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quinta-feira, 14 de abril de 2011

“Debêntures da Celpe” (Fonte: Valor Econômico)


“O conselho de administração da Neonergia aprovou a quarta emissão de debêntures simples da controlada Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), não conversíveis em ações, no valor de até R$ 360 milhões. Serão distribuídas até 36 mil debêntures com valor unitário de R$ 10 mil, com esforços restritos, ou seja, destinadas exclusivamente a investidores qualificados. As debêntures serão remuneradas em até 112,5% do Depósito Interfinanceiro (DI). A taxa exata será definida por meio de processo de coleta de intenções de investimento (bookbuilding). (Luciana Seabra)


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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Abreu e Lima: "Falta energia para refinaria, diz Petrobras" (Fonte: Valor Econômico)


"Autor(es): Cláudia Schüffner | Do Rio
Valor Econômico - 04/02/2011

Com orçamento bilionário de US$ 13 bilhões, a refinaria do Nordeste (Rneste), também conhecida como Abreu e Lima, que está sendo construída pela Petrobras em Pernambuco, carrega parte do custo Brasil em seu investimento. Um exemplo disso é a falta de suprimento de energia elétrica para o empreendimento. Paulo Roberto Costa, diretor da área de abastecimento e refino da Petrobras, informa que a Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), empresa do grupo Neoenergia - controlado pelo BB, Previ e Iberdrola -, não poderá fornecer os 230 megawatts (MW) que a instalação de refino precisará para funcionar.
Sem garantia de suprimento da distribuidora estatal, a Petrobras incluiu no projeto uma unidade de co-geração a partir do coque de petróleo para garantir a eletricidade. Com isso, a Rneste poderá funcionar todos os dia do ano sem interrupção. O diretor não informa quanto do orçamento será gasto em obras de infraestrutura mas adianta que somente a casa de força vai custar R$ 980 milhões.
"Vai ser o mesmo para o hidrogênio e o vapor. E quando dizem que o dólar por barril aqui é mais caro (do que no exterior), os analistas não levam em conta que lá fora não se precisa investir em nada disso", diz o diretor da estatal.
Costa também cita a construção da refinaria de Pernambuco para criticar o que considera pouco apetite pelo risco no Brasil, o que eleva o custo dos investimentos. "Lá não tem energia elétrica e quando bati na Celpe oferecendo um contrato para comprar 230 MW durante 24h, sete dias por semana e 365 dias por ano, durante 50 anos, a Celpe disse que não tinha como garantir os 230 MW o tempo todo", conta o diretor. "Eu falei [à Celpe) que agora também tinha um problema, porque não posso operar uma refinaria vagalume, que acende e apaga". O diretor da Petrobras apontou ainda obras como o enrocamento no porto de Suape como uma das que precisam ser feitas pela estatal.
Procurada pelo Valor, a Neonergia, dona da Celpe, enviou uma nota dizendo desconhecer qualquer negativa para fornecimento de energia para a refinaria da Petrobras. "A companhia assegura que está disponível para suprir toda a necessidade da planta industrial, que já está abastecendo (o empreendimento) com ligações provisórias para atendimento à obra e de seus fornecedores". A assessoria da Neoenergia também acrescentou que fechou contrato de fornecimento de 88 MW, o maior da empresa, para a Petroquímica Suape, também da Petrobras. A Petrobras informou que fez uma consulta formal à Celpe em 2006, na qual teve negado o suprimento de energia.
A distribuidora de energia disse ainda, na nota, que seu grupo controlador "tem todo o interesse em atender novos contratos de fornecimento no Estado e, inclusive, irá investir na duplicação da capacidade de geração da sua usina local Termopernambuco, de 532 MW. Também está capacitada para atender às unidades industriais com usinas de co-geração, pois recentemente adquiriu empresa deste ramo, a Energy Works ".
Para Paulo Roberto Costa, a Petrobras enfrenta no Brasil dificuldades que não existem em outros países porque falta investimento privado em portos, aeroportos, estradas e em infraestrutura em geral. "O que acontece hoje, com raríssimas exceções no Brasil, é que o empresário privado brasileiro não quer correr riscos", afirma o diretor da Petrobras.
O executivo rebate veementemente as críticas relacionadas ao preço, considerado muito elevado, das novas refinarias da Petrobras, dizendo que no Brasil existem custos que não são encontrados em países da Europa e nem nos Estados Unidos, onde a Petrobras tem uma refinaria em Pasadena (Texas). E mostrou esses custos em resposta a análises recentes mostrando que cada barril processado na refinaria de Pernambuco custará US$ 50 mil, enquanto cada barril processado pela Refap (onde a estatal recomprou os 30% da Repsol) custou US$ 14.900, enquanto aquisições recentes no exterior tiveram custo médio de US$ 4.700 por barril.
A Petrobras aposta nos números que mostram o crescimento exponencial do mercado brasileiro de combustíveis para justificar a construção de novas refinarias em Pernambuco, Rio de Janeiro (Comperj), Maranhão e Ceará até 2017. Os números do executivo mostram que se o consumo de diesel continuar crescendo até 2020, considerando um Produto Interno Bruto (PIB) de 4% ao ano - abaixo das previsões mais otimistas - e caso não sejam feitas novas refinarias, o país terá que importar cerca de 900 mil barris por dia do combustível no fim da década.
O diretor da Petrobras diz que isso traria "fragilidade" ao atendimento do mercado brasileiro, fazendo com que o país se tornasse dependente de dois ou três supridores (India, Rússia e talvez a Arábia Saudita). Também menciona a Copa do Mundo e as Olimpíadas como indutores de investimentos e consumo no país para mostrar que há risco de faltar derivados.
O ano passado foi o primeiro ano em que o consumo de diesel, gasolina e combustível de aviação (Qav) no país aumentou 9,9%, superando o crescimento da economia considerando que o PIB deve crescer 7,3% segundo estimativa do Banco Central.
O maior crescimento foi observado na venda de gasolina (17,8%), seguido pelo Qav (16,6%) e pelo diesel (8,8%). Costa atribuiu essa performance a razões que vão desde a safra recorde de 150 milhões de toneladas de grãos (movimentada por caminhões e tratores movidos a diesel); a venda de 3,5 milhões de novos automóveis, caminhões e tratores e ao maior volume de pessoas que passaram a viajar de avião ao invés de ônibus."

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Venda da Elektro pode ser o começo de grande movimentação no mercado de energia brasileiro (Fonte: Gazeta do Povo)


"Entre os três possíveis cenários apresentados está desde a venda da Elektro para a CPFL Energia até a criação de uma gigante brasileira de energia, controlada por Iberdrola, Previ e Camargo Corrêa
A aquisição da distribuidora de energia Elektro pela espanhola Iberdrola pode significar apenas o primeiro passo para uma consolidação ainda maior do setor elétrico no Brasil.
"Agora começa um novo capítulo. A Elektro era o último grande ativo de distribuição do Sudeste e pode haver um novo movimento de consolidação", afirma a analista Rosângela Ribeiro, SLW Corretora.
Mas o formato da consolidação não é consenso entre especialistas e analistas ouvidos pela Reuters. Entre os três possíveis cenários apresentados está desde a venda da Elektro para a CPFL Energia até a criação de uma gigante brasileira de energia, controlada por Iberdrola, Previ e Camargo Corrêa.
Iberdrola e Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, controlam a Neoenergia. A mesma Previ e a Camargo Corrêa são as principais sócias da CPFL.
De qualquer forma, os novos movimentos do setor envolveriam sempre a Previ e a Iberdrola, que agora se torna um relevante player no setor, ao lado da própria CPFL.
Na noite de quarta-feira, a Iberdrola anunciou a compra da Elektro por 2,4 bilhões de dólares da norte-americana Ashmore Energy International (AEI). Em comunicado, a Iberdrola disse esperar que a aquisição, que depende de aprovações regulatórias, seja concluída em até seis meses.
A Elektro era um ativo cobiçado por várias empresas do setor. "Ela já é muito bem otimizada em relação a custos", diz o analista Rafael Andreata, da Planner Corretora. Além disso, a distribuidora está no mais rico Estado brasileiro, atendendo a 223 municípios paulistas e cinco do Mato Grosso do Sul, totalizando 2,1 milhões de clientes.
NOVA NEOENERGIA
A Iberdrola declarou interesse em unir Neoenergia e Elektro, movimento que tornaria a "nova Neoenergia" a líder de mercado brasileiro de distribuição, com 16,33 por cento de participação, superando a Cemig, que somando-se à Light possui 16,19 por cento, com base em números da Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia (Abradee).
O fato de a Previ fazer parte do bloco de controle da Neoenergia, com participação direta de 22,2 por cento e indireta de 26,8 por cento, seria um impeditivo para as intenções da Iberdrola, que detém 39 por cento do capital da Neoenergia.
"Acredito que haverá uma alteração na Neoenergia. Houve notícias de que ela (Previ) queria se desfazer de algum ativo, e pode ser da Neoenergia", diz Rosângela, da SLW. Para ela, a Previ poderia aumentar a fatia na CPFL ou buscar outros ativos.
Com uma eventual venda da parte da Previ na Neoenergia para a Iberdrola, o caminho estaria livre para que a espanhola unisse Neoenergia e Elektro.
MOEDA DE TROCA
As distribuidoras da Neoenergia --Coelba, Cosern e Celpe-- estão no Nordeste. Já a Elektro está em São Paulo e no Mato Grosso do Sul. Do ponto de vista de sinergias, a Iberdrola não teria muito a ganhar com a união dos ativos.
"O ganho maior seria da CPFL, que teria com a Elektro uma área de concessão unificada, com escala muito grande", opina o professor do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Nivalde de Castro. Para ele, um cenário possível mas não definido seria a venda da Elektro para a CPFL em troca da saída da Previ da Neoenergia.
"A Previ estava em um movimento agressivo na Neoenergia para que a Iberdrola saísse. Mas a compra da Elektro pode fazer com que ela aumente sua posição, porque ela tem um ativo de grande interesse", avalia Castro.
Segundo a Previ, a compra da Elektro não envolve a Neoenergia, e uma oferta da Elektro para a Neoenergia "não está em pauta".
"O poder da Iberdrola aumenta porque ela tem um ativo para trocar. A Previ tem que sair de uma das duas empresas e a saída dela na Neoenergia pode incluir a compra da Elektro pela CPFL. Foi por isso que ela (Iberdrola) pagou tanto pela Elektro."
GIGANTE DO SETOR
Andreata, da Planner, acredita que a Neoenergia continuará com o mesmo bloco de controle e se juntará à Elektro e CPFL para criar uma gigante do setor, que teria quase 30 por cento do mercado brasileiro de distribuição de energia.
"Acreditava-se na fusão entre CPFL e Neoenergia, com a saída da Iberdrola, mas agora a empresa espanhola pode querer fazer parte deste novo grupo", diz o analista.
A empresa, prossegue Andreata, atuaria em alguns Estados do Nordeste e em São Paulo, além de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul.
"Nos últimos anos o governo já mostrou que quer a consolidação do setor elétrico com participação de empresas privadas e fundos de pensão. E essa nova empresa seria uma grande geradora de caixa, pagadora de dividendos e poderia se expandir em geração", diz Andreata, que não descarta a possibilidade da gigante chegar a outros países da América Latina"."
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