades da região. Erguidas com a promessa de incrementar o crescimento econômico do Brasil, o que se vê é a degradação que chega às populações, e quem sofre os efeitos mais fortes do abandono são as crianças e os adolescentes, muitas vezes levados à exploração sexual como única fonte de renda.
Leia também na edição 112 de Fórum matéria sobre o documentário que revive o “Massacre de Avellaneda”, evento que completa uma década e que marcou a política argentina, e saiba também como o governo de Sebastían Piñera perdeu a sua “guerra imaginária contra o terror”. Nossos repórteres foram à caatinga da atual Canudos, onde o sertanejo continua lutando pela sobrevivência com criatividade e por meio do uso coletivo da terra.
Na série Jornalismo em Quadrinhos, conheça Rapadura, artista que mistura o rap com ritmos nordestinos, realizando um trabalho de revitalização cultural e resgate das raízes do Nordeste. Pedro Alexandre Sanches conversa com Sérgio Ricardo, músico que transitou pela Bossa Nova e pelo Cinema Novo, e que hoje não se nega a entrar na polêmica sobre os direitos autorais no Brasil. Confira ainda artigo de Vange Leonel sobre a Marcha das Vadias e Túlio Vianna abordando a ética do advogado criminalista.

Leia também: a crônica de Mouzar Benedito; a coluna Quilombo, por Dennis de Oliveira; os Toques Musicais de Julinho Bittencourt; Espaço Solidário, com Moriti Neto, e matérias sobre a Rio+20, Cúpula dos Povos e Fórum de Mídia Livre.
Abaixo, o primeiro trecho da matéria de capa:
A outra face do progresso
As no
vas usinas hidrelétricas do Rio Madeira estão sendo construídas com a promessa de crescimento econômico para o Brasil. Mas o que se vê por trás das propagandas é a degradação da comunidade local, e quem sofre os efeitos mais fortes do abandono são as crianças e os adolescentes, muitas vezes levados à exploração sexual como única fonte de renda
Por Maíra Streit
Desde as primeiras horas do dia, é possível encontrar mulheres na frente dos cabarés da principal rua de Jaci-Paraná, distrito situado a 90 quilômetros de Porto Velho, capital de Rondônia. Dezenas de bares, conhecidos como “bregas”, mantêm quartos improvisados para encontros sexuais. A explosão da prostituição é apontada como um dos sintomas mais evidentes do crescimento desordenado da localidade, cuja população saltou de 6 para 20 mil habitantes em poucos anos, principalmente em função da construção da Usina Hidrelétrica de Jirau, no rio Madeira.
O empreendimento atraiu para lá milhares de operários que, vindos de várias regiões do país, deixaram a família para se aventurar no oeste amazônico em busca de trabalho. O intenso fluxo migratório transformou a rotina da comunidade e agravou também outros problemas como a violência e o tráfico de drogas. Agora, entidades de defesa dos direitos infanto-juvenis alertam para a situação de vulnerabilidade a que estão submetidas crianças e adolescentes de Jaci-Paraná. Sem políticas públicas consistentes, a exploração sexual acaba sendo o caminho encontrado por muitos jovens como forma de sobrevivência.
Segundo o coordenador de comissariado do Juizado da Infância e da Juventude de Porto Velho, Raiclin Lima, a grande concentração de pessoas, predominantemente do sexo masculino, em um lugar isolado e empobrecido, causou forte impacto. “As meninas, que viviam de maneira pacata, estavam acostumadas a brincar e a pescar de acordo com os costumes locais. Depois disso, começaram a ser mais assediadas e a ter contato com as relações de consumo. Um celular, um iPod e todas essas coisas que encantam em um primeiro momento tornaram-se instrumentos de troca para as práticas sexuais”, conta.
Raiclin lembra que, antes da instalação da usina, as visitas do Juizado ao povoado de Jaci-Paraná se limitavam a três idas por ano, para palestras educativas. Com o tempo, a equipe intensificou a fiscalização e, hoje, há um calendário previamente determinado para as visitas, que são feitas semanalmente ou a cada duas semanas. A ação ostensiva conseguiu diminuir a presença de adolescentes em prostíbulos, mas os aliciadores são rápidos na tentativa de burlar a vigilância.
O coordenador revela que a exploração sexual virou um comércio lucrativo para algumas figuras influentes e de alto poder aquisitivo da região. Meninas e meninos são trazidos de outros estados e até da Bolívia para serem expostos em festas promovidas, muitas vezes, em fazendas distantes dos olhos das autoridades. Para ele, existe uma rede camuflada, e os agenciadores atuam em locais como a “prainha”, à beira do rio Jaci, conhecida como uma das parcas alternativas de diversão para os jovens das redondezas. Lá, é alto o consumo de drogas e bebidas alcoólicas, e as músicas dançantes seguem embalando garotas de 13, 14 anos madrugada adentro, cercadas por homens muito mais velhos. Raiclin frisa que todas as denúncias que chegam ao Juizado são encaminhadas às delegacias especializadas e, dessa forma, já foram efetuadas prisões de alguns dos aliciadores.
A conselheira tutelar Ângela Fortes cobra mais atenção dos governantes para a realidade das crianças e dos adolescentes de Jaci. Ela acredita que a ociosidade e a falta de investimento em educação fazem dos jovens vítimas cada vez mais fáceis. “Eles estão extremamente vulneráveis. Uma vez, atendi uma garota e, depois de muita conversa, ela confessou ser prostituída e disse que aquele era o único lugar em que se sentia valorizada”, lamenta.
Ângela enfatiza que o problema só será enfrentado com o fortalecimento do ensino público, da qualificação profissional e com melhorias nas condições de saúde e moradia. E conta que já recebeu ameaças, mas não pretende se calar diante das situações que testemunha todos os dias. Conforme ela, o Brasil precisa conhecer melhor as dificuldades do povo amazônico. “Quando vamos ao Sul ou ao Sudeste e falamos sobre Rondônia, eles pensam que é um outro país”, pondera.
Menos prostíbulos e mais escolas
Não é difícil entender o desabafo de Ângela. As ruas sem asfalto e sem tratamento de esgoto, com seus incontáveis barracos de madeira, dão a medida da urgência que o assunto requer. Quando o tema é educação, o cenário pode ser ainda mais desolador. Em visita à Escola Estadual Maria de Nazaré dos Santos, a reportagem da Fórum encontrou pátios completamente vazios. Os alunos haviam sido dispensados por causa do calor.
A umidade e as altas temperaturas, características do clima equatorial, eram intensificadas com quase 60 alunos espremidos em salas sem ventilação. Muitos passavam mal. Os funcionários tiveram que trazer seus próprios ventiladores para conseguirem trabalhar. A carga horária foi reduzida para quatro aulas por dia, de 30 minutos cada. E o que aprendem em tão pouco tempo? “Nada”, respondeu, indignada, uma aluna que deixava os portões da escola.
A situação se arrasta desde o início do ano. Mas, segundo a diretora Cláudia Setúbal, já foi pior. Em 2011, os estudantes eram divididos em quatro turnos, para revezarem o espaço e os professores disponíveis. Algumas séries funcionavam apenas no horário de almoço. Para acabar com esse corre-corre que, segundo ela, era desgastante para todos, o jeito foi sobrecarregar o número de pessoas por sala e extinguir as turmas do meio-dia.
A Escola Maria de Nazaré dos Santos possui, ao todo, 1,3 mil alunos do Ensino Fundamental e do Médio. É o único colégio estadual de Jaci-Paraná; os outros dois são da prefeitura. As três instituições de ensino tentam, precariamente, manter a atenção dos estudantes em uma região que, de acordo com levantamento da Delegacia de Proteção da Criança e do Adolescente (DPCA/RO), conta com 68 pontos de prostituição.
Na opinião da diretora, o assédio às alunas ficou incontrolável. “Veio uma quantidade exorbitante de homens para cá por causa das obras. As meninas já aprenderam, inclusive, a diferenciar os cargos mais elevados pela cor do uniforme que eles usam”, afirma. Cláudia relata que costuma vigiar a movimentação em torno da escola e anota a placa dos carros que, constantemente, buscam as adolescentes. “Elas preferem os engenheiros”, revela.
Os filhos das usinas
Solange* tem 15 anos e desistiu das salas de aula quando fazia a antiga 4ª série. Sonhos? “Tenho não, senhora”, diz. Pela primeira vez, ela começa a se preocupar com o que será do amanhã. A menina está grávida de três meses, fruto do envolvimento rápido com um dos milhares de “camargueiros” – como são chamados, na região, os operários da construtora Camargo Corrêa. O namorado paraense chegou a Rondônia com o pai, tios e primos para tentar emprego na Usina de Jirau. Quando soube do bebê, disse que não era dele e se negou a ajudar. Solange pensa em voltar para a escola, mas admite que, a partir de agora, será tudo mais difícil.
A amiga Daiane* vive um drama parecido. Ela conta que os “homens da firma” conquistam as garotas oferecendo bebidas, drogas, dinheiro e até comida em troca de favores sexuais. Com 15 anos, já foi casada duas vezes, e o último relacionamento, com um ex-funcionário das obras, acabou em decepção. Ela tem quase certeza de que está grávida. Ainda não teve coragem de fazer o teste, mas diz que sente muito sono e enjoo e, por isso, não consegue mais ir à aula. Se confirmar a suspeita, já decidiu pelo aborto.
O rapaz que a engravidou tem dois filhos em Manaus, um em Rio Branco, e abandonou outra menina grávida em um distrito vizinho. Provavelmente, não assumiria também o filho de Daiane. Enquanto isso, ela acaba cedendo às ofertas de outros “camargueiros” para pagar as contas da casa que divide com uma colega, já que nunca se entendeu com o padrasto; a mãe, dependente de drogas, tampouco pôde ajudá-la.
Histórias como essas são cada vez mais comuns. De acordo com dados da Maternidade Municipal de Porto Velho, a gravidez na adolescência apresentou um aumento significativo nos últimos anos. Atualmente, o índice de partos realizados em meninas de 10 a 19 anos está em torno de 28% do total de atendimentos. A diretora da unidade, Ida Perea, afirma que a menor taxa registrada foi de 25%, em 2010, após uma campanha massiva de prevenção. Porém, em pouco tempo, o número voltou a subir e alcançou o pico de 31%.
Ida explica que a Região Norte lidera o ranking de mães adolescentes, seguida do Centro-Oeste, Nordeste, Sudeste e Sul. Em Porto Velho e áreas adjacentes, a principal preocupação é com as garotas abaixo de 14 anos, pois é nessa faixa etária que o crescimento do número de casos de gravidez tem sido mais expressivo. A médica lembra que, pela lei, manter relações sexuais com pessoas menores de 14 anos é considerado estupro de vulnerável, mesmo que o adulto alegue que houve consentimento. “Nesse caso, podemos apontar para um aumento no número de estupros na região”, observa. Ela chama a atenção, ainda, para o fato de que boa parte dessa nova geração de porto-velhenses está nascendo sem qualquer apoio do pai. “A criança já vem ao mundo sem um direito básico, elementar, que é de ter a identidade paterna reconhecida”, aponta.
O juiz titular do Juizado da Infância e da Juventude de Porto Velho, Dalmo Bezerra, diz que, com a grande quantidade de homens chegando e saindo do estado, fica difícil, muitas vezes, encontrar os autores da violência sexual. “Aqui eles são conhecidos como o ‘goiano’, o ‘paulista’, o ‘piauí’. Não têm sobrenome. Quando fomos procurar, existiam dezenas de pessoas com esses mesmos apelidos que já tinham ido embora”, ressalta.
Dalmo destaca que os “barrageiros” percorrem o País atrás de trabalho em grandes obras, como as hidrelétricas do rio Madeira, e não costumam ficar muito tempo no mesmo lugar. Por isso, é preciso que a cidade esteja preparada para os impactos do grande fluxo migratório e, principalmente, para as consequências que virão quando a construção dos empreendimentos acabar. Para ele, entre os principais efeitos está a elevação do desemprego, a violência, a incidência de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e a gravidez precoce. O número de crianças sem registro do pai nos documentos também é apontado como um alerta. Ele lembra que a maioria dos jovens envolvidos, hoje, com a criminalidade não possui pai reconhecido. “Isso deve querer nos dizer alguma coisa. Vamos ter reflexo, ainda, por muitos anos”, finaliza."

É ilegal a revista pessoal que submete empregado a constrangimentos (Fonte: TRT 3a. Reg.)

"Muitas vezes, com o intuito de proteger seu patrimônio, o empregador adota condutas abusivas capazes de ofender a honra e a dignidade do trabalhador. É certo que a revista de bolsas e pertences dos empregados no final da jornada pode fazer parte do poder diretivo do empregador. Mas, essa prática deve sofrer certas limitações, como qualquer outro exercício de poder. Esse tema foi abordado pelo juiz substituto Júlio Corrêa de Melo Neto no julgamento de uma ação recebida pela 36ª Vara do Trabalho de Belo Horizonte. Em sua análise, o magistrado concluiu que a empresa não agiu com a necessária cautela ao expor a empregada perante os demais colegas como suspeita de algum delito."Com efeito, no entendimento deste julgador, é vexaminoso para o trabalhador, ao cabo da sua prestação de serviços, ser visto pelo empregador com a patente suspeita de desonesto, mormente pelo fato de que o contrato de trabalho pressupõe a fidúcia entre as partes", completou.
A trabalhadora relatou que era submetida a revistas pessoais, realizadas perante os clientes da loja e os demais empregados, sempre em tom de deboche. A empresa afirmou que os empregados tinham que mostrar ao segurança os produtos adquiridos durante o expediente, tudo feito de forma genérica e sem humilhação. Entretanto, segundo registrou o magistrado, os depoimentos das testemunhas e do preposto da reclamada foram suficientes para comprovar os fatos narrados pela trabalhadora, evidenciando-se a prática de revista pessoal abusiva e ilegal por parte da empresa. Embora não se possa falar em revista íntima, já que, no caso, eram examinados somente os pertences do empregado, o juiz constatou que a revista se dava na presença de outros trabalhadores, sendo realizada por seguranças, todos os dias, o que traduz flagrante ofensa à dignidade da pessoa humana.
O julgador considerou excessivo e imprudente o ato de exigir da reclamante o gesto humilhante de abrir sua bolsa para o desconfiado empregador, principalmente num contexto de evolução tecnológica, no qual já existem outros sistemas mais modernos de proteção ao patrimônio da empresa. Portanto, concluindo que os meios adotados são inadequados e não justificam o objetivo da defesa patrimonial, o juiz sentenciante condenou a reclamada ao pagamento de uma indenização por danos morais, fixada em R$3000,00. Além disso, a sentença declarou a rescisão indireta do contrato de trabalho da reclamante, tendo em vista que a empresa descumpriu várias obrigações contratuais.
Ao finalizar, o julgador ponderou: "O trabalhador, quando transpõe os umbrais da fábrica, do escritório ou de qualquer estabelecimento do empregador não se despe dos direitos de personalidade. Deve, é certo, submeter-se às normas da empresa (desde que afinadas ao sistema juslaboral) e dedicar-se, com boa-fé, na execução de suas tarefas, mas sua personalidade remanesce protegida, pelo manto do sistema jurídico e, pois, mantém o direito de preservar seu nome, sua imagem, seus sentimentos de autoestima, como pessoa e trabalhador, que se constrói, dignamente, pela força de seu trabalho".
( 0000749-08.2011.5.03.0136 RO )"

Família de servidor morto em acidente de trabalho será indenizada (Fonte: Jornal da Ordem)

"A morte prematura de parentes dos autores causou alteração do bem estar psíquico, aflição física e espiritual a ensejar o dever à devida reparação.
A indenização fixada à família de um servidor da Prefeitura de São Paulo foi reduzida. Ele caiu de uma altura de 8m enquanto realizava a poda de uma árvore, e morreu em decorrência do acidente. A 4ª Câmara de Direito Público do TJSP julgou a questão.
A autora alegou que a Prefeitura deixou de cumprir sua obrigação de fornecer e fiscalizar a utilização de equipamentos de segurança no trabalho e pediu, junto com seus dois filhos, indenização e pensão vitalícia. A 4ª Vara da Fazenda Pública da Capital determinou que a prefeitura restitua o valor de R$ 3.975 gasto com despesas médicas e indenize cada um no valor de R$ 120 mil por danos morais.
A municipalidade recorreu da decisão, mas a relatora do processo, desembargadora Ana Luiza Liarte entendeu que cabe à Administração Pública o dever de zelar pela segurança de seus empregados. "A morte prematura do pai e marido dos autores causou alteração do bem estar psíquico, aflição física e espiritual a ensejar o dever à devida reparação", disse.
De acordo com a relatora, os documentos anexados aos autos comprovam os gastos com despesas médicas do servidor, mas o valor da indenização por danos morais estaria excessivo. Ela reduziu a quantia pela metade, fixando em R$ 60 mil para cada autor.
Os desembargadores Ferreira Rodrigues e Ricardo Feitosa participaram do julgamento e acompanharam o voto da relatora.
Apelação nº: 9133838-08.2008.8.26.0000"