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terça-feira, 1 de março de 2016

Conheça o trâmite do projeto que quer entregar o pré-sal (Fonte: CUT)

"Aprovado no Senado o substitutivo ao PL 131, que na prática retira da Petrobras a exclusividade na exploração do petróleo pré-sal e abre caminho para multinacionais terem acesso à riqueza nacional, a luta contra esse projeto vai se dar na Câmara dos Deputados.

Há três possibilidades, de acordo com o funcionamento da Câmara, de esse projeto privatista seguir seu rumo. Num cenário que costuma ocorrer em matérias menos polêmicas e que envolvem menos interesses, o projeto seria distribuído para ser analisado pelas comissões de Minas e Energia, de Direito Econômico, Comissão e Justiça e de Finanças. Cada uma das comissões faria a análise, separadamente, checaria a constitucionalidade e conveniência da matéria e, se julgar necessário, proporia mudanças.

Só então, após o trabalho dessas comissões, o tema iria a plenário para votação dos deputados e deputadas. Segundo avaliação de Neuriberg Dias, assessor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), profundo conhecedor dos trâmites legislativos, se esse for o caminho escolhido, o projeto não seria votado ainda neste ano.

Outra possibilidade, bem ao gosto do atual presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), seria instalar uma comissão especial que analisaria sozinha o projeto e produziria um relatório a ser votado em plenário. Isso reduziria o prazo para uma questão de meses.

Mais perigos à vista

Aprovar regime de urgência, como fez Renan Calheiros (PMDB-AL) no Senado, remeteria o projeto às quatro comissões citadas acima, com a diferença que as análises seriam produzidas simultaneamente, no prazo obrigatório de apenas cinco sessões. Caso as comissões não consigam concluir o trabalho neste período, o projeto vai, do jeito que estiver formulado, direto ao plenário. Em um mês ou dois, calcula o Diap, iria a voto no plenário.

Há outro risco surgido nos últimos dois dias. Segundo denúncia do site Brasil247, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, pretende colocar para análise um outro projeto, ainda mais nocivo que o de Serra. De autoria de Mendonça Filho (DEM-PE), esse projeto acabaria com o regime de partilha, em que a Petrobras mantém os lucros da exploração, para o de concessão, onde as benesses ficariam para as multinacionais.

Como foi no Senado

Até por volta das 18h da última quarta-feira, dia 24, os senadores que se opunham ao  PL 131, de autoria de José Serra, contabilizavam 36 votos pela derrubada contra 34. O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) chegou a afirmar, nas redes sociais, que havia recebido sinalização do governo contra o 131. Se fosse a voto naquele momento, Serra e as petroleiras internacionais – que enviaram lobistas às galerias, enquanto os dirigentes sindicais foram impedidos de entrar, conforme denunciou da tribuna o senador Roberto Requião (PMDB-PR) – teriam sido derrotados.

Porém, segundo relatos de diferentes veículos de comunicação, uma negociação entre Romero Jucá (PMDB-RR), Renan Calheiros e o governo abriu caminho ao substitutivo que, com algumas alterações, acabou aprovado no voto.

Resistência e luta

Já no próximo dia 2, quarta-feira, a CUT, a FUP e outros movimentos sociais participam de audiência da Frente Parlamentar em Defesa da Petrobrás, em auditório da Câmara dos Deputados. A ideia é aumentar a pressão sobre os parlamentares entreguistas.

Um dia antes, a FUP realiza reunião extraordinária para analisar toda a conjuntura e preparar uma série de ações para derrubar o projeto. “Vamos reforçar o corpo a corpo sobre os 513 deputados”, avisa Zé Maria Rangel, coordenador-geral da FUP. Isso deve incluir visitas aos gabinetes, pressão pelas redes sociais e envio de emails.

E mobilização de rua, claro. No próximo dia 31, a CUT e a FUP estarão numa grande manifestação em Brasília, junto com as demais entidades que integram a Frente Brasil Popular. Uma das principais bandeiras da mobilização será a defesa do pré-sal como patrimônio genuinamente nacional."

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

CUT e FUP: projeto é "golpe brutal" nos trabalhadores e no povo (Fonte: Rede Brasil Atual)

"São Paulo – A CUT e a Federação Única dos Petroleiros (FUP) divulgaram hoje (25) nota na qual classificam de um "dos golpes mais brutais na classe trabalhadora" a aprovação do projeto, ontem, que retira a obrigatoriedade de a Petrobras ser a operadora única do pré-sal, além de retirar a participação mínima de 30% na exploração. Para as entidades, trata-se de "um golpe no projeto democrático-popular, voltado para a distribuição de renda, geração de emprego e investimentos em políticas públicas que melhorem a vida dos brasileiros".

"Os senadores aprovaram um projeto de José Serra (PSDB-SP) que privatiza o pré-sal. Isso significa que o Senado abriu mão da soberania nacional e de todos os investimentos gastos com a pesquisa na área de petróleo e gás nos últimos anos", diz a nota assinada pela CUT e pela FUP. "A luta feita em todo o Brasil para que os recursos oriundos do pré-sal sejam investidos na melhoria da educação e da saúde dos brasileiros foi ignorada pelo Senado", acrescentam.

As entidades lembram que, para garantir a aprovação de substitutivo ao Projeto de Lei Senado (131), apresentado por Romero Jucá (PMDB-RR), o governo fez acordo com a bancada do PSDB e parte da bancada do PMDB. Para a central e a federação, o governo "renunciou à política de Estado no setor petróleo e permitiu um dos maiores ataques que a Petrobras – única empresa que tem condição de desenvolver essa riqueza em benefício do povo brasileiro – já sofreu em sua história". E acrescentam: "Fazer acordo para aprovar o projeto de Serra é o sinal mais claro de que o governo se rendeu às chantagens e imposições do Parlamento e do mercado, rompendo a frágil relação que tinha com os movimentos sociais e sindical, criando um constrangimento para os senadores que mantiveram a posição em defesa do Brasil."

Na nota, CUT e FUP afirmam que o governo "precisa aprender que é preferível perder com dignidade do que ganhar fazendo concessões de princípios". E afirmam que estarão na ruas "para lutar contra este projeto que entrega a maior riqueza do povo brasileiro as multinacionais estrangeiras"."

Opinião: Por que retirar da Petrobras a exclusividade na operação do pré-sal é ruim para o Brasil? (Fonte: Brasil de Fato)

"I- Porque ter a Petrobras como operadora única garante ao País o controle estratégico das reservas e da produção do óleo. Sem a Petrobras, perdemos essa garantia.

A experiência internacional demonstra que os países que são grandes exportadores de petróleo têm, em sua grande maioria, robustas operadoras nacionais de suas jazidas.

Hoje, cerca de 75% das reservas internacionais provadas de petróleo estão nas mãos de operadoras nacionais. Conforme previsão da Agência Internacional de Energia, a tendência é a de que essas operadoras nacionais sejam responsáveis por 80% da produção adicional de petróleo e gás até 2030.

Isso não é casual. Para dominar o mercado, os países produtores precisam dominar as reservas e controlar o ritmo e os custos de produção. O primeiro fator é assegurado pelo regime de partilha e o segundo fator é assegurado pela operadora nacional. A OPEP seria inviável sem o regime de partilha e sem grandes operadoras nacionais.

A operadora nacional é o complemento necessário ao regime de partilha. De nada adianta o país ter o domínio das reservas se a produção é ditada pelos interesses imediatistas de grandes operadoras multinacionais. Sem uma grande operadora, o país não tem controle efetivo sobre o ritmo da produção, sobre os seus custos reais e, consequentemente, sobre a remuneração efetivamente devida ao Estado.

Foi essa realidade que levou os grandes países produtores, nos anos sessenta e setenta, a nacionalizarem as jazidas e, ao mesmo tempo, constituírem robustas operadoras nacionais. Com isso, eles multiplicaram seus rendimentos, passaram a deter as informações estratégicas sobre as jazidas e os custos de exploração e dominaram o mercado mundial do petróleo.

Retirar da Petrobras a condição de operadora do pré-sal significa retroceder à lógica predatória e imediatista da época na qual o mercado era dominado por sete grandes companhias internacionais de petróleo. Uma época em que os países produtores sequer conseguiam saber os custos de produção de suas próprias jazidas. Significa, em última instância, renunciar à gestão estratégica de um recurso finito e não renovável.

Sem essa gestão estratégica, o Brasil poderá se converter em mero exportador açodado de petróleo cru, ao sabor dos interesses particulares e imediatistas de empresas estrangeiras, contribuindo para deprimir preços internacionais e deixando de investir em seu próprio desenvolvimento.

II- Porque o petróleo ainda será um recurso energético fundamental ao longo deste século.

Um dos principais argumentos que motivam os que querem enfraquecer a Petrobras tange ao suposto fato de que o petróleo deixou de ser um recurso estratégico, pois deverá ser substituído rapidamente por outras fontes de energia, particularmente as limpas e renováveis.

Segundo eles, a grande baixa atual do preço do óleo já reflete essa tendência e deverá ser permanente. Assim, teríamos de explorar o pré-sal de modo célere, com o auxílio de multinacionais, antes que se torne um ativo sem valor.

Ora, tal previsão não tem nenhum fundamento científico. A grande baixa dos preços do petróleo está obviamente relacionada à crise mundial, que contraiu conjunturalmente a demanda, bem como às disputas geopolíticas e geoeconômicas sobre o controle do mercado mundial, particularmente no que tange à viabilidade econômica do óleo de xisto. Há um claro processo de dumping em andamento, que contraiu artificialmente o preço do petróleo.

Esse dumping já começou a ser revertido, como mostra o recente acordo feito entre Arábia Saudita, Rússia e outros países, e a crise mundial não durará para sempre.

A maior parte dos analistas prevê que a demanda mundial por óleo subirá de 91 milhões de barris/dia, em 2014, para 111 milhões de barris dia até 2040. Tal demanda será puxada pelo crescimento dos países emergentes, em especial na Ásia, e pelas necessidades dos sistemas de transporte e do setor petroquímico. Observe-se que o petróleo não serve apenas para produzir gasolina e diesel. Ele é insumo para mais de três mil outros produtos.

Com isso, o preço do petróleo voltará a subir. O suprimento de energias renováveis crescerá, mas a transição para uma matriz energética inteiramente limpa será, sem dúvida, gradual.

Na realidade, o que os analistas afirmam é que as necessidades ambientais e climáticas impactarão mais o carvão, responsável por dois terços do estoque de carbono das jazidas minerais, que o petróleo e o gás, fontes mais limpas que esse mineral.

Obviamente, o atual ambiente de dumping produz grande pressão para que o Brasil venda rapidamente o pré-sal. Seria erro trágico. A venda nessas condições de preços artificialmente baixos renderia pouco no presente e comprometeria muito nosso futuro.

Devemos ter em mente o que aconteceu com a Vale. Na época de sua venda, com os preços do minério bastante baixos, diziam que o ferro já não tinha valor estratégico algum e que o futuro pertencia aos novos materiais sintéticos. Pouco tempo depois, os preços do minério dispararam e a Vale privatizada passou a faturar mais por ano que o preço aviltado de sua venda.

III- Porque a Petrobras tem totais condições de explorar o pré-sal.

Outro argumento muito usado nesse debate é o de que a Petrobras, fragilizada financeiramente, não teria condições de explorar o pré-sal.

Não é verdade.

Todas as grandes companhias de petróleo passam, em maior ou menor grau, por dificuldades econômicas ocasionadas pela conjuntura negativa do mercado. No caso da Petrobras, seu endividamento se deve também à necessidade de realizar os grandes investimentos imprescindíveis à exploração do pré-sal.

Contudo, a Petrobras, além de operar com lucro substancial, tem solidez financeira, pois está lastreada num fantástico ativo patrimonial: o pré-sal. Segundo pesquisa do Instituto Nacional de Óleo e Gás da UERJ, divulgada em 2015, o pré-sal contém 176 bilhões de barris, óleo suficiente para cobrir, sozinho, cinco anos de consumo mundial de hidrocarbonetos. Perto dessa riqueza extraordinária, a dívida atual da empresa é troco miúdo.

Não faltarão recursos para que a Petrobras continue a investir no pré-sal. O mercado financeiro nacional e internacional sabe muito bem que a Petrobras tem expertise, tecnologia e patrimônio para superar suas atuais dificuldades.

Sabe muito bem que, independentemente de seus detratores internos, a empresa tem tudo para gerar lucros e dividendos muito maiores que seus passivos. Ademais, o mundo dispõe hoje de fontes alternativas de financiamento, como a do Banco do BRICS, por exemplo, que podem ser acionadas de forma complementar.

A dívida da empresa poderia se tornar um grande problema, porém, na situação em que a Petrobras perca o acesso às jazidas, como querem os propugnadores do projeto que retira dela a condição de operadora única. Nesse caso, a empresa perderia seu lastro patrimonial e, aí sim, poderia se fragilizar ao ponto de não conseguir mais operar.

Em vez de simplesmente reduzir seus investimentos, como faz agora para se adaptar à nova realidade do mercado, a Petrobras poderia não ter mais como investir um centavo.

Na realidade, ao se retirar da Petrobras a condição de operadora única do pré-sal poderia se conduzir a empresa à falência ou a uma inevitável privatização. Talvez seja esse um dos objetivos implícitos do projeto.

IV- Porque o País perderia todo o investimento feito pela Petrobras e a alta tecnologia por ela desenvolvida

Ao contrário de outras operadoras nacionais, que apenas se apropriaram de jazidas já provadas, a Petrobras, desde o início, teve de investir maciçamente, ao longo de décadas, em prospecção e desenvolvimento de tecnologia.

Com isso, ela se tornou uma das operadoras mais eficientes e lucrativas do mundo e conseguiu, a muito custo, produzir tecnologia de ponta na exploração em águas profundas e ultraprofundas.

A Petrobras é a empresa brasileira que mais gera patentes e ganhou, por três vezes, o OTC Distinguished Achievement Award, maior prêmio internacional concedido às empresas de petróleo que se distinguem em desenvolvimento tecnológico. Tal esforço inovador se espraia por áreas diversas, como Petroquímica, Engenharia Mecânica, Engenharia de Segurança do Trabalho, Medicina e Física, e repercute positivamente numa vasta cadeia produtiva.

Ora, todo esse esforço histórico, iniciado a partir da década de 1950 (quando se dizia que o Brasil não tinha petróleo), se perderia, caso a Petrobras perca, agora, a condição de operadora única do pré-sal. A inevitável e profunda fragilização da empresa que seria derivada dessa trágica decisão jogaria fora todo o investimento realizado em décadas de trabalho duro e o país perderia uma grande fonte de desenvolvimento tecnológico.

Não nos parece racional e justo que, após todo esse esforço, se dê de bandeja, sem nenhum risco e por um preço aviltado, os recursos do pré-sal a empresas que nunca fizeram investimentos de prospecção no Brasil e que não desenvolvem tecnologia no país.

V- Porque o Brasil perderia os instrumentos para conduzir a política de conteúdo nacional, consolidar a cadeia produtiva do petróleo e alavancar seu desenvolvimento.

A cadeia de petróleo e gás, comandada pela Petrobras, é a maior cadeia produtiva do país, responsável por cerca de 20% do PIB brasileiro e 15% dos empregos gerados.

Tal cadeia é sustentada por uma política de conteúdo nacional, que gera demanda robusta em setores-chave como o da construção civil pesada e a indústria naval, só para citar alguns poucos.

Ora, retirar da Petrobras a condição de operadora única do pré-sal poderia implodir toda essa política e desarticular essa estratégica cadeia produtiva.

As empresas estrangeiras de petróleo normalmente contratam serviços no mercado internacional e importam insumos e bens em seus países de origem. Ao contrário da Petrobras, não têm compromisso algum com o desenvolvimento da indústria nacional brasileira.

Já a Petrobras, em seu Plano de Negócios e Gestão, previu investimentos de US$ 130,3 bilhões para o período de 2015 a 2019. Trata-se de mais de R$ 400 bilhões que serão investidos quase que totalmente no Brasil. Não podemos comprometer esses e outros investimentos, seguramente mais volumosos, que virão mais tarde, graças à exploração do pré-sal pela Petrobras.

Os recursos que a Petrobras investe e investirá para explorar o pré-sal são e serão fundamentais para alavancar o desenvolvimento do Brasil. Assim, retirar da Petrobras a condição de operadora do pré-sal significaria, em última instância, a destruição dessa alavanca única e o consequente comprometimento do nosso desenvolvimento.

VI- Porque o Brasil perderia futuro.

Por ser recurso finito e não renovável, o petróleo tem de ser gerido com perspectiva de longo prazo e com base na solidariedade intergeracional.

Foi essa visão que fez o Congresso Nacional aprovar a destinação dos royalties e participações especiais do petróleo para a Educação (75%) e Saúde (25%). Decidimos trocar recursos do presente para investir nas futuras gerações.

Temos de analisar a questão da Petrobras como operadora do pré-sal dentro dessa mesma visão estratégica.

A retirada da Petrobras como operadora única obedece a uma lógica de curto prazo: estamos numa crise e precisamos de dinheiro rápido para nos dar alívio financeiro. Se vendermos o pré-sal às multinacionais do setor, poderemos gerar uma receita que nos ajude a pagar juros da dívida, a fazer superávits primários e a equacionar desequilíbrios fiscais.

Já manutenção da Petrobras como operadora do pré-sal, com tudo o que isso implica, obedece a uma lógica de longo prazo: estamos em crise e, se alavancarmos nosso desenvolvimento com os recursos do pré-sal, não só contribuiremos para a sua superação, como criaremos as condições para o Brasil inicie um novo ciclo de crescimento mais sólido e duradouro.

Neste segundo caso, trata-se de cambiar a miragem liberalizante de curto prazo pela visão estratégica que assegurará futuro para as novas gerações de brasileiros.

No primeiro e trágico caso, trata-se de trocar o futuro pelo presente.

Retirar a Petrobras dos campos do pré-sal significa simplesmente vendê-los. E vender o pré-sal é vender futuro. E quem vende futuro já se perdeu no presente.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Relator reduz recursos do pré-sal ao Fundo Social (Fonte: Valor Econômico)

"O parecer do deputado Carlos Zarattini (PT-SP), relator do projeto de lei aprovado no Senado que trata das novas regras de distribuição dos royalties do petróleo, reduz os recursos destinados ao Fundo Social do pré-sal. O texto, divulgado ontem, determina que 20% do valor dos royalties nos contratos de concessão na plataforma continental, sejam destinados à área de defesa nacional e de ciência e tecnologia.
..."

terça-feira, 21 de junho de 2011

"Marcelo Déda defende novo modelo do pré-sal" (Fonte: O Estado de S. Paulo)

"Para governador de Sergipe, principais Estados produtores ficariam com a maior parte dos royalties, mas participação do restante do País deve aumentar

O governador de Sergipe, Marcelo Déda, afirmou que os principais Estados produtores de petróleo (Rio, Espírito Santo e São Paulo) têm direito de receber a maior parte dos royalties da exploração do pré-sal, mas salientou que essa nova fronteira de produção exige novo modelo de distribuição.
Nesse novo modelo, acrescentou, o restante do País também deve receber uma parcela maior do que recebe hoje dessa riqueza. "O pré-sal produz uma nova realidade econômica. É uma riqueza nova e inesperada e não pode ter o mesmo tratamento que se dava à situação anterior. Isso mudou completamente as perspectivas de futuro do País e mudou o setor de petróleo."
"Nós queremos respeitar que os Estados produtores recebam mais que os outros. Mas os parâmetros desse plus não podem ser iguais aos da realidade anterior. O pré-sal precisa servir ao País como um todo, é uma riqueza do País", acrescentou.
O governador de Sergipe e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, foram escalados pelos seus pares dos demais Estados do Norte e Nordeste para tratar do assunto com os governadores do Rio, Espírito Santo e São Paulo. Segundo ele, o primeiro passo nessa negociação é "desarmar os espíritos". Ele ponderou que um duelo do restante da federação contra os três Estados teria "desfecho certo" e que é preciso bom senso. "Ninguém quer impor derrota."
Embora tenha afirmado que a discussão dos royalties do petróleo corre em paralelo com a reforma tributária, Déda admitiu o risco de contaminação dos assuntos. "O petróleo é, por natureza, muito dispersivo. Um vazamento termina chegando em várias praias. Temos de agir como geólogos de muita competência e engenheiros de extrema precisão para isolar esse tema e dando um tratamento adequado ao assunto. Com ou sem reforma tributária ou reforma do ICMS, a questão dos royalties está aí."
No governo passado, o Congresso alterou o sistema de distribuição dos royalties do petróleo, ampliando os recursos para Estados e municípios não produtores. A proposta, aprovada na Câmara e no Senado, foi rejeitada pelos Estados e municípios produtores, especialmente do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, que não querem perder uma colossal fonte de recursos.
O então presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou a mudança no sistema de royalties, mas o Congresso ameaça derrubar o veto, hipótese que tem chance real de prosperar, já que os três Estados produtores não têm força para segurar o desejo de mais receitas pelos demais. Para evitar a derrubada do veto, que poderia impor perdas graves de arrecadação, os governadores tentam agora negociar uma saída que contemple os dois lados."

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sexta-feira, 27 de maio de 2011

Pré-sal de Santos: “ANP rejeita pedido da Petrobras” (Fonte: Valor Econômico)


“Autor(es): Claudia Schüffner | Do Rio 

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) ainda não aceitou a declaração de comercialidade da área de Cernambi (antigo Iracema, no pré-sal de Santos) pela Petrobras. Esse é um dos percalços que a estatal enfrenta atualmente junto à agência reguladora, que está analisando o descumprimento do programa de conteúdo local em 44 contratos de concessão da companhia.
Na área do pré-sal, a ANP aceitou apenas a declaração de comercialidade de Lula (antigo Tupi). Segundo Magda Chambriard, diretora da ANP, a agência entende que Lula e Cernambi são apenas uma área, com dois grandes reservatórios e um vale entre eles. A Petrobras pediu a declaração de comercialidade dos dois campos no dia 29 de dezembro, tendo devolvido a área no meio dos dois.
Magda explicou que a diferença poderá significar uma perda de arrecadação superior a R$ 15 bilhões e por isso também não aceitou a devolução da área no meio dos dois. Segundo ela, em se tratando de uma única área, a incidência da Participação Especial (PE) é maior do que no caso de duas isoladas. A Petrobras estima que Lula tenha 6,5 bilhões de barris de óleo equivalente e Cernambi outros 1,8 bilhão de barris.
A discussão sobre o assunto, que está em fase de contraditório, pode render uma multa de R$ 28 milhões para a Petrobras. É um valor maior do que o que pode ser cobrado da Shell: a multa por descumprimento pode chegar a R$ 1,3 milhão. Magda explicou que, a pedido da Petrobras, o prazo de contestação da notificação da agência foi adiado para 15 de junho.”


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terça-feira, 24 de maio de 2011

“Petrobras vai investir US$ 350 mi em terminal flutuante” (Fonte: Valor Econômico)


“Autor(es): Rafael Rosas | Do Rio 

A Petrobras vai investir US$ 350 milhões em um terminal flutuante de tancagem para escoar parte da produção do pré-sal a partir de 2013. A unidade ficará a 90 quilômetros da costa, entre o norte de São Paulo e o sul do Rio de Janeiro e contará com um navio do tipo FSO (flutuante, para estocagem e transferência) que ficará permanentemente ancorado. Ele terá capacidade de estocar entre 2 milhões e 3 milhões de barris de óleo.

O diretor de abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, explicou que o projeto nasceu da necessidade de buscar o melhor rendimento para os navios de posicionamento dinâmico (DP, na sigla em inglês) que vão escoar a produção do pré-sal e terão capacidade de armazenar até 1 milhão de barris. Em vez de uma viagem mais longa até a terra, os navios do tipo DP vão transferir o óleo para esse terminal flutuante, que por sua vez colocará o óleo em navios convencionais que levarão o insumo para as refinarias ou diretamente para exportação.

Além disso, o diretor lembrou que os terminais terrestres de São Sebastião (SP) e Angra dos Reis (RJ) já operam a plena capacidade. "Semana passada abrimos licitação internacional com quantidade bastante grande de empresas e deveremos ter proposta dentro de 30 a 45 dias", disse Costa, acrescentando que a estatal vai afretar a embarcação, que será tripulada e operada pela Transpetro.

Costa, que participa de seminário promovido pela Apimec-Rio, disse que a embarcação poderá ser nova ou já existente, desde que adaptada para funcionar como FSO. Caso o navio seja novo, ele não será construído no Brasil, devido à falta de tempo hábil para que fique pronto nos estaleiros brasileiros.

Costa voltou a afirmar que a estatal só vai esperar até agosto a definição da venezuelana sobre a participação na refinaria de Abreu e Lima, que está em construção em Pernambuco. O executivo lembrou que a Petrobras pegou um empréstimo de R$ 10 bilhões no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e que o dinheiro dessa operação acaba em agosto.

Costa lembrou que a PDVSA está com dificuldades de assumir os 40% que seriam de responsabilidade da companhia venezuelana no financiamento dado pelo BNDES. "O entendimento da Petrobras é de que, se chegar agosto e a PDVSA não tiver assumido [a participação no empréstimo], entenderemos que PDVSA não quer participar da refinaria", disse, lembrando que a estatal brasileira continuará a tocar a obra da refinaria mesmo que a parceria não se concretize.

O diretor explicou que atualmente 35% das obras da refinaria já foram feitas. A expectativa da companhia é iniciar a operação da unidade em 2013, com o início do refino no primeiro trem, que terá capacidade de processar 65 mil barris por dia.”


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“Petrobras terá terminal flutuante para pré-sal” (Fonte: O Globo)


“Autor(es): agência o globo: Ramona Ordoñez 

A Petrobras decidiu construir um terminal flutuante em alto mar - em vez de terrestre - para receber e tratar a futura produção de petróleo nos campos do pré-sal na Bacia de Santos. A informação foi dada ontem pelo diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, ao explicar que o projeto inédito, vai ser instalado a 90 quilômetros da costa do Rio ou de São Paulo.

O primeiro terminal custará US$350 milhões, devendo ficar pronto em 2013. O diretor explicou que a ideia surgiu pelo fato de não ser possível expandir a atual capacidade dos terminais de São Sebastião, em São Paulo, e o de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. O terminal terá capacidade de armazenar até três milhões de barris por dia de óleo.

O diretor informou também que a estatal venezuelana PDVSA estará fora da Refinaria Abreu Lima, em Pernambuco, se não injetar recursos nas obras até agosto. Desde 2005 a PDVSA negocia entrar com 40% do projeto da refinaria.

- Agosto é o limite porque é quando acaba o dinheiro do empréstimo com o BNDES (R$10 milhões). Aí tem que começar a fazer aportes - explicou.”


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quarta-feira, 18 de maio de 2011

“Mercadante quer novo marco do pré-sal” (Fonte: O Globo)

“Mudança de regra acarretaria perdas bilionárias a Ciência e Tecnologia

Pelos cálculos do ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, sua pasta perderia, já em 2011, R$900 milhões, caso as regras para distribuição dos royalties do petróleo fossem alteradas. As projeções feitas para os próximos dez anos somam perdas ainda maiores, de R$12,2 bilhões. O ministro, que participou ontem no Rio do segundo dia do XXIII Fórum Nacional, está convencido de que alguns políticos "não têm uma visão de longo prazo" para a aplicação dos royalties do petróleo. A favor de uma distribuição de recursos menos concentrada em estados e municípios, ele defende que o país copie modelos que estão dando certo, como é o caso da Noruega, e não os que estão dando errado, como o da Venezuela.

Mercadante defendeu a aplicação majoritária dos recursos arrecadados com royalties em investimentos em educação, ciência e tecnologia. Segundo ele, "somente dessa forma o Brasil poderá dar um salto de qualidade nessas áreas, que são importantes para promover o desenvolvimento".

Defensor da criação de um fundo soberano para alocar os recursos oriundos do pré-sal, Mercadante também se disse favorável à transformação da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) em um banco público de inovação. Segundo ele, essa seria uma forma de acabar com alguns gargalos. Só o setor de fármacos, por exemplo, convive com um déficit de US$6,4 bilhões em investimentos.

Orçamento da Finep multiplicado por dez

Concordando com a análise de Mercadante, o presidente da Finep, Glauco Arbix, também presente ao encontro, disse que é necessário alavancar os recursos do órgão.

- Em 2010, a Finep financiou R$4 bilhões em projetos. Para os próximos dez anos, seria necessário multiplicar por dez o orçamento do órgão, pulando para algo como R$40 bilhões - afirmou Arbix.

Segundo o presidente da Finep, há necessidade de o país aplicar ao menos 30% dos investimentos globais nas áreas de ciência e tecnologia. Enquanto em países como os Estados Unidos os investimentos em pesquisa e desenvolvimento giram em torno de US$400 bilhões, no Brasil esse montante não passou de US$24,2 bilhões em 2009.

Há um consenso no governo de que os setores público e privado precisam se unir nessa empreitada. Tanto assim que Mercadante e Arbix defenderam uma maior inserção do setor privado em projetos de inovação tecnológica. (Liana Melo)”


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