"A taxa de desemprego calculada em sete regiões metropolitanas na Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), realizada em parceria pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) subiu para 10,1% em fevereiro, frente a 9,5% em janeiro. Em fevereiro de 2011, a taxa foi de 10,5%. Esse movimento de janeiro para fevereiro é considerado normal, já que muitos trabalhadores temporários ainda estão sendo desligados e há um ajuste no mercado de trabalho."
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quinta-feira, 29 de março de 2012
sexta-feira, 11 de março de 2011
“Freio no aumento real de salários” (Fonte: Correio Braziliense)
“Ganho real mais distante em 2011 |
Autor(es): Cristiane Bonfanti |
Se, em 2010, 90% das negociações acabaram em índices de reajuste iguais ou acima da inflação, o panorama deve mudar este ano. Os empresários alegam que a economia está desacelerando e deve haver dificuldade na conversa com os trabalhadores. Esfriamento da economia deve dificultar as negociações salariais entre patrões e empregados. Ao contrário de 2010, reajustes acima da inflação tendem a diminuir As negociações salariais entre patrões e empregados não serão nada fáceis neste ano. Se, em 2010, mais de 90% dos acordos resultaram em reajustes iguais ou acima da inflação, em 2011, os sindicatos terão de travar uma verdadeira queda de braço se quiserem assegurar ganhos semelhantes às suas bases. De um lado, os empresários alegam que, como a atividade econômica está em desaceleração, não podem oferecer aumentos reais. De outro, os trabalhadores reclamam que a alta dos preços está corroendo o poder de compra, sobretudo de quem ganha menos. O coordenador de Relações Sindicais do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), José Silvestre Prado, explica que, mais do que em outras épocas, o empresariado tende a endurecer o jogo. “Todo o pano de fundo é o crescimento da economia. Mas os sindicatos devem continuar na briga pelo aumento real”, resume. Nas previsões do mercado, o Produto Interno Bruto (PIB) avançará entre 3,2% e 3,9% neste ano, sendo que um dos pilares será o setor de serviços. Bancários, metalúrgicos, professores, rodoviários e petroleiros já se organizam para lançar campanhas salariais duras. Na lista de prioridades estão, entre outras coisas, reposições acima da inflação no contracheque, atualizações no valor dos principais benefícios e aumento na participação nos lucros das companhias. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) admite certa tensão durante as negociações diante das mudanças do cenário macroeconômico. O diretor de Relações do Trabalho da entidade, Magnus Ribas Apostólico, afirma que, embora seja cedo para excluir as possibilidades de aumento real, a tendência é que os reajustes ocorram em ritmo menor que os observados nos últimos seis anos. “Nossa negociação ocorre apenas em agosto e setembro e, agora, estamos observando o mercado. Como teremos crescimento econômico menor, os acordos devem girar em torno da inflação”, destaca. Carência Enquanto a maioria dos trabalhadores enfrentará obstáculos para conseguir ganhos reais de salário, profissionais qualificados continuam em alta no mercado. Com isso, para conseguir oferecer serviços ou produtos de qualidade, as empresas têm apenas duas saídas: treinar o trabalhador ou pagar mais para tirá-lo da concorrência. “Esse é outro dado da conjuntura. Falta mão de obra em alguns setores”, explica Silvestre Prado, do Dieese. Entre os setores mais carentes, destacam-se construção civil e tecnologia da informação. Além disso, ressalta o especialista, mesmo que haja um desaquecimento da economia neste ano, em 2012 o cenário tem tudo para ser promissor. “No próximo ano, o salário mínimo deve aumentar entre 13% e 14%, o que terá um possível impacto positivo nas negociações”, reforça Prado. Em 2010, o Brasil criou 2,5 milhões de empregos formais, conforme dados oficiais do Ministério do Trabalho, um recorde. Em janeiro passado, a taxa de desocupação chegou a 6,1% em janeiro, considerada por especialistas o patamar mais próximo do pleno emprego. Empresas pressionadas Luciano Pires O Ministério Público do Trabalho (MPT) quer obrigar as empresas privadas a fazer valer uma regra que, apesar de constitucional, é letra morta nas relações entre patrão e empregado. A Carta Magna, em seu artigo 11, prevê que companhias com mais de 200 funcionários devem assegurar a eleição de um deles para representá-los na cúpula da organização. O mecanismo dá mais voz à base e retira dos sindicatos a exclusividade de falar em nome do trabalhador. Por desinteresse dos empregadores, a lei vem sendo ignorada há duas décadas, mas isso tende a mudar. A possibilidade de negociar salários e melhores condições diretamente com presidentes e diretores de corporações é encarada pelo MPT como um direito fundamental. Ricardo José Macedo de Britto Pereira, procurador do trabalho, diz que a medida precisa ser assegurada a qualquer custo, ainda que o setor privado e o sindicalismo de um modo geral resistam. “A intenção é aproximar os empregados e estimular os sindicatos a terem uma atuação mais presente. Boa parte dos trabalhadores está à margem dos sindicatos”, justifica Pereira. Até agora, as ações têm sido no sentido de dialogar, colher sugestões e convencer o empresariado a adotar a ferramenta. Na próxima segunda-feira, em São Paulo, procuradores do trabalho e representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Confederação Nacional do Comércio (CNC) vão se reunir para traçar as linhas básicas de um plano que visa incentivar redes supermercadistas e empresas da construção civil a realizarem as primeiras eleições de representantes. Se não houver avanços, Pereira admite que a saída será buscar na Justiça a garantia para o cumprimento da norma. “A expectativa é que haja um efeito cascata”, completa o procurador do trabalho. No Senado Está na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado um projeto de lei que regulamenta a eleição de representantes dos empregados nas empresas com quadro funcional superior a 200 pessoas. A proposta conta com a simpatia de parlamentares da base de apoio ao governo e da oposição. O texto, se aprovado, deverá colocar fim à polêmica jurídica que há tantos anos emperra a realização da escolha de um funcionário para falar em nome dos demais em uma mesma empresa. AOL fará corte de 20% A AOL, portal americano de internet, vai cortar cerca de 20% de sua força de trabalho global. Em meio a uma reorganização corporativa, com o enxugamento e mudanças na gestão, a empresa pretende alcançar rivais que estão em franca expansão, como o Google e o Facebook. Mais de 900 funcionários dos 5 mil trabalhadores da companhia perderão seus empregos. A companhia vai cortar cerca de 400 empregados na Índia, terceirizar outras 300 posições e eliminar cerca de 200 postos de trabalho nos Estados Unidos. Em seu auge, a AOL já teve mais de 20 mil funcionários em todo o mundo, mas desde a fusão com a Time Warner, em 2001, e seu desmembramento em 2009, tem perdido espaço devido à grande competição no mercado de internet. “Queremos dirigir uma empresa lucrativa, que mostre crescimento, e seja direcionada para a produção de conteúdo e para a publicidade”, disse ontem o presidente-executivo da AOL, Tim Armstrong, em uma audiência com executivos do setor de mídia em Nova York, nos Estados Unidos, confirmando os cortes. A receita de publicidade do AOL vem caindo fortemente. Durante o quarto trimestre de 2010, o recuo foi de 29%, batendo em US$ 331,6 milhões.” Siga-nos no Twitter: www.twitter.com/AdvocaciaGarcez Cadastre-se para receber a newsletter da Advocacia Garcez em nosso site: http://www.advocaciagarcez.adv.br |
quinta-feira, 3 de março de 2011
Mulher ganha 76% do que o homem recebe, diz estudo (Fonte: Valor Econômico)
“Autor(es): Francine De Lorenzo | De São Paulo |
Embora a participação das mulheres no mercado de trabalho tenha crescido na última década, com grau de instrução superior ao dos homens, os salários delas continuam sendo menores, de acordo com estudo realizado pela Fundação Seade e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), na região metropolitana de São Paulo. Segundo o levantamento, as mulheres ganham 75,7% do valor pago aos homens para o desempenho das mesmas funções. A diferença de remuneração, entretanto, caiu se comparado ao ano de 2000, já que naquela época o salário das mulheres equivalia a 73,6% do salário dos homens. Nos cargos com nível superior completo, a diferença de remuneração entre homens e mulheres é maior: elas recebem 63,8% do valor pago a eles para as mesmas funções, menos que em 2000, quando esse percentual era de 65,2%. Na última década, a escolaridade das mulheres melhorou, com 17,1% das profissionais apresentando ensino superior completo. Em 2000, esse percentual era de 12,9%. Entre os homens, apenas 13% apresentam nível superior completo, embora tenha havido um avanço frente aos 10,8% do início da década passada. Entre 2009 e 2010, a participação feminina no mercado de trabalho (proporção das mulheres com idade acima de dez anos em situação de ocupadas ou desempregadas) subiu de 55,9% para 56,2%, enquanto para os homens, o indicador ficou estável, passando de 71,5% para 71,6%. A taxa de desemprego total entre as mulheres diminuiu pelo sétimo ano consecutivo em 2010, passando de 16,2% em 2009 para 14,7%. "Para a população feminina foram gerados 163 mil postos de trabalho, volume suficiente para absorver as 99 mil mulheres que ingressaram na força de trabalho metropolitana e reduzir em 64 mil o contingente de desempregadas", destaca o estudo. O resultado reflete a melhora na educação das mulheres. Se em 2000 a maior parte da População Economicamente Ativa (PEA) com nível superior era composta por homens (51,3%), hoje essa posição é ocupada pelas mulheres (53,6%). O nível de ocupação dos profissionais com escolaridade superior cresceu mais rapidamente entre as mulheres do que entre os homens.” Siga-nos no Twitter: www.twitter.com/AdvocaciaGarcez Cadastre-se para receber a newsletter da Advocacia Garcez em nosso site: http://www.advocaciagarcez.adv.br |
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
"Anvisa firma parceria com centrais sindicais" (Fonte: Anvisa)
"Um termo de cooperação entre a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), vai aproximar ainda mais trabalhadores e vigilância sanitária.
“Este trabalho será um marco revolucionário nas relações da vigilância sanitária com os trabalhadores”, sinaliza o diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Raposo de Mello.
Durante dois anos serão empreendidas diversas atividades, entre cursos, seminários e capacitações, com o objetivo de levar os temas de vigilância sanitária aos trabalhadores e coletar o conhecimento acumulado por eles nas rotinas de produção.
Pesquisas qualitativas serão realizadas com o objetivo de conhecer a vigilância sanitária através da visão dos trabalhadores, o que vai fornecer subsídios para o aperfeiçoamento da regulação sanitária.
O projeto prevê ainda a formação de uma rede sindical de informações em vigilância sanitária, que além de difundir informações de saúde para os trabalhadores, poderá funcionar como fonte de informação sobre os problemas relacionados aos processos de fabricação. Outra expectativa é o fortalecimento da capacidade de atuação das Comissões Internas de Prevenção de Acidentes (CIPA) nas empresas.
Para o diretor-técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, a cooperação traz muitas expectativas positivas. “ Esperamos promover maior conscientização do trabalhador no que se refere à proteção da sua saúde no ambiente de trabalho, minimizando riscos e prevenindo danos. Além disso, o conhecimento dos temas da vigilância sanitária vai fazer com que essas pessoas fabriquem produtos cada vez melhores”, afirma Ganz."
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Emprego formal e rendimento médio devem crescer 5% e 4%, respectivamente, em 2011; estimativa é do Dieese (Fonte: Blog do MTE)
Por Vanessa Corrêa
José Silvestre Prado de Oliveira, Coordenador de Relações Sindicais do Dieese, disse ao Blog que para 2011 a estimativa de ocupação deve crescer entre 3 e 4%. Só o emprego formal, com carteira assinada, deve apresentar um crescimento entre 4 e 5%, o que corresponde, em termos absolutos a uma geração de 1,5 a 2 milhões de empregos.
Ele acrescentou que deve continuar a tendência de crescimento do rendimento médio real dos trabalhadores formais e informais entre 3 e 4% em 2011. Estimou também que a massa de rendimento deve crescer em torno de 7 e 8 %.
Taxa de desemprego
Ainda conforme Silvestre, a taxa de desemprego do mês de dezembro deve ser muito parecida com a do mês de novembro. “A taxa vem caindo mês a mês. Na região metropolitana de São Paulo a taxa de desemprego em 2003 era de 20%, hoje está em torno de 10,6%, praticamente caiu para a metade. Isso se repetiu em Porto Alegre (7,7%) e Belo Horizonte (7,5%) atingindo percentual muito próximo do chamado pleno emprego, que é quando a taxa fica em torno de 4 e 5%, apresentando um desemprego quase que inexistente, bem pequeno. Isso se deve à dinâmica, ao crescimento da economia. Outro aspecto a ser destacado é a geração de emprego que deve fechar 2010 com cerca de 15 milhões de postos gerados nos oito anos do governo Lula”, disse ele à reportagem do Blog.
Segundo o coordenador do Dieese, nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro normalmente a taxa de desemprego sobe devido à sazonalidade. A partir de abril a taxa começa uma recuperação e o emprego volta a subir. O comércio, em outubro e novembro, contrata mais trabalhadores devido ao aumento das vendas por conta das festas de final de ano quando há muita contratação temporária e uma parte dos contratados permanece.
Para o técnico do Dieese em 2011 não teremos a mesma geração de empregos de 2010. “O crescimento da economia vai ser menor, entre 4,5 e 5% porque o Banco Central deve aumentar a taxa de juros, puxar o freio de mão da economia, para conter a demanda e controlar a inflação, trazer a inflação para o centro da meta. Por isso em 2011 a geração de empregos não será na mesma proporção”, concluiu José Silvestre Prado de Oliveira."
Ele acrescentou que deve continuar a tendência de crescimento do rendimento médio real dos trabalhadores formais e informais entre 3 e 4% em 2011. Estimou também que a massa de rendimento deve crescer em torno de 7 e 8 %.
Taxa de desemprego
Ainda conforme Silvestre, a taxa de desemprego do mês de dezembro deve ser muito parecida com a do mês de novembro. “A taxa vem caindo mês a mês. Na região metropolitana de São Paulo a taxa de desemprego em 2003 era de 20%, hoje está em torno de 10,6%, praticamente caiu para a metade. Isso se repetiu em Porto Alegre (7,7%) e Belo Horizonte (7,5%) atingindo percentual muito próximo do chamado pleno emprego, que é quando a taxa fica em torno de 4 e 5%, apresentando um desemprego quase que inexistente, bem pequeno. Isso se deve à dinâmica, ao crescimento da economia. Outro aspecto a ser destacado é a geração de emprego que deve fechar 2010 com cerca de 15 milhões de postos gerados nos oito anos do governo Lula”, disse ele à reportagem do Blog.
Segundo o coordenador do Dieese, nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro normalmente a taxa de desemprego sobe devido à sazonalidade. A partir de abril a taxa começa uma recuperação e o emprego volta a subir. O comércio, em outubro e novembro, contrata mais trabalhadores devido ao aumento das vendas por conta das festas de final de ano quando há muita contratação temporária e uma parte dos contratados permanece.
Para o técnico do Dieese em 2011 não teremos a mesma geração de empregos de 2010. “O crescimento da economia vai ser menor, entre 4,5 e 5% porque o Banco Central deve aumentar a taxa de juros, puxar o freio de mão da economia, para conter a demanda e controlar a inflação, trazer a inflação para o centro da meta. Por isso em 2011 a geração de empregos não será na mesma proporção”, concluiu José Silvestre Prado de Oliveira."
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
"O país do pleno #emprego" (Fonte: Istoé Dinheiro)
| "Autor(es): Denize Bacoccina |
| Isto é Dinheiro - 04/01/2011 |
Lula assumiu com desemprego em 11,2%, a taxa caiu pela metade e surgiram 15 milhões de vagas com carteira assinada A partir de 1º de janeiro, Luiz Inácio Lula da Silva será o desempregado mais feliz do Brasil. Na Presidência da República, ele realizou o sonho do operário que virou líder sindical: um país onde quem procura emprego encontra e onde as empresas têm dificuldade em contratar certos profissionais. É a era do pleno emprego, evidenciada pelo índice de 5,7% de desemprego apurado em novembro pelo IBGE, o menor da história do País. Mais do que uma simples estatística, esse recorde afeta a vida de milhões de pessoas e empresas e levanta novos desafios para os próximos anos. Vamos aos números. No mês passado, a população desocupada era de 1,3 milhão de pessoas, o menor contingente desde o início da série, com queda de 20% em relação a novembro do ano passado. Na média de 2010, o desemprego deve ficar em 6,8% e, em 2011, pode cair para 6%. Nos oito anos do governo Lula, foram criados 15 milhões de vagas com carteira assinada, o que elevou para 43,6 milhões o número de trabalhadores no mercado formal. Daí a felicidade de Lula. “Eu fui dirigente sindical muito tempo, eu briguei muito tempo contra o desemprego”, afirmou na semana passada, no programa de rádio Café com o Presidente. “Quando eu vejo o IBGE divulgar que o desemprego está em 5,7% e, em algumas capitais, como Porto Alegre, está em 3,7%, significa que nós estamos nos padrões de pleno emprego, que era considerado para os países europeus e para os Estados Unidos. Isso é uma coisa extraordinária”, completou o presidente. Quando ele assumiu o governo, em janeiro de 2003, o índice de desemprego calculado pelo IBGE em seis capitais estava em 11,2% e chegou a 13% poucos meses depois. Naquele ano, foram criados apenas 645 mil empregos, insuficientes para atender os jovens que entram no mercado de trabalho. Mas os números foram melhorando aos poucos, e os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho mostravam que as contratações ganhavam fôlego. Este ano, ficaram para trás todos os vestígios da crise de 2008 e 2009, que custaram empregos especialmente em alguns segmentos da indústria. Foram criados 2,5 milhões de novos postos de trabalho em 2010, quase sete mil por dia. Em São Paulo, o tempo médio para conseguir uma nova colocação caiu de 12 meses em 2003 para oito meses este ano, segundo pesquisa do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômico (Dieese). Em suma, houve uma revolução no mercado de trabalho nos oito anos do governo Lula. “O primeiro mandato ainda teve resquícios da crise de 2002, mas o segundo mandato, mesmo com a crise de 2009, teve um resultado excelente para o emprego”, diz o diretor-adjunto de estudos macroeconômicos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Renaut Michel. Para ele, três fatores foram fundamentais para chegar a este resultado: o crescimento da economia, política de aumento real do salário mínimo e as políticas sociais, que aumentaram a demanda. A maior confiança na economia também levou à maior formalização do mercado de trabalho. A proporção dos que trabalham com carteira assinada passou de 40,5% para 46,7% entre 2002 e 2010. É um sinal de confiança na economia. Outro é a pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostrando que 92% das empresas do setor planejam investir em 2011. Além de comprar máquinas e equipamentos, terão também que contratar. O setor criou 2,2 milhões de vagas nos últimos anos e acha que a tendência vai se manter. “O emprego industrial perdeu um pouco o ritmo nos últimos meses, mas vai continuar melhorando no próximo ano”, afirma o diretor do Departamento de Economia da CNI, Flavio Castelo Branco. A entidade estima que o índice geral de desemprego deve cair dos atuais 6,8% para 6%. Todos os setores da economia ampliaram o nível de emprego nos últimos anos, mas alguns tiveram crescimento acima da média. É o caso da construção civil, que, depois de um período de demissões no início do governo, começou a contratar em 2004 e fecha os oito anos de mandato de Lula com um saldo de mais um milhão de vagas criadas. “O governo escolheu o setor da construção como o motor da economia”, comemora o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão. Entre os incentivos do governo estão os subsídios para o comprador de baixa renda no programa Minha Casa Minha Vida e a redução dos impostos sobre materiais de construção, no fim de 2008. Mas Simão lembra que o setor também cresceu por causa de outros fatores, como a mudança do marco regulatório do setor, que permitiu que as empresas se capitalizassem na bolsa de valores e criou instrumentos como alienação fiduciária para os imóveis financiados. Outro setor beneficiado pelas políticas do governo é a indústria naval. A obrigatoriedade de conteúdo mínimo nacional para as embarcações da Petrobras ajudou a reativar um setor que havia praticamente acabado no País nos anos 90. Nos cálculos do Sindinaval, que reúne as empresas do setor, o número de empregos nos estaleiros aumentou de 7,5 mil em 2003 para 56 mil neste ano. A expansão do emprego trouxe também o aumento da renda do trabalhador e, com ele, mais consumo e a criação de mais empregos. Na média, diz o ministro do Trabalho Carlos Lupi, os acordos coletivos conseguiram um ganho 26% acima da inflação nos últimos oito anos. O salário mínimo, segundo ele, teve aumento real de 73,7% neste período. Ele reclama que muitos superdimensionam a importância dos programas sociais para a melhoria de vida dos brasileiros. “Foi a política do salário mínimo que fez a inclusão social”, afirma o ministro. “Foi isso que fez o mercado brasileiro crescer e se tornar alvo da cobiça mundial.” Na média, o rendimento médio real do trabalhador passou de R$ 1.380,40 em novembro de 2002 para R$ 1.516,70 em novembro deste ano. Em locais que estão crescendo mais, como o Recife, que vive um boom de investimentos no complexo industrial de Suape, a renda média aumentou 32,7% nos últimos 12 meses. Mas o pleno emprego também traz desafios. O principal deles é treinar a mão de obra para evitar uma situação em que se tem desempregados sem qualificação de um lado e vagas não preenchidas nas empresas de outro. “A presidente Dilma já pediu que a nossa prioridade seja a qualificação dos beneficiários do Bolsa Família”, afirmou. O setor de construção civil, em que os salários subiram 17% apenas nos últimos 12 meses, já vive o problema. “Já estamos importando engenheiros e mestres de obras de outros países”, conta Simão. No Ministério do Trabalho, o plano é qualificar um milhão de pessoas até 2014. Mas até agora apenas 135 mil já concluíram ou ainda estão frequentando os cursos." |
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