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Boulos, Maximiliano Garcez, da Advocacia Garcez e
a estudante secundarista Ana Júlia Ribeiro |
Último palestrante do curso “Os desafios para
a intervenção política e sindical: teoria e prática", que a Advocacia
Garcez promoveu nesta segunda (6) e terça-feira (7) em São Paulo, o membro da
coordenação do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) Guilherme Boulos disse
acreditar em um colapso social preste a eclodir.
Para ele, o ataque a direitos promovidos pelo ilegítimo Michel Temer (PMDB)
promoverá uma reação popular, ainda que em proporções impossíveis de serem
avaliadas, mas que terá como resposta a violência e a repressão, já que o
governo golpista não tem plano ‘B’.
“Numa tacada só, o
Temer atingiu a espinha dorsal do pacto Lulista, o pacto da rede de proteção
social da Constituição de 1988 e o pacto varguista dos anos 1930, desmontando a
CLT, ousadia que a ditadura militar não teve em 20 anos. O povão da periferia
que não foi às ruas contra ou a favor do golpe, porque entendeu isso como briga
de políticos, agora começa a enxergar de outra forma. Porque estamos afundados
numa das piores recessões da história, o desemprego pode ultrapassar 20%,
alguns estados já estão falindo, temos polícia entrando em greve e serviços
públicos à beira do colapso”, pontuou.
Segundo ele, a esquerda pode direcionar o
processo de mobilização que estará em curso, desde que tenha unidade, a atuação
focada de todos os movimentos no trabalho de base e a reinvenção de caminhos.
A ideia é iniciar o diálogo pelo básico, a
conversa com os vizinhos, nos bairros, nos espaços ocupados por outras forças depois
da debandada das organizações populares.
“As igrejas tomaram o espaço das organizações
populares porque fazem trabalho de base. Em qualquer periferia há uma igreja
evangélica que escuta as demandas e acolhe. Muitas vezes um crescimento que é
transformado em um projeto reacionário e conservador”, definiu.
Ao tratar da perda de representatividade dos movimentos
sociais, em especial, o movimento sindical, Boulos apontou como causa,
primeiro, a reestruturação do capitalismo na América Latina nos últimos 20
anos.
“O neoliberalismo não veio apenas como
entrega do patrimônio nacional, redução da capacidade de investimento no Estado,
mas também com avalanche de desregulamentação que dificulta a organização dos
trabalhadores. O movimento operário mais conservador achava que a luta da
fábrica era a que valia, que as demais, como a luta pelo teto, eram auxiliares,
mas vimos a ascensão de movimentos de trabalhadores que não se organizam a
partir da fábrica e sim de interesses regionais.”
Com isso, ao perder o bonde da história, é
preciso fazer alianças, indica. “O movimento sindical não foi substituído, não
há mudança social sem participação dos trabalhadores organizados e sem
participação dos sindicatos. Mas o movimento sindical sozinho não dá mais conta
do desafio de organização da classe trabalhadora. A alternativa para isso é a construção
de amplas unidades em que movimento sindical, o sem terra, as ocupações da
juventude façam surgir sujeitos para a transformação social no país”, defendeu.
Por outro lado, ele avaliou que a dificuldade
de mobilização não é apenas estrutural. Há outros fatores, conjunturais.
“Paga-se o preço pelas opções adotadas no
último período. O movimento sindical quer fazer a greve geral, mas se você fica
15 anos sem mobilizar trabalhadores, não é de uma hora para outra que se faz.
Fez uma aposta institucional, uma opção de se distanciar, então, quando
precisou, o povo não estava mais ali. Se o MTST hoje coloca 25 mil pessoas nas
ruas de São Paulo é porque nos últimos 15 anos estávamos amassando barro,
fazendo trabalho com o povo e não disputando conselhos de cidades achando que
isso resolve. Achando que disputar nacos do Estado resolveria”, alfinetou.
Unidade
multinacional
Ponto comum a todos os convidados do curso promovido pela Advocacia Garcez, a
ideia de alianças, laços, trabalho conjunto foi tema também da intervenção do presidente
da Associação de Advogados Trabalhistas da Argentina, Matias Cremonte.
A questão, segundo ele, é
avaliar se nesses anos em que o movimento sindical teve acesso a cargos, também
conseguiu chegar ao poder. Na visão dele, o que ocorreu foi justamente o
contrário.
“Todos os governo
populares da América Latina foram eleitos com apoio dos movimentos sociais, mas
quando esses governos terminaram, os movimentos ficaram mais debilitados do
estavam antes.”
O momento atual, avalia, é de avanço sobre os
direitos sociais em todo o território, com governos de direita e, sobretudo,
com as mesmas multinacionais que buscam recuperar o poder na fábrica e os
lucros. Cabe ao movimento sindical, falou, organizar-se da mesma forma para
enfrentar esse cenário.
“O movimento sindical tem a oportunidade de
regionalmente, ou melhor, internacionalmente de fazer a defesa unificada de seus
interesses. As empresas são as mesmas em todo o continente, mas os
trabalhadores não estão juntos na luta contra esses mesmos empresários para
responder ao avanço do capital.”
Próximas etapas
Após a conclusão do curso em São Paulo, a Advocacia Garcez levará a atividade para o Rio de Janeiro e Brasília.
Confira abaixo a programação:
RIO DE
JANEIRO: 9 e 10 de fevereiro de 2017
Local:
Advocacia Garcez. Pça. Floriano, 55 (Edifício Amarelinho).
Cinelândia.
Dia 9 de
fevereiro de 2017
Atividade 1: “Capital Internacional, Trabalho Local
– sindicatos brasileiros e latino-americanos diante dos desafios da economia
globalizada”
Dia 10 de
fevereiro de 2017
Atividade 2: “Resistindo dentro das Instituições – o
que e como as organizações sindicais brasileiras podem fazer para pressionar as
instituições estatais”
BRASÍLIA-DF:
13 e 14 de fevereiro de 2017
Local:
Advocacia Garcez. SHIS QI 7, Conjunto 13, Casa 8, Lago Sul
Dia 13 de
fevereiro de 2017
Atividade 1: “Capital Internacional, Trabalho Local
– sindicatos brasileiros e latino-americanos diante dos desafios da economia
globalizada”
Dia 14 de fevereiro de 2017
Atividade 2: “Resistindo dentro das Instituições – o
que e como as organizações sindicais brasileiras podem fazer para pressionar as
instituições estatais”
Os eventos supracitados no RJ e Brasília terão programação idêntica à do evento
em São Paulo, com possíveis modificações quanto a alguns dos convidados
nacionais.
Atividades Opcionais – Brasília-DF: 15 e 16 de
fevereiro de 2017
Local:
Advocacia Garcez. SHIS QI 7, Conjunto 13, Casa 8, Lago Sul.
Dia 15 de
fevereiro de 2017
9h Os
participantes assistirão a julgamentos em Turmas do Tribunal Superior do
Trabalho, se possível tratando de questões sindicais. Serão divididos em grupos,
cada um acompanhado por advogado(a) integrante da Advocacia Garcez e por um
advogado estrangeiro
11h
Câmara dos Deputados – visita a Comissões temáticas e entrevistas com deputados
13h
Intervalo para almoço
14h30 Os
alunos assistirão a julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal
17h30
Intervalo
18h
Visita aos Plenários da Câmara dos Deputados e/ou Senado Federal, a depender
dos projetos em votação
Dia 16 de
fevereiro de 2017
9h Os
participantes assistirão a julgamentos na Seção de Dissídios Individuais I do
Tribunal Superior do Trabalho
11h
Entrevistas com magistrados/(as), deputados/(as) ou senadores/(as)
13h
Intervalo para almoço
15h
Unidade DF da Advocacia Garcez. Comentários dos palestrantes sobre as
visitas
16h
Impressões dos participantes sobre as visitas e sobre o curso
18h
Elaboração pelos palestrantes e participantes do curso de sugestões de ações
concretas pelos movimentos populares e entidades sindicais
19h
Confraternização