| “Autor(es): Agência O globo:Henrique Gomes Batista |
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| Mapeamento do banco indica que os recursos vão puxar economia. País pode crescer até 40% acima da média mundial O investimento, em alta, será a principal locomotiva para o crescimento econômico do país nos próximos anos, segundo previu o BNDES. Um estudo do banco estatal de fomento, a ser divulgado hoje, mapeou investimentos que somarão R$1,6 trilhão entre 2011 e 2014. Isso equivale a uma alta de 62,5% sobre o que foi investido nos setores pesquisados no período entre 2006 e 2009, que somou R$978 bilhões. Como o levantamento é parcial - abrange 60% dos setores industriais, 95% da infraestrutura e 42% da construção civil, representando 48% dos investimentos do país - o banco estima que nos próximos quatro anos o investimento total no Brasil somará R$3,3 trilhões. Esse volume deve fazer com que a taxa de investimento em relação ao Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) hoje na faixa de 19%, suba para 22,4% em 2014. Caso esses números se confirmem, o investimento ocupará, de certa maneira, o espaço que foi das exportações no começo da gestão Lula e do aumento do consumo interno nos últimos anos como principal indutor do crescimento econômico. Enquanto os investimentos crescerão na casa dos 10% ao ano, o consumo das famílias deve se expandir na faixa dos 4% nos próximos anos. Com isso, o país deverá crescer em média 5,8% ao ano entre 2010 e 2015, contra uma média de 3,5% da média mundial: - Na margem, podemos dizer que o investimento puxará o crescimento, embora, claro, a expansão do consumo das famílias será muito importante. O fato importante é que, depois de 25 anos, teremos novamente a possibilidade de crescer de 30% a 40% acima da média mundial - afirmou Ernani Teixeira Torres Filho, superintendente da Área de Pesquisa e Acompanhamento Econômico do BNDES. O levantamento do BNDES leva em conta não apenas os investimentos financiados pelo banco, mas informações de diversas do setores. Economistas da instituição fazem um filtro sobre investimentos anunciados e os que realmente têm chance de sair do papel, com base na experiência da instituição e dados de mercado. Neste levantamento, o BNDES incluiu setores na análise, como a indústria têxtil e o impacto da construção civil. E fez a estimativa para os setores que não entram na pesquisa, devido a dificuldade de colher informações, como o segmento de alimentos e bebidas e a construção civil familiar. Ao extrapolar os investimentos, o banco chegou aos R$3,3 trilhões. - Este foi o levantamento mais difícil, pois há muita diferença entre os setores da economia e divergências entre empresas concorrentes. Diversos fatores pesam de forma diferente cada setor, como a alta do real, o aumento das importações, a elevação no preço das commodities e a dinâmica do mercado interno - afirmou Fernando Pimentel Puga, chefe do Departamento de Acompanhamento Econômico e Operações do banco. Investimento em petróleo muda estrutura da economia Na indústria, o setor de petróleo e gás será o que mais vai ampliar os investimentos: serão R$378 bilhões até 2014, alta de 84% sobre o realizado entre 2006 e 2009. Para Ernani, essa alta, motivada pela exploração do petróleo do pré-sal, mudará a cara da economia brasileira: - Essa é a maior mudança estrutural do país desde os anos 70 - afirmou. O setor químico também tende a aumentar fortemente os investimentos, que chegarão a R$40 bilhões no período. Puga afirma que isso é uma boa notícia, pois o setor, juntamente com eletroeletrônica, é o que mais contribui para o déficit da balança comercial brasileira: Este setor tende a ter uma importância cada vez maior, inclusive em outros setores, como têxtil. O Brasil sempre esteve atrasado e pode ser beneficiado com uma nova cadeia química. Ele afirmou que em outros setores as inseguranças sobre o futuro afetaram a previsão de investimentos, como na siderurgia. O levantamento também apontou que, em infraestrutura, o setor de telecomunicações tende a passar por uma fase de pequeno crescimento de investimentos por já ter vivido, no fim dos anos 90 e início dos anos 2000, o período mais forte de expansão de rede. A partir de agora, o setor deve concentrar os investimentos em manutenção e novas tecnologias, que são menos intensivos em capital. Infraestrutura pode receber 3% do PIB em 2014 Puga lembrou que os investimentos em infraestrutura serão fortalecidos nos setores em que há maior déficit: saneamento, ferrovias e portos. Para ele, isso é fundamental para que o país vive um novo ciclo de ganhos de competitividade: - Devemos passar de uma fase de 2% do PIB em investimentos em infraestrutura para algo na casa dos 3% em 2014. É um bom crescimento, embora abaixo dos países asiáticos, que investem entre 5% e 7% do PIB no setor - disse. O ganho de competitividade, na opinião de Ernani, terá de ser ampliado por toda a economia para que o crescimento do país ocorra. Ele cita como exemplo a situação do emprego. - A Odebrecht, por exemplo, passou de 45 mil funcionários para 80 mil. O crescimento do emprego durante a crise global de 2009 foi impressionante. A partir de agora, as empresas não poderão contar com excesso de mão-de-obra para crescer, é necessário aumentar a produtividade - disse Ernani. Ele disse também que o país precisará ampliar outras fontes de financiamento para que estes investimentos. Ele afirmou que, entre 2004 e 2007, 50% dos investimentos eram oriundos de lucros retidos das empresas, 25% do BNDES - direta ou indiretamente - e 25% do mercado financeiro, incluindo o externo. Ele disse que o peso do BNDES passou de 30% em 2009 e que o país precisa de financiamento privado de longo prazo.” Cadastre-se para receber a newsletter da Advocacia Garcez em nosso site: http://www.advocaciagarcez.adv.br |
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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
“BNDES: investimentos de R$3,3 tri até 2014” (Fonte: O Globo)
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Matéria do Valor Econômico analisa reajustes obtidos pelos metalúrgicos, químicos, bancários e petroleiros
Matéria publicada hoje pelo jornal Valor Econômico analisa reajustes obtidos pelos metalúrgicos, químicos, bancários e petroleiros. Apesar do título da reportagem não ser apropriado (o "lucro" na verdade é das grandes montadoras), há dados úteis na matéria abaixo.
Maximiliano Nagl Garcez
Advocacia Garcez
"Metalúrgicos do ABC lucram na era Lula
| Com Lula em Brasília, reajuste real foi mais elevado no ABC |
| Autor(es): João Villaverde | De São Paulo |
| Valor Econômico - 19/01/2011 |
Numa década governada em 80% do tempo por um ex-líder sindical dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo (SP), as negociações salariais envolvendo os operários das quatro montadoras da região do ABC paulista registraram o avanço mais expressivo num grupo de quatro categorias tradicionais. Enquanto os petroleiros da Petrobras acumularam ganhos de 1,3% acima da inflação registrada entre 2000 e 2010 e os bancários viram seus rendimentos reais crescerem 3,4%, os operários das montadoras do ABC registraram ganho real de 37,4%, mais que o dobro do já expressivo resultado alcançado pelos químicos - 15,2% acima da inflação no período. Contando com uma das mais estruturadas organizações sindicais do país, e negociando com empresas estimuladas por políticas de incentivos fiscais e expansão do crédito, metalúrgicos da Ford, Scania, Volkswagen e Mercedes obtiveram acordos acima da média mesmo em uma década marcada pela descentralização da indústria automobilística no país - em 2000, a GM começou a operar em Gravataí (RS), e em 2001, a Ford iniciou a produção em Camaçari (BA). "Não se pode falar em vantagens aos metalúrgicos simplesmente porque na maior parte da década o presidente era o Lula, mas porque o processo de reestruturação das montadoras, dos anos 90, acabou e, ao mesmo tempo, o crescimento econômico se acelerou", avalia Sérgio Mendonça, supervisor técnico das pesquisas do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). De maneira geral, o período entre 2000 e 2010 foi caracterizado por um movimento coordenado dos sindicatos, que viram suas prioridades passarem da "resistência" às demissões para o "medo" de ver o acelerado ritmo de crescimento ser abortado por falta de mão de obra qualificada. A demanda por trabalhadores especializados deu aos sindicatos um poder de barganha inédito nas últimas três décadas. Diante do quadro de falta de pessoal qualificado na quantidade exigida pelas empresas, os sindicatos passaram a negociar salários maiores e benefícios, como reduções de jornada e aumento do preço da hora extra. Entre os metalúrgicos, as vantagens foram ainda mais claras, pois a indústria automobilística foi o principal alvo da política anticíclica de combate à crise mundial. O cenário vivido por metalúrgicos, químicos, bancários e petroleiros nos últimos dez anos é resumido por Sérgio Novais, secretário de administração e finanças da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Indústria Química (CNQ): "A década começou péssima, melhorou rapidamente e terminou muito bem, mas há muitas ressalvas quanto ao futuro". Eleito presidente da República em 2002, Luiz Inácio Lula da Silva surgiu no cenário nacional em 1975, quando se tornou presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, posição que ocupou até 1982 - protagonizando, no período, o auge das greves, então proibidas pelo regime militar, que aceleraram o debate sobre a redemocratização do país. Com Lula na Presidência, o cenário vivido pelos metalúrgicos do ABC nos anos 90 foi deixado rapidamente para trás. A queda da inflação facilitou o trabalho dos sindicatos, pois aumentos reais pequenos tinham mais impacto na renda. Mas, segundo os sindicalistas, o ritmo da economia foi preponderante para explicar a mudança de patamar. "Era uma fase terrível [o começo da década]", diz Sérgio Nobre, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, "na esteira do que foi a década de 90, isto é, com cortes de pessoal, inflação alta e falta de perspectivas quanto a mudanças". Nas negociações salariais de 2000, conduzidas pelo então presidente sindicato Luiz Marinho - hoje prefeito de São Bernardo - o caso foi parar, pela primeira e única vez, no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que concedeu 3% de reajuste real. Dez anos depois, as negociações foram fechadas uma semana após o início formal e diante de uma ameaça de greve. Entre 2001 e 2003, os bancários tiveram reajustes salariais inferiores à inflação. No primeiro ano do governo Lula, a perda frente à inflação foi a pior desde 1994 - o reajuste ficou 4,92% abaixo da variação acumulada do INPC em outubro daquele ano (17,5%), na data-base da categoria. "Não tínhamos sequer negociações iguais, porque os bancos públicos não sentavam para negociar", diz Carlos Cordeiro, coordenador da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf). "Chegamos a entregar uma pauta de reivindicações para um dos seguranças da portaria da Caixa Econômica Federal, em Brasília. Hoje o cenário é completamente diferente", afirma Cordeiro. O fraco desempenho nas negociações salariais foi ampliado pelo enxugamento das categorias, que atingiram o fundo do poço entre 2002 e 2003 e, nos seguintes, recuperaram parte do tamanho que tinham em 1990, quando se iniciou o processo de abertura da economia. Quando assumiu pela primeira vez um cargo na direção do Sindicato dos Químicos do ABC, em 1991, Novais respondia por uma categoria de 45 mil trabalhadores. "Só fui voltar a ver uma categoria desse tamanho no ABC no ano passado", diz Novais. Em 2002, a base recuou para 32 mil trabalhadores, patamar que passou a crescer aceleradamente a partir de 2006. "O processo de recuperação começou pelo pessoal que trabalha na indústria farmacêutica, impulsionada, no começo da década, pelos genéricos. Em seguida, foi o segmento dos plásticos, acompanhando um movimento mundial da economia, passando por papel e celulose e atingindo, agora, a petroquímica", afirma o sindicalista. Segundo João Moraes, presidente da Federação Única dos Petroleiros (FUP), o setor petroleiro acompanhou, na década, o desenvolvimento da Petrobras. Eram cerca de 60 mil funcionários, em 1994, antes da abertura do setor, base que caiu pela metade até 2002, antes de iniciar uma recuperação acelerada, atingindo os atuais 75 mil trabalhadores. "No começo da década, os investimentos em inovação e perfuração eram tímidos, então a demanda por trabalhadores era fraca e as negociações complicadas. A partir de 2005 e 2006, os investimentos aumentaram muito, fechando a década com o descobrimento do pré-sal e o debate sobre o regime de partilha", conta o líder da FUP, entidade que comandou a greve dos petroleiros, em 1995, quando o governo Fernando Henrique Cardoso, em seu primeiro ano, aprovou a reforma do marco regulatório do setor. Entre os bancários, no entanto, o processo de terceirização - criticado pelos sindicalistas de todos os setores - foi central para explicar o enxugamento da base, que não conseguiu se recuperou ao longo da década. Segundo dados da Contraf, em 2000 os bancos tinham 800 mil funcionários, quase o dobro dos atuais 430 mil. "A tecnologia aumentou muito, claro, mas o número de correntistas também. A redução de trabalhadores não foi apenas produtividade, mas terceirização", diz Cordeiro. Para Nobre, dos metalúrgicos do ABC, a principal mudança na década foi na "mentalidade do empresariado" e, principalmente, "na percepção da sociedade como um todo" quanto aos efeitos benéficos de aumentar os salários. "Na década de 90 e primeiros anos da década passada, se alguém falava em aumentar salário, logo vinha algum membro do governo ou da sociedade levantar a voz e dizer que aquilo geraria inflação", diz o líder metalúrgico. "Isso foi totalmente desmistificado nos últimos anos, quando os salários, a começar pelo mínimo, subiram muito e a inflação não foi um terror." Puxado pelo mercado interno, o Produto Interno Bruto (PIB) do ano passado passou por avanço superior a 7,5% pela primeira vez em 24 anos, desencadeando problemas na oferta de mão de obra qualificada. Os gastos do governo federal com programas de qualificação foram 73,3% menores sob o governo Lula que durante o governo FHC, quando, no entanto, o saldo de empregos formais foi 150% inferior. "Nosso medo hoje é que o crescimento seja travado por um gargalo de mão de obra qualificada", diz Novais, líder dos trabalhadores do setor químico." |
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
"Salários sobem muito acima da inflação" (Fonte: Valor Econômico)
Extraído de Valor Econômico, edição de 13.12.2010. Autor: João Vilaverde.
"Conjuntura: Reajustes totais obtidos por sindicatos com data-base no segundo semestre ficaram perto de 10%
O aumento da inflação não impediu que os acordos salariais firmados no quarto trimestre atingissem reajustes próximos à casa dos dois dígitos. De setembro a novembro, quando a maior parte dos sindicatos com data-base no segundo semestre negocia salários, a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) saltou 1,1 ponto percentual, passando de 4,3% nos 12 meses acumulados até 1º de setembro para 5,4% nos 12 meses acumulados em novembro.
Ainda assim, os 270 mil metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, cuja data-base é em novembro, conquistaram os mesmos 9% que os 102 mil metalúrgicos do ABC atingiram em setembro. O aumento real, no entanto, foi diferente - enquanto no ABC os salários tiveram um salto de 4,7% acima da inflação, em São Paulo e Mogi esse reajuste foi de 3,6%.
Se no primeiro semestre do ano o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) levantou que o equivalente a 87% das categorias obtiveram reajustes salariais acima da inflação - o maior percentual da série histórica do Dieese -, o segundo semestre, avalia José Silvestre, coordenador de relações sindicais do Dieese, foi, no mínimo, igual. O Valor levantou dez categorias, em diferentes regiões do país, com data-base no segundo semestre e o pior aumento real que encontrou foi de 1,7%.
Para Vanderlei Sartori, diretor da Federação de Trabalhadores nas Indústrias de Alimentos do Paraná, o período entre julho e dezembro de 2010 pode ser chamado de o melhor segundo semestre da história. Os quase 80 mil operários representados pela entidade tiveram um reajuste de 8,7% nos salários, embutindo um aumento de 3,1% acima da inflação.
A euforia do sindicalista paranaense foi dividida por comerciários de São Paulo e Florianópolis, trabalhadores na indústria têxtil de Caxias do Sul (RS) e de Blumenau (SC), garçons e gerentes de restaurantes e hotéis cariocas e eletricitários do Sergipe, que não tiveram reajuste real, mas tiveram sua dívida com o plano de saúde cortada em 42 pontos percentuais por mês e um abono de R$ 1 mil.
Antes deles, no começo do semestre, metalúrgicos de Campinas e São José dos Campos, em São Paulo, e de Curitiba, no Paraná, também conquistaram reajustes recordes, com taxas próximas à casa dos dois dígitos. Situação semelhante à de petroleiros e bancários que, em setembro e outubro, respectivamente, garantiram aumentos salariais de 9% nominais.
Tivemos ganhos reais acima das nossas demandas mais otimistas, diz Sartori, para quem as empresas já se dispunham a conceder aumentos reais logo de partida, diferentemente das negociações tradicionais, em que oferecem apenas a reposição da inflação na primeira reunião. Até nós ficamos surpresos, diz.
Cerca de 510 mil comerciários paulistas tiveram, neste mês, o maior reajuste salarial da década, depois que os sindicatos dos comerciários de São Paulo (470 mil trabalhadores) e Campinas, Valinhos e região (40 mil comerciários) conquistaram uma alta nominal de 7,5% nos salários.
Os quase 300 mil trabalhadores de indústrias químicas de São Paulo tiveram reajuste real de 2,8%, em acordo fechado no início do mês. Os 50 mil funcionários das mais de 6 mil padarias da Grande São Paulo tiveram, no mês passado, reajuste de 8,7% nos salários, sendo 3,14% acima da inflação. Segundo Francisco Pereira, o Chiquinho, presidente do sindicato, o momento de entusiasmo econômico facilitou nas negociações.
Quando sentamos para conversar, os patrões sempre surgem com dados negativos, parece que estão falidos, diz Chiquinho, para quem dá vontade de tirar as moedas do bolso e dar a eles. Chiquinho afirma que os sindicatos precisam estar muito bem informados sobre a economia para dialogar.
Os reajustes salariais expressivos são resultado de dois fatores combinados - o bom momento vivido pela economia, cujo Produto Interno Bruto (PIB) pode registrar avanço superior a 7,5% pela primeira vez em 24 anos, e a forte geração de empregos - saldo de 2,4 milhões de vagas formais criadas entre janeiro e outubro e queda na taxa de desemprego. Com isso, o trabalhador passa a ser disputado pelas empresas. Esse processo, explica Silvestre, do Dieese, dá aos sindicatos maior poder de barganha no momento de negociar acordos mais relevantes - seja nos salários, seja nas condições trabalhistas (cestas básicas, redução de jornada e horas extras).
Conseguimos, neste ano, realizar pequenas paralisações e greves em grandes empresas, expediente que não realizamos há muito tempo, afirma Sartori, para quem as greves foram decisivas para os reajustes recordes.
Nos últimos seis anos tivemos reajustes crescentes, culminando com este resultado de 2010, o melhor da década, diz Miguel Torres, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, que garantiu reajuste de 9% para os 270 mil trabalhadores no Estado, cuja data-base ocorre em novembro. O forte crescimento do país, puxado, neste ano, pela retomada da indústria, que sofreu mais a crise em 2009, ajudou a mobilizar os trabalhadores, que passaram a ter várias empresas oferecendo empregos e aumentos salariais, afirma o líder sindical. Vimos placas de precisa-se nas portas das fábricas, algo que estava extinto havia 20 anos, diz Torres.
Mesmo quem não aproveitou a bonança, no segundo semestre, não ficou decepcionado. O Sindicato dos Eletricitários de Sergipe conquistou, com a Energisa, um acordo que apenas repõe a inflação. Mas Sergio Alves, presidente do sindicato, avalia que o acordo foi dos melhores possíveis, uma vez que a principal demanda dos cerca de 900 trabalhadores era reduzir o reajuste de 66% que as mensalidades do plano de saúde sofreriam a partir de janeiro. Rebaixamos para 24%, além de um abono de R$ 1 mil, diz Alves."
"Conjuntura: Reajustes totais obtidos por sindicatos com data-base no segundo semestre ficaram perto de 10%
O aumento da inflação não impediu que os acordos salariais firmados no quarto trimestre atingissem reajustes próximos à casa dos dois dígitos. De setembro a novembro, quando a maior parte dos sindicatos com data-base no segundo semestre negocia salários, a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) saltou 1,1 ponto percentual, passando de 4,3% nos 12 meses acumulados até 1º de setembro para 5,4% nos 12 meses acumulados em novembro.
Ainda assim, os 270 mil metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, cuja data-base é em novembro, conquistaram os mesmos 9% que os 102 mil metalúrgicos do ABC atingiram em setembro. O aumento real, no entanto, foi diferente - enquanto no ABC os salários tiveram um salto de 4,7% acima da inflação, em São Paulo e Mogi esse reajuste foi de 3,6%.
Se no primeiro semestre do ano o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) levantou que o equivalente a 87% das categorias obtiveram reajustes salariais acima da inflação - o maior percentual da série histórica do Dieese -, o segundo semestre, avalia José Silvestre, coordenador de relações sindicais do Dieese, foi, no mínimo, igual. O Valor levantou dez categorias, em diferentes regiões do país, com data-base no segundo semestre e o pior aumento real que encontrou foi de 1,7%.
Para Vanderlei Sartori, diretor da Federação de Trabalhadores nas Indústrias de Alimentos do Paraná, o período entre julho e dezembro de 2010 pode ser chamado de o melhor segundo semestre da história. Os quase 80 mil operários representados pela entidade tiveram um reajuste de 8,7% nos salários, embutindo um aumento de 3,1% acima da inflação.
A euforia do sindicalista paranaense foi dividida por comerciários de São Paulo e Florianópolis, trabalhadores na indústria têxtil de Caxias do Sul (RS) e de Blumenau (SC), garçons e gerentes de restaurantes e hotéis cariocas e eletricitários do Sergipe, que não tiveram reajuste real, mas tiveram sua dívida com o plano de saúde cortada em 42 pontos percentuais por mês e um abono de R$ 1 mil.
Antes deles, no começo do semestre, metalúrgicos de Campinas e São José dos Campos, em São Paulo, e de Curitiba, no Paraná, também conquistaram reajustes recordes, com taxas próximas à casa dos dois dígitos. Situação semelhante à de petroleiros e bancários que, em setembro e outubro, respectivamente, garantiram aumentos salariais de 9% nominais.
Tivemos ganhos reais acima das nossas demandas mais otimistas, diz Sartori, para quem as empresas já se dispunham a conceder aumentos reais logo de partida, diferentemente das negociações tradicionais, em que oferecem apenas a reposição da inflação na primeira reunião. Até nós ficamos surpresos, diz.
Cerca de 510 mil comerciários paulistas tiveram, neste mês, o maior reajuste salarial da década, depois que os sindicatos dos comerciários de São Paulo (470 mil trabalhadores) e Campinas, Valinhos e região (40 mil comerciários) conquistaram uma alta nominal de 7,5% nos salários.
Os quase 300 mil trabalhadores de indústrias químicas de São Paulo tiveram reajuste real de 2,8%, em acordo fechado no início do mês. Os 50 mil funcionários das mais de 6 mil padarias da Grande São Paulo tiveram, no mês passado, reajuste de 8,7% nos salários, sendo 3,14% acima da inflação. Segundo Francisco Pereira, o Chiquinho, presidente do sindicato, o momento de entusiasmo econômico facilitou nas negociações.
Quando sentamos para conversar, os patrões sempre surgem com dados negativos, parece que estão falidos, diz Chiquinho, para quem dá vontade de tirar as moedas do bolso e dar a eles. Chiquinho afirma que os sindicatos precisam estar muito bem informados sobre a economia para dialogar.
Os reajustes salariais expressivos são resultado de dois fatores combinados - o bom momento vivido pela economia, cujo Produto Interno Bruto (PIB) pode registrar avanço superior a 7,5% pela primeira vez em 24 anos, e a forte geração de empregos - saldo de 2,4 milhões de vagas formais criadas entre janeiro e outubro e queda na taxa de desemprego. Com isso, o trabalhador passa a ser disputado pelas empresas. Esse processo, explica Silvestre, do Dieese, dá aos sindicatos maior poder de barganha no momento de negociar acordos mais relevantes - seja nos salários, seja nas condições trabalhistas (cestas básicas, redução de jornada e horas extras).
Conseguimos, neste ano, realizar pequenas paralisações e greves em grandes empresas, expediente que não realizamos há muito tempo, afirma Sartori, para quem as greves foram decisivas para os reajustes recordes.
Nos últimos seis anos tivemos reajustes crescentes, culminando com este resultado de 2010, o melhor da década, diz Miguel Torres, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, que garantiu reajuste de 9% para os 270 mil trabalhadores no Estado, cuja data-base ocorre em novembro. O forte crescimento do país, puxado, neste ano, pela retomada da indústria, que sofreu mais a crise em 2009, ajudou a mobilizar os trabalhadores, que passaram a ter várias empresas oferecendo empregos e aumentos salariais, afirma o líder sindical. Vimos placas de precisa-se nas portas das fábricas, algo que estava extinto havia 20 anos, diz Torres.
Mesmo quem não aproveitou a bonança, no segundo semestre, não ficou decepcionado. O Sindicato dos Eletricitários de Sergipe conquistou, com a Energisa, um acordo que apenas repõe a inflação. Mas Sergio Alves, presidente do sindicato, avalia que o acordo foi dos melhores possíveis, uma vez que a principal demanda dos cerca de 900 trabalhadores era reduzir o reajuste de 66% que as mensalidades do plano de saúde sofreriam a partir de janeiro. Rebaixamos para 24%, além de um abono de R$ 1 mil, diz Alves."
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